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Cotidiano
Operação Betume

Remessa de cocaína embalada em Manaus é apreendida no México e mais 200 kg no Pará

Conforme o delegado Caio Avanço, titular da DRE da Polícia Federal, a remessa pertencia ao grupo criminoso liderado pelo peruano Teobaldo Asunción Cortijo Ovando e sua esposa, Vera Marinho de Azevedo 15/10/2016 às 10:59 - Atualizado em 16/10/2016 às 14:55
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O casal abastecia várias partes do mundo com droga de alto teor de pureza. (Arte: Tiago Rocha)
Joana Queiroz Manaus (AM)

Uma quantidade de cocaína pura embalada em Manaus foi apreendida no México por meio de uma cooperação internacional no âmbito da operação Betume, da Polícia Federal. O total apreendido no exterior não foi revelado. Outra parte dessa mesma remessa, aproximadamente 200 quilos de cocaína pura, estavam escondidos em tambores de massa asfáltica apreendidos na quinta-feira (13) no Pará.

Conforme o delegado Caio Avanço, titular da Delegacia de Reprensão a Intorecentes (DRE) da Polícia Federal, a remessa pertencia ao grupo criminoso liderado pelo peruano Teobaldo Asunción Cortijo Ovando e sua esposa, Vera Marinho de Azevedo.

O casal abastecia várias partes do mundo com droga de alto teor de pureza. Os dois foram presos na manhã de quinta-feira - ele em Manaus e ela em Curitiba, durante a operação Betume, que  desarticulou o esquema sofisticado para exportar cocaína de forma segura acondicionada em equipamentos pesados de difícil identificação. “Nem o raio-x ou até mesmo cachorro farejadores eram capazes de identificá-la”, disse o delegado.

A apreensão ocorreu na cidade de Tomé-Açu, no Pará. Os tambores estavam escondidos em um galpão, envoltos em caixas de papelão. A droga veio do Peru, já tinha passado por Manaus e estava aguardando o momento exato para embarcar e seguir viagem para o exterior. 

De acordo com o delegado, outra parte dessa  remessa de droga foi apreendida quando desembarcava no porto de Veracruz, no  México, por meio de um acordo de cooperação internacional. O bando estava traficando há mais de um ano e a Polícia Federal está investigando para descobrir qual foi a  quantidade de droga exportada pelo grupo.

A cocaína exportada pela organização vinha dos laboratórios peruanos, com 100% de pureza. A droga passava por Manaus, onde era colocada em equipamentos e máquinas pesadas e depois era embarcada para fora. O casal abria empresas de importação e exportação para mandar a droga sem despertar qualquer suspeita. Alugavam galpões, importavam maquinários  que serviam de embalagem para a droga. Depois, os dois mudavam sempre de endereço para não serem descobertos pela polícia.

Mas em março deste ano, quando foram apreendidos 116 quilos de droga que estavam escondidas no interior de tambores de freio de caminhão, a polícia chegou à dupla e ampliou a investigação. A droga apreendida na ocasião, “tipo exportação”, tinha como destino a capital da  Austrália,  Sidney, e estava  avaliada em US$ 37,5 milhões, equivalente a R$ 136,5 milhões.

O delegado Caio Avanço informou ainda que a polícia fez outras apreenções de droga do grupo. O que chamou a atenção da PF foi a sofisticação e a perfeição na forma de embalar a droga.  O delegado não descarta a possibilidade do grupo ter ligações com outras quadrilhas  especializadas em tráfico internacional.

Casal discreto

Das 15 pessoas envolvidas no esquema liderado pelo casal Teobaldo e Vera, oito foram presas e sete foram conduzidas à sede da PF em Manaus para prestar esclarecimentos. Entre os presos estão os advogados Ellen Wandrienny de Lima Tavares e João de Melo Cardoso Junior.

Em Manaus, 300 quilos de cocaína pura – especialidade deles – foram apreendidos em quatro diferentes locais da cidade. As investigações vão continuar para tentar descobrir cobrir como e onde o dinheiro da droga era investido. Aparentemente o casal levava uma vida simples sem ostentação.

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