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Governos do Norte planejam ação conjunta para combater ataques dos ‘piratas dos rios’

A insegurança na navegação, que causou prejuízos de R$ 100 mi nos últimos anos, vem ocorrendo especialmente nos Estados do Amazonas e Pará 19/02/2016 às 12:57
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As regiões do médio e alto Solimões, entre Codajás e Tefé são as áreas mais perigosas no Amazonas
Antônio Paulo Brasília (DF)

Reunião no Ministério da Justiça definiu, ontem, um grande encontro, a ser realizado em Manaus, nos próximos 15 dias, para traçar estratégias de combate aos roubos, furtos e assaltos seguidos de morte nos rios da Amazônia.

A insegurança na navegação, que causou prejuízos de R$ 100 milhões nos últimos anos e que vem ocorrendo especialmente nos Estados do Amazonas e Pará, é motivo de preocupação da Federação e dos Sindicatos das Empresas de Navegação Fluvial (Fenavega, Sindarma e Sindarpa).

As regiões do médio e alto Solimões, entre Codajás e Tefé são as áreas mais perigosas no Amazonas. No Pará, os assaltos acontecem com frequência no Estreito de Breves.

“Diante da violência nos rios da nossa região, temos que tomar providências, juntar forças tanto do governo federal quanto dos governos estaduais da Região Norte que enfrentam o problema. Por isso, definimos nessa audiência com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que contou com a participação do delegado-geral da Polícia Federal, de parlamentares da Amazônia e representantes das entidades, esse grande encontro em Manaus para que possamos achar as saídas políticas e militares e acabar ou diminuir a incidência desses crimes de pirataria”, disse o coordenador da bancada do Amazonas no Congresso Nacional, senador Omar Aziz (PSD-AM).

O presidente do Sindarma, Galdino Alencar Júnior, informou que por conta dos roubos nos rios, muitas empresas já pediram falência e dispensaram funcionários. Os crimes cometidos pelos “piratas” vão deste desvio de óleo combustível, cargas, equipamentos e utensílios pertencentes aos tripulantes.

“Esses crimes, que muitas vezes têm a conivência de populações das comunidades que acobertam os assaltantes dos rios, contribuem para o fortalecimento e estruturação do tráfico de drogas, armas e prostituição infantil”, disse.

Segundo Galdino Júnior, as entidades e empresas de navegação já recorreram à Marinha do Brasil, mas tiveram como resposta a limitação do papel da força armada, que é apenas de fiscalização e não tem poder de polícia.

O presidente do Sindicato das Empresas de Navegação do Estado do Pará (Sindarpa), José Rebelo, contou que a cada dia os assaltantes estão mais ousados e violentos.

No Estreito de Breves, por onde as embarcações levam cargas e passageiros para o Amapá, Belém e o interior do Estado, as cargas de combustíveis são as mais procuradas e os furtos também atingem os objetos dos tripulantes.

“Eles agridem e chegam até a matar quem está nas embarcações. Antes, agiam na calada da noite, mas hoje, sabendo que há trechos com até 20 horas sem comunicações via celular ou internet, eles atacam à luz do dia”, afirmou. De acordo com Rabelo, nos últimos 12 meses, os assaltos aos barcos paraenses chegam a R$ 3 milhões.

Duas perguntas para José Eduardo Cardozo, Ministro da Justiça

1. Como será esse encontro em Manaus?

Será dividida em duas partes: a primeira é política, quando os ministros da Justiça, Defesa, Estado Maior das Forças Armadas, governadores do Amazonas, Acre, Amapá, Pará, Rondônia e Roraima, deputados e senadores da região vão decidir as ações, assinar convênios, liberar recursos e estruturas para garantir a execução das medidas a serem tomadas. A segunda será técnica entre a direção geral da Polícia Federal, Civil e Militar, Secretarias Estaduais de Segurança Pública e Forças Armadas, onde as estratégias e ações serão tomadas.

2. A bancada parlamentar do Norte e as entidades de navegação defendem a criação de uma polícia hidroviária. O senhor acha viável?

É uma discussão que deve ser colocada, porém, eu acho que antes de pensarmos um novo corpo policial talvez seja melhor pegar aquilo que já temos e iniciarmos agora uma execução de situação. Ao longo da operação conjunta e integrada podemos chegar à conclusão de que é necessário um novo corpo policial, então, que se faça. Mas, antes, vamos usar o que já temos nessa ação.

Blog - Claudomiro Carvalho, Pres. da Fed. das Emp. de Navegação

“Esse encontro no Ministério da Justiça e a realização de uma grande  reunião em Manaus, com todos os entes envolvidos nesta questão da segurança nos rios da Amazônia é o começo. A proposta do delegado-geral da Polícia Federal, de usar a inteligência policial para identificar quem compra, quem vende, quem rouba e saqueia é correta. Vamos conhecer efetivamente o tamanho do problema. Outro ponto importante é a ocupação dos rios da Amazônia com várias Bases Anzóis não somente em Tabatinga, que é focada no tráfico de drogas nas nossas fronteiras. É preciso espalhar as polícias embarcadas, ter outras bases anzóis no rio Madeira, próximo a Manaus, baixo Amazonas, Amapá e no Pará, com a participação integrada das polícias federal, civil, militar e o apoio da Marinha. Com relação à segurança privada e armada, para proteger as embarcações, esse é um assunto grave e polêmico”.

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