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Grupo Fera completa 16 anos de atuação no Estado do Amazonas

Em 1997, um grupo de policiais civis, coordenado pelo delegado Oscar Cardoso, falecido em 2014, deu início a um trabalho em equipe, até então sem nome 25/09/2015 às 16:55
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Na época da criação do trabalho em equipe, eles ficaram conhecidos como “Homens de Preto”
acritica.com Manaus (AM)

No próximo domingo (27) o Grupo Força Especial de Resgate e Assalto (Fera) da Polícia Civil do Amazonas irá comemorar 16 anos de criação e acumula na trajetória histórias que marcam a fundação, amadurecimento, reconhecimento e consolidação de um trabalho que envolve, principalmente, elevado risco de morte.

O investigador Hilton Ferreira, que integra o quadro efetivo da instituição há 27 anos e fez parte da formação inicial do Grupo Fera, lembra com detalhes os passos percorridos até aqui.

De acordo com ele, em 1997, um grupo de policiais civis, coordenado pelo delegado Oscar Cardoso, falecido em 2014, deu início a um trabalho em equipe, até então sem nome. Na época, eles ficaram conhecidos como “Homens de Preto”.

“Fazíamos parte do que se chamava de Coordenadoria de Operações Especiais e éramos 16 policiais. No início, o Grupo Fera surgiu para atuar em ocorrências que envolvessem servidores da Polícia Civil”, recorda Hilton.

Conforme o investigador, após dois anos dessa primeira formação, a equipe decidiu escolher um nome para o grupo, que estava ficando cada vez mais forte. Entre as opções, à época, venceu Força Especial de Repressão a Assalto (Fera), antiga denominação.

Hilton reforça que o Grupo Fera foi criado oficialmente em 27 de setembro de 1999, por meio da Portaria de nº 602/99, assinada pelo então delegado geral de Polícia Civil do Amazonas, Vinícius Diniz. “Foi o início da caminhada para transformar o grupo em parte do organograma da instituição no Estado”, destacou.

Nesse primeiro momento, segundo Hilton, havia muita paixão dos integrantes em fazer parte do grupo. “Estávamos ali porque gostávamos. Não tínhamos recursos financeiros e muitos materiais de trabalho comprávamos com nosso próprio dinheiro. Lembro também que recebemos ajuda para adesivar os carros e até mesmo conseguir treinamento para a equipe”, disse.

Após deixar o grupo para assumir a presidência do Sindicato dos Funcionários da Polícia Civil do Estado do Amazonas (Sinpol-AM), Hilton proporcionou uma mudança significativa para a consolidação do trabalho desenvolvido pelos colegas no Fera. Ele apresentou um projeto para ser votado na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM), no qual a equipe passaria a integrar o organograma da Polícia Civil, de fato e de direito.

“O projeto foi sancionado pelo governador da época e aprovado pelos deputados estaduais na ALE-AM. Desde então o Fera não pode mais ser extinto sem antes passar por votação pela mesma Casa Legislativa que o aprovou. Essa foi uma grande conquista, da qual tenho muito orgulho”, revelou Hilton, visivelmente emocionado.

Para finalizar, Hilton diz que atualmente o grupo está em um excelente momento. “Pablo Ramón, atual coordenador do Grupo Fera, é muito competente. Ele foi um dos primeiros policiais do Amazonas a fazer o curso Caçador, promovido pelo Exército Brasileiro. É um ótimo atirador e está preparado para comandar a equipe. Eu vejo o Fera, atualmente, como um grupo que guarda a honra da Polícia Civil, pois todos os integrantes são comprometidos com a instituição”, destacou.

Novo momento

À frente do Fera desde fevereiro deste ano, o investigador Pablo Ramón integra o grupo há treze anos, após ingressar na instituição por meio de concurso público, prestado em 2001. Ele declara que todo esse tempo o preparou para detectar as prioridades e sanar os problemas que surgem no dia a dia.

“Fiz o concurso em 2001 e em fevereiro de 2002 assumi a função no Grupo Fera. Lembro que já na academia éramos treinados para atuar em lotações específicas. Na época, o investigador Alberto do Valle, atual presidente da Comissão de Capacitação, Treinamento e Desenvolvimento da Polícia Civil no Estado, analisava o perfil dos concursados para avaliar se eles se enquadravam às exigências do grupo”, relatou.

Pablo conta que apesar de atualmente o Grupo Fera ser composto apenas por investigadores, já teve escrivães e delegados no quadro de servidores. “Já tivemos, inclusive, ao longo desses dezesseis anos, vinte mulheres compondo nossa equipe, mas com o passar do tempo, a partir de outras prioridades, as colegas foram nos deixando. Contudo, quando disponibilizamos vagas, não há distinção de sexo”, explicou.

Muitas são as histórias que constroem a trajetória dos policiais considerados de elite da Polícia Civil. Logo no início, o Fera era dividido em núcleos que atendiam assuntos específicos como roubos e tráfico de drogas, por exemplo. “Havia também uma equipe de investigação no expediente, o que não acontece mais atualmente”, declarou Pablo.

Subcoordenador do Grupo Fera, o investigador de Polícia Edilei Rodrigues, o “Popó”, como é conhecido entre os colegas de trabalho, afirmou que dentre as exigências necessárias para compor a equipe do grupo de elite, é necessário, antes de tudo, ser voluntário. “Essa disposição em participar da equipe deve ser revestida de dedicação e tempo”, argumentou.

Rotina

Com treinamento diário envolvendo a prática de lutas como boxe e jiu-jítsu, além de capacitação em técnicas de abordagem e revista; combate em ambientes confinados, conhecido internacionalmente pela sigla em inglês CQB, de Close Quarter Battle, os investigadores mantêm um ritmo constante de preparo para atuar, quando solicitados.

De acordo com Pablo, além das atividades diárias, os profissionais lotados no grupo também possuem certificação no Curso de Operações Táticas Especiais (Cote), realizados, inclusive, nos estados do Rio de Janeiro, Paraná, Pernambuco e Maranhão.

Treinamento

No dia 19 de outubro deste ano iniciam os treinamentos para a primeira turma do Cote, que serão ministrados pelo Fera. O curso será oferecido a 30 policiais civis e mais dez vagas destinadas a policiais de outros estados e parceiros.

Pablo relatou, ainda, que policiais do grupo participam como instrutores do mais conhecido curso de operações táticas especiais do País, oferecido pela Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) do Rio de Janeiro.

“O Fera é conhecido nacionalmente e até nos Estados Unidos (EUA). Temos integrantes que são formados pela unidade de polícia dos EUA, Special Weapons And Tactics (Swat). Lá, eles admiram nossa garra em procurar especialização, muitas vezes com nossos próprios recursos. Temos uma abertura muito boa com os policiais americanos”, argumentou Pablo. 

Caso de repercussão

Em dezembro de 2003, ocorreu um roubo a uma agência bancária do município de Maués, distante 276 quilômetros em linha reta de Manaus.

Na ocasião, um policial civil foi baleado com tiros de fuzil e morreu durante a ação. Os autores do crime fugiram e passaram 45 dias escondidos na mata.

Na época, uma equipe do Grupo Fera foi enviada ao lugar para capturar os responsáveis pelo delito.

Pablo lembra que ainda sem muitos recursos, inclusive com armamento de menor potencial se comparado aos utilizados pelos infratores, os policiais civis conseguiram embarcar em aeronaves do Exército Brasileiro e ficaram na mata junto a policiais militares em busca dos fugitivos.

 “A partir desse momento iniciamos uma nova visão sobre o que realmente precisávamos, de fato, para sermos o grupo de elite da Polícia Civil do Amazonas. Começamos a renovar nossa estrutura, com armamento e treinamento pessoal voltado para a realidade no Estado. Acredito que essa missão foi o início do nosso crescimento enquanto equipe”, concluiu o atual coordenador do Grupo Fera.

*Com informações da assessoria de imprensa

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