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Greve na Ufam: impasse sobre novo calendário acadêmico deixa estudantes confusos

Reitoria mantém calendário e alunos se dizem prejudicados. Aulas vão voltar na próxima terça (8) apenas para cursos e disciplinas cujos docentes não aderiram à greve 03/09/2015 às 09:06
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Estudantes que cobram a unificação do calendário acadêmico alegam que parte dos alunos estão sendo prejudicados acamparam na reitoria. A reitora Márcia Perales se disse ‘surpresa’ com a ocupação
Luana Carvalho Manaus (AM)

Estudante de artes visuais na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Paulo Holanda  não sabe se continuará no 5º ou se passará para o 6º período do curso  a partir da próxima semana. Assim como ele, centenas de estudantes estão se sentindo prejudicados com o calendário acadêmico mantido, embora mais da metade dos professores da instituição estejam em greve há mais de dois meses.

A reitoria da Ufam divulgou no último domingo que as aulas do segundo semestre iniciarão na próxima terça-feira apenas para os cursos e disciplinas cujos docentes não aderiram à greve. “Nos cursos em situação contrária, os alunos deverão esperar o final do movimento grevista, em data que ainda não foi definida, para iniciar a reposição das aulas que restam para concluir o primeiro semestre”, informou a reitoria.

Acontece que a maioria das unidades estão divididas entre docentes do movimento grevista e os  que não aderiram à greve, com exceção do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL), onde, segundo a Associação dos Docentes da Ufam (Adua), mais de 80% dos professores estão com atividades  paralisadas.

De acordo com a Adua,  dados fornecidos pelo pró-reitor de Ensino e Graduação (Proeg), Lucídio Rocha, apontam que 54% das notas dos cursos oferecidos  ainda não haviam sido lançadas no sistema até o dia 18 do mês passado. Entretanto, na última terça-feira, a reitoria da Ufam divulgou que 52% dos professores fecharam suas disciplinas, com o lançamento das notas, e 48% ainda não lançaram as notas.    

“Com essa divisão de professores grevistas, gera esse caos no calendário vigente. Quem fica prejudicado somos nós, que, quando a greve acabar, teremos que nos redobrar para dar conta das disciplinas do período 2005/2 (segundo semestre) e das disciplinas passadas. A solução seria a suspensão do calendário”, opina  o aluno de filosofia Aldair Marialva.

Carta aberta

Em uma carta aberta assinada por aproximadamente 100 membros de movimentos estudantis, divulgada ontem durante reunião do Conselho Universitário (Consuni), alunos cobram a autonomia da instituição e repudiam a liminar impetrada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), Centro Acadêmico de Direito (CAD) e Centro Acadêmico de Medicina (CAMed), e outros dois docentes da Ufam, ordenando que o Consuni não deliberasse a respeito do calendário acadêmico.

Ontem (2), aproximadamente 80 pessoas, entre docentes e alunos, foram ao plenário da Faculdade de Direito cobrar dos Conselheiros a inclusão do assunto na pauta da reunião do Consuni.  Embora não tenha colocado em pauta, a reitora Márcia Perales comentou sobre o calendário na abertura da reunião.  “Defendo o direito constitucional e legítimo da greve do mesmo modo  que reconheço como legal  a vontade de mais de 400 docentes que decidiram permanecer em atividade regular”.

‘É impossível unificar o calendário’

A reitora Márcia Perales afirmou  que é impossível atender à reivindicação de um calendário acadêmico unificado, uma vez que “há uma sentença judicial a ser cumprida”, alegando que a única a ser penalizada, caso descumprisse a ordem, seria ela. 

Em nota enviada pela Ufam, a reitora diz que “se mostrou surpresa” com os alunos que acamparam nas dependências da reitoria da universidade, na noite da última segunda-feira, onde permanecem até hoje. “Não fugiremos um milímetro do objetivo de discutir a proposta de calendário acadêmico com todos os segmentos da comunidade da Ufam. Reafirmamos, porém, que não deixaremos de cumprir a sentença judicial e que, salvo nova decisão judicial, as aulas serão retomadas no dia 8 de setembro para todos aqueles estudantes cujos professores lançaram as notas no sistema, ou seja, fecharam o período 2015/1”.

Ela afirmou, ainda, estar sendo vítima de uma “campanha caluniosa” por parte dos integrantes do movimento grevista. “Chegaram ao cúmulo de ir ao Ministério Público me denunciar exatamente por cumprir a sentença judicial e as recomendações do próprio MPF. Transformaram uma questão institucional em ataques pessoais constantes a mim”.

Troca de denúncias entre Adua e reitoria

Antes de ser denunciada ao Ministério Público,  a reitora Márcia Perales foi até a Procuradoria Regional Federal e apresentou documentos de docentes que, segundo ela, solicitaram  “providências urgentes  por estarem sendo  proibidos de adentrar seus locais de trabalho”.  A Adua nega ações de constrangimento pessoal, ameaças ou coações por parte do movimento. O assunto foi comentado pela própria reitora na manhã de ontem, na reunião do Consuni.

Blog: Tom Zé

Representante regional do Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior

"No dia 9 de junho , comunicamos à reitoria que deflagraríamos  a greve e que ela começaria dia 15.  No mesmo ofício, encaminhamos a solicitação extraordinária do Consuni para a suspensão do calendário acadêmico. A reitora nos  enrolou, não fez a convocação, e quando convocou, veio o mandado de segurança para que evitássemos discutir o calendário, ferindo a autonomia da instituição. Ela tomou uma posição para defender um grupo, enquanto a maioria dos professores não lecionou. Isso vai criar um tumulto da normalidade.  Essa medida complica e prejudica os alunos, e não é isso que queremos. Quando solicitamos que haja uma suspensão,  a gente repõe e continua as aulas normalmente quando retornamos da greve. Queremos voltar  a discutir e dizer que só podemos começar o segundo semestre quando terminarmos o primeiro”.

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