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Cotidiano
SAÚDE

Grávidas x zika: surto de infecção não adia sonhos de maternidade de manauaras

Futuras mães como Giselle Leitão da Silva, se preocupam com a associação entre o vírus e a microcefalia, mas estão se precavendo como podem e realizando exames constantes para garantir a saúde dos bebês 28/03/2016 às 12:05
Show gravida
Até mesmo as mulheres com gravidez mais avançada se mantêm em alerta. Foto: OPAS
Náferson Cruz Manaus (AM)

Há seis meses, quando recebeu a notícia de que estava grávida, a moça não conteve a emoção, felicidade e o sonho de ser mãe pela terceira vez. Mas, uma semana depois, a plena harmonia de Giselle Leitão da Silva, 26, deu lugar à apreensão, em decorrência da associação entre o vírus zika e a microcefalia (má formação congênita do cérebro do bebê).

O rol de preocupações fez com que Giselle logo procurasse uma Unidade Básica de Saúde (USB), onde foi submetida a exames que apontaram negativamente.  Mesmo diante da boa notícia, a gestante continua a receber acompanhamento médico.

Residente na rua Roma, no bairro Grande Vitória, Zona Leste, Giselle modificou sua rotina e se mantém atenta aos cuidados com a gravidez e a precaução ao vetor do vírus da Zika: o mosquito Aedes aegypti.

“A zika não vai adiar meu sonho. Faço o uso constante de repelente, minha família tomou a iniciativa de limpar o quintal e, diariamente, ficamos atentos à situação. Outro cuidado que tomei foi que deixei de frequentar o sítio da família, principalmente neste período chuvoso, quando aparecem bastante mosquitos”, comentou Giselle.

Alerta

Até mesmo as mulheres com gravidez mais avançada se mantêm em alerta. Com 8 meses de gestação, Monique Souza, 23, moradora do bairro São José, também na Zona Leste, não deixa de usar repelente e descreve os dias que antecedem o parto como “angustiantes”.

“Não vejo a hora do meu filho nascer com saúde, tomei todos os cuidados possíveis. Diante do momento que estamos passando, a sensação é a mais terrível, pois não existe vacina”, contou.

A jovem Vangela Bastos, 21, mora na rua Vitória Régia, no Grande Vitória, região com grande quantidade de casas próximas uma das outras, o que faz aumentar a preocupação em relação aos possíveis criadouros do Aedes aegypti.

“Não fiz os testes para saber do contágio, mas venho recebendo todos os cuidados com o pré-natal e as precauções com o uso de repelente. Até deixei de lado a roupa preta, que aumenta o risco de ser picado pelo Aedes”, salientou Vangela, que dará a luz à menina “Daniela”.

Zona de infestação

A Zona Leste apresenta a maior infestação pelo mosquito Aedes aegypti entre todas as zonas da cidade, com índice predial médio de 3,6, segundo o Levantamento Rápido de índice e Infestação para Aedes Aegypti (LirAa) da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), feito em 11 bairros.

Dentre eles, dois foram classificados com baixo risco e quatro em médio risco: São José, Coroado, Tancredo Neves, Armando Mendes e Zumbi são os cinco bairros que apresentaram alto risco para transmissão de doenças causadas pelo Aedes aegypti.

A segunda zona de maior infestação é a Zona Norte, que apresentou índice predial de 1,6 em dez bairros. Os bairros Cidade de Deus, Novo Aleixo, Cidade Nova, Colônia Santo Antônio, Novo Israel, Colônia Terra Nova, Monte das Oliveiras, Nova Cidade e Santa Etelvina apresentam médio risco. O bairro Lagoa Azul foi o único daquela zona que apresentou baixo risco de transmissão.

Prevenção

A  infectologista e diretora-presidente da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Graça Alecrim, reforça que, por enquanto, a grande arma contra o mosquito Aedes aegypti é a prevenção.

“É preciso um esforço de todos para a eliminação dos criadouros do mosquito. O Aedes aegypti leva cerca de sete dias para se desenvolver. Para combatê-lo, portanto, é preciso bloquear esse ciclo”, enfatizou Alecrim.

O secretário Municipal de Saúde (Semsa), Homero de Miranda Leão, declarou que o município e o Estado adotaram todas as medidas para que essas grávidas sejam acompanhadas no seu pré-natal com prioridade até o nascimento do bebê.

“O fato de as mães serem diagnosticadas com Zika não significa que o bebê esteja com microcefalia, isso somente será confirmado durante os exames na gravidez e depois do nascimento da criança”, declarou.

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