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Cotidiano
PESCADORES

Grupo de amigos leva atendimento médico e odontológico para comunidades ribeirinhas

O projeto ‘Doutores das Águas’ se reúne uma vez por ano e percorre comunidades ribeirinhas dos Estados do  Amazonas e Roraima 25/03/2017 às 10:02
Show colocar grupo
Há três anos o grupo investiu na compra de um barco, o custo passou dos R$ 900 mil (Foto: Divulgação)
Álik Menezes Manaus (AM)

Um grupo de voluntários do projeto ‘Doutores das Águas’ se reúne uma vez por ano e percorre comunidades ribeirinhas dos Estados do Amazonas e Roraima levando atendimento médico, odontológico e psicossocial há sete anos.

O paulista Mauro Almeida Prado, 63, é proprietário de uma agência de pesca esportiva em Manaus e têm como clientes médicos do Estado de São Paulo. Prado explicou que a expedição acontece todos os anos em comunidades carentes de atendimento médico. Logo nas primeiras temporadas, os clientes e amigos se sentiram incomodados com a situação dos ribeirinhos e pressionaram Mauro a tomar uma iniciativa.

 “Francisco Leão (cliente e amigo) é médico e percebeu que essas famílias precisavam de atenção, necessitavam de cuidados médicos e odontológicos. Foi assim que o projeto surgiu”, contou Mauro, que mora no Amazonas há 35 anos e se considera mais amazonense do que paulista.

Desde então o projeto, intitulado Doutores das Águas, ganhou força e a cada temporada mais pessoas se sensibilizam com a causa e querem participar das ações, que ocorrem desde 2011. “É uma união de pessoas que querem ajudar, querem fazer o bem para aquelas pessoas que estão esquecidas nas comunidades do interior”, disse.

Nos quatro primeiros anos, os voluntários alugavam um barco para levar toda equipe e o material que eram utilizados nas missões. O projeto foi crescendo a cada ano, até que eles perceberam que precisariam investir mais. Há três anos o grupo investiu na compra de um barco, o custo passou dos R$ 900 mil.

“Tivemos ajuda de empresas e muitos voluntários, foi um investimento alto, mas todos fizeram o possível para ajudar a comprar porque sabem que o motivo de tudo isso é ajudar pessoas”, disse o empresário.

Os mantenedores do projeto e os voluntários são quase 100% de outros estados. Segundo Mauro, o custo da missão é de aproximadamente R$ 200 mil. “Não temos nenhum tipo de apoio dos governos. Recebemos ajuda de empresários e de pessoas que tem como objetivo ajudar pessoas, sem qualquer tipo de segundas intenções”, contou.

Eugênia Vilhena Moraes, voluntária e esposa de Mauro, contou que as ações ocorrem em duas semanas e atendem mais de 1.300 famílias. “São dois grupo e cada um passa uma semana prestando atendimento”, contou.

Atualmente são 80 pessoas que participam do projeto, mas há um grupo aguardando na fila de espera. De acordo com Eugênia, antes de entrarem para o grupo, essas pessoas passam por uma análise e entrevistas na sede da organização, que fica localizada em São Paulo.

Segundo Eugenia, cada pessoa fica responsável pelos seus gastos com a viagem. “O projeto não banca a passagem de ninguém. A vontade de ajudar é tão grande que cada um faz questão de custear sua vinda para Manaus e a volta para seu estado”.

Ação social começa no próximo dia 30

No próximo dia 30, o primeiro grupo de voluntários embarca rumo às comunidades ribeirinhas. Já o segundo sai no dia 8 de abril.  No total eles são aproximadamente 118 profissionais.

Entre as comunidades que serão atendidas pelos amigos estão: Remanso, Cachoeira, Canauini, Terra Preta, Lago Grande, Tanauau, Ariquemes, Arara, Bom Jardim, Malocão e Itaquera.

A empresária Kátia Sano, 35, é paulista, mas mora no Amazonas desde os 8 anos. Ela entrou para o grupo este ano e está ansiosa para a primeira ação que irá participar. “Estou contando os dias de ir a campo para viver tudo isso”, disse

Kátia disse que já estava negociando com amigos para criar um grupo nos moldes do projeto Doutores das Águas, mas os planos acabaram sendo adiados para o próximo ano. Contudo, ela recebeu o convite de Mauro e não pensou duas vezes. “Nós íamos meio que copiar o projeto deles, pois sabemos da realidade dessas pessoas e da importância que tem na vida”, disse.

Ansiosa para iniciar expedição

Kátia criticou a falta de envolvimento de amazonenses em causas como essa, onde os únicos beneficiários são pessoas do próprio estado. “Parece que as pessoas estão acostumadas, acomodadas e aí você vê pessoas de fora se comovendo e tendo iniciativa que muito de nós não tem. Eu amo essa terra, me considero amazonense de coração e busco ajudar essas pessoas”. Para contribuir com as ações do projeto Doutores das Águas você pode acessar e pedir mais informações por meio do site da organização: /www.doutoresdasaguas.org.br

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