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Cotidiano
Problemas da Saúde

Terceirizados da saúde não sabem mais a quem recorrer para receber salários

Técnicas de enfermagem falaram das dificuldades que estão passando após atrasos salariais e até mesmo de 13º salário e indenizações 23/08/2016 às 10:08
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Técnicas de enfermagem fizeram uma manifestação na manhã de ontem, na entrada do Hospital Adriano Jorge, cobrando o pagamento de atrasados / Foto: Evandro Seixas
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Técnicos de enfermagem e outros trabalhadores do sistema de saúde realizaram na manhã de ontem um novo protesto em frente ao portão de entrada da Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ), buscando chamar a atenção para os constantes atrasos de salário e outros benefícios que já se arrastam há meses. A mobilização teve a participação de membros do Sindicato dos Trabalhadores em Santas Casas, Entidades Filantrópicas, Beneficentes e Religiosas e de Serviços de Saúde do Amazonas.

No protesto, pacífico e com a utilização de um carro-som, estavam trabalhadores da empresa CPA, que integra o grupo Maxplan, segundo informações do sindicato.

Os trabalhadores reclamam que os atrasos chegaram a ser de até 5 meses, prejudicando vários pais e mães de família. Hoje, a média é de 3 meses sem pagamentos, somando-se, além disso, ao atraso de benefícios como vale-transporte, 13º salário do exercício de 2015, férias, licença-maternidade, auxílio- creche e indenização trabalhista mediante homologação e assédio moral.

Natural de Itacoatiara (a 110 quilômetros de Manaus), a técnica de enfermagem Janete Pereira, 33, atua na área há 7 anos e foi demitida pela empresa CPA. E até agora, passados mais de 1 mês do desligamento, ainda não recebeu sua indenização. “Saí da minha cidade para trabalhar aqui para a empresa Tapajós, que mudou de nome para CPA. Minha situação é muito triste. Há muito tempo convivo com essa história. Fui demitida por reivindicar o porquê da minha situação. Chegou o momento em que todos nós passamos dificuldades. Sou separada há dois anos, e pai e mãe dos meus dois filhos, de 11 e 14 anos, e chego em casa sem ter o que oferecer de comer para eles é a pior coisa que tem. Abro minha geladeira e não tenho comida, o aluguel está atrasado, e não tenho família, nem minha mãe aqui comigo. É uma humilhação após termos estudado tanto”, conta ela, aos prantos.

“O Governo do Estado repassa a verba para a empresa, que faz o pagamento. Só que no momento um joga para o outro. Uns dizem que o dinheiro está preso na Susam (Secretaria de Estado da Saúde); da Susam vai para a Sefaz, e de lá para a empresa. Na realidade, não sabemos com quem realmente está este dinheiro”, disse Graciete Mouzinho, diretora do sindicato.

O coordenador-geral da entidade que representa os trabalhadores, Aílson Zane, contou que o sindicato têm informações onde “algumas empresas não têm a documentação exigida por lei para que esse recurso econômico caia na conta para pagar os trabalhadores”.

Zane disse que, após a manifestação de ontem, a categoria vai reunir com a diretoria para acionar juridicamente a CPA e outras empresas desta vez em caráter coletivo. “Já temos várias ações individuais em trâmite na Justiça do Trabalho. Mas vamos tentar transformá-las em ações coletivas para tentar coibir esses tipos de ações por parte das empresas, que são as grandes culpadas por tudo isso”, afirma o sindicalista.  

Outro lado

Em nota oficial, a assessoria de Comunicação da Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ) informa que a manifestação de terceirizados não afetou o atendimento na unidade destacando, ainda, que a mesma unidade executa os trâmites legais para execução de pagamentos de todos os seus contratos.

Os pagamentos, destaca a instituição na nota oficial, “são liberados mediante apresentação de certidões de regularidade fiscal em todas as esferas, em conjunto com a liberação de recursos financeiros”.

A assessoria reforça, também, que a FHAJ “vem empenhando todos os esforços para liberação dos recursos financeiros junto à Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz)”.

Blog

Graciete Mouzinho, diret. Sindicato dos Trabalhadores em Santas Casas, Entidades Filantrópicas, Beneficentes e Religiosas e de Serviços de Saúde do Amazonas

“Esta não é a primeira vez que estamos mobilizando: desde dezembro do ano passado nós estamos fazendo essas manifestações e não paramos mais porquê a empresa CPA continua fazendo a mesma coisa, deixando de pagar o trabalhador, todo tempo em atraso, e passando de 4 meses sem pagar. Não dá vale-transporte, exigem e humilham o trabalhador. Sem vale-transporte e pagamento, os funcionários acabam sendo demitidos por não terem condições de trabalhar. Há mães de família passando dificuldade, com avisos de despejo. Uma moça (     ) estava agora há pouco chorando porquê não tem o que dar para os dois filhos, que saiu hoje de casa sem deixar nada para essas crianças comerem. E há profissionais da área de limpeza que estão há seis, sete meses sem receber. É lamentável, é triste, o que o pessoal, o profissional da área de saúde, está passando”.

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