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Cotidiano
AGRONEGÓCIO

Granja e citricultura são os pontos fortes no setor primário do Amazonas

Laranja de qualidade e produção de 2,5 milhões de ovos por dia sinalizam a potência do Estado no setor primário 05/08/2018 às 14:41
Show plantacao
O Amazonas produz 400 mil toneladas de laranjas por ano, orgulho do presidente da Amazoncitrus, Cláudio Decaris (Foto: Antonio Ximenes)
Antônio Ximenes Manaus (AM)

Na produção de laranjas, onde a liderança é dos produtores de Rio Preto da Eva, o Amazonas se apresenta em um estágio avançado de fortalecimento e, dentro de no máximo cinco anos, segundo o presidente da Associação Amazonense de Citricultores (Amazoncitrus), Cláudio Decaris, tem condições de ser autossuficiente no fornecimento para o mercado de Manaus. Atualmente, o Estado produz 400 mil toneladas de laranjas, mas pode dobrar sua produção com as ações que estão sendo realizadas, a fim de fortalecer o setor. Este ano observa-se uma boa safra, o que tem derrubado os preços no mercado local, beneficiando os consumidores de Manaus.

Para isso, a parceria fechada com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam ) é funda mental, tanto em termos tecnológicos como de escala produtiva regional. Segundo o professor José Ferreira, da Faculdade de Ciências Agrárias (FAC) da Ufam, o projeto que vai estudar as possibilidades de trazer novas espécies para plantio na região, além da laranja pera, que domina o cultivo amazonense, será essencial para proteger a citricultura do risco de pragas, que possam afetar a espécie laranja pera. Com pesquisadores sênior e estudantes da FAC, Ferreira vai trabalhar com porta-enxertos, manejo e boas práticas de cultivo, com baixo impacto de agroquímicos.

Parceria

O objetivo dos pesquisadores, em parceria com a Amazoncitrus, é ter frutos o ano todo, o que frearia a importação de laranjas de outros Estados, e criaria um polo avançado de sucos no Norte do Brasil. Para Cláudio Decaris, que até o fim do ano estará com 40 mil pés de laranjas em sua fazenda em Rio Preto da Eva, as prioridades do setor são: aumentar o período de sustentabilidade da citricultura, através de pesquisas como novos porta-enxertos; melhorar o manejo fitossanitário e o cultivo; estimular e participação do processo de industrialização de sucos; e unir o setor com apoio às pesquisas, investimentos de grande porte do governo estadual na área, consultorias via Sebrae e comercialização, que valorize o produto regional de alta qualidade.

Granjeiros buscam na ração saída para crescer

Com um plantel de aves de 2,5 milhões e produzindo diariamente dois milhões de ovos, o Amazonas é autossuficiente neste quesito de proteína animal, de baixo custo para a população. Os ovos têm preços inferiores às carnes bovinas e dos peixes, mas tem sofrido uma brutal concorrência predatória de ovos importados de São Paulo e Mato Grosso, que tem afetado a balança local.

Mesmo com esta concorrência nociva, os granjeiros locais tem se destacado pela alta tecnologia, tanto na produção de ovos in natura, como na produção de ovos líquidos, neste caso, especificamente, a Fazenda São Pedro, a maior do Estado, com um plantel de 800 mil aves e 650 mil ovos/dia.

O entrave é a ração, feita de milho e soja, para alimentar as aves poedeiras. “Nós produzimos ração, trazemos milho e farelo de soja do Mato Grosso, transportamos nossas matérias primas com nossas balsas do Porto de Porto Velho para Manaus. Tudo isso são custos adicionais, mas porque não há produção suficiente de milho e soja no Amazonas, se houvesse estaríamos melhor posicionados para fazer frente aos ovos importados”, salientou Luis Mário Peixoto, diretor geral da Fazenda São Pedro.

Na avaliação do presidente da Associação Amazonense de Avicultura (AAMA), Kuniya Takano, o Amazonas precisa, urgentemente, ampliar sua produção agrícola de soja e milho para ter como fornecer essa matéria prima ao mercado local, com preços competitivos.

“Aqui, nós temos o porto graneleiro de Itacoatiara, que tem soja e milho, mas não repassa para nós, por questões alfandegárias. Isso é uma contradição, porque milhões de toneladas de grãos passam pelo Amazonas e nada fica para nós”, destacou Takano.

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