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Grifes de moda deverão incluir mais modelos afrodescendentes em desfiles no Rio de Janeiro

Medida recomenda aumento em 10% da participação de mulheres negras nas passarelas do Fashion Rio. O compromisso foi acertado com a Defensoria Pública 05/11/2013 às 19:10
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A empresa organizadora do Fashion Rio se comprometeu a pedir das grifes o número de modelos negras que trabalharam no evento
Akemi Nitahara (Agência Brasil) Rio de Janeiro (RJ)

As grifes que participam do Fashion Rio, evento de moda que inicia nesta quarta-feira (6) na cidade do Rio de Janeiro, serão recomendadas a incluir no mínimo 10% de modelos negras em seus desfiles. O compromisso foi firmado entre a Defensoria Pública do Rio de Janeiro (DPE-RJ) e a empresa Luminosidade Marketing & Produções, responsável pela organização do evento.

De acordo com a defensora pública Larissa Davidovich, organizações ligadas à luta pela igualdade racial denunciaram a discriminação ocorrida no evento de moda. “O que a gente ouviu por parte dessas entidades associativas foi que as modelos afrodescendentes estavam sendo excluídas. Haveria uma diminuição muito grande na participação dessas modelos negras nesses eventos, principalmente organizados pela empresa Luminosidade”, disse.

Larissa lembra que, até o ano passado, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado em São Paulo, estabelecia a participação de pelo menos 10% de modelos negras no São Paulo Fashion Week, organizado pela mesma empresa do Fashion Rio.

Após mais de duas horas de reunião, na DPE-RJ, ficou acertado que a organizadora do evento recomendará às grifes participantes que mantenham a cota de, no mínimo, 10% de modelos negras nos desfiles. Larissa informou que foi firmado um termo de compromisso, devido à falta de tempo hábil para a assinatura de um TAC antes do evento.

A defensora pública disse ainda que um TAC será firmado este ano, após a negociação dos termos. Ela ressaltou, no entanto, que é preciso avançar mais na participação de modelos negras nos eventos de moda. “Isso não basta, esse TAC ainda é muito pouco, é tímido, é uma participação quase insignificante, consideramos esse percentual de 10% ainda muito baixo, diante da representatividade da população negra na sociedade, principalmente no Brasil”, declarou.

Além do compromisso e do TAC, a empresa Luminosidade se comprometeu a pedir que as grifes informem o número de modelos que trabalharam no evento, com os nomes e a declaração de raça e cor de cada uma. Apesar de não haver penalidade para o descumprimento do compromisso, a defensoria vai fiscalizar os desfiles para verificar a participação das modelos negras no evento que vai até domingo (10).

O diretor do grupo Palco dos Mil Sonhos, Leônidas Lopes, informou que a regra também era adotada no Rio de Janeiro, mas nenhuma modelo negra ligada à entidade, que tem em seu catálogo mais de 400 modelos negras – sendo pelo menos 40 com registro profissional, havia sido chamada para a seleção deste ano.

A modelo Bianca Lima, de 27 anos, vencedora do concurso estadual de Beleza Negra, disse ser comum dispensarem as modelos negras, com a justificativa de que “não se enquadram no perfil”. “Eu não tenho perfil para o Fashion Week porque tem que ter, no mínimo, 1 metro e 74 centímetros de altura. Elas são selecionadas com uma semana de antecedência. As grifes chamam as agências e as agências selecionam algumas modelos. Essas modelos vão fazer a prova de roupa, teste de maquiagem, e aí sim aguardam para serem chamadas. Na maioria das seleções as negras são preteridas. Grande parte das grifes não chama as negras. Mas eu acredito que com o TAC possa mudar isso”, ressaltou.

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