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Haja paciência: Desafio e bom senso

Morar em condomínio traz muitas vantagens, como segurança, conforto e modernidade, mas também uma série de conflitos 23/11/2013 às 19:57
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Manaus está se verticalizando e a opção por moradia em condomínos virou a mania do momento, mas ela traz direitos, deveres e, principalmente, conflitos
Florêncio Mesquita Manaus (AM)

O sonho de muitas pessoas é ter um lar e algumas estão optando por condomínios, uma vez que desejam segurança, conforto e lazer num mesmo espaço. Contudo, quando conseguem realizar o sonho da moradia elas podem se deparar com desafios como, por exemplo, conviver em coletividade dentro de um espaço exclusivo em condomínios. Talvez o principal obstáculo a ser superado, diariamente, seja ter jogo de cintura, educação e paciência para seguir regras específicas e aturar excessos da vizinhança.

Manaus vive um crescimento vertical acelerado e a cada dia surgem novos prédios. Conforme o Presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-Am), Eduardo Lopes, a infraestrutura local não suporta mais o crescimento horizontal e a população percebeu a necessidade de verticalizar.

Porém, quem vive em apartamentos está sujeito a ruídos, a vizinhos  ligando aparelhos de som e TV no volume máximo,  conversas em voz alta, crianças gritando e chorando, entre outros motivos suficientes para abalar o sossego de quem quer silêncio e paz. Tais situações podem levar a conflitos entre vizinhos, quando não mediadas, e punições severas como multa, dependendo das regras que variam em cada condomínio.   

Em Manaus, um especialista em questões de condomínio é o advogado Abelardo Pinto,  há dez anos trabalhando  na área. Ele coleciona inúmeras histórias e experiência de convivência em condomínios. Segundo ele, os condomínios reúnem as características que uma família deseja para morar, mas acarretam direitos e deveres que precisam ser levados a sério. Um dos pontos iniciais é ter claros os espaços de uso comum, tais como, quadras, playground, salões de festas, garagem, entre outros, e o exclusivo (apartamento). Eles também são chamados de frações ideais.

Segundo o especialista, na aquisição do apartamento o morador paga pelo direito aos espaços de uso comum, mas não tem a posse exclusiva sobre ele. “É uma área que pertence a todos. Todos os condôminos podem usá-la desde que não fira o direito de outros. Não há como um condômino pedir para outro impedir que um bebê chore. A paciência precisa reinar. Você tem que se sentir como se estivesse no lugar do vizinho. Tem que usar do bom senso. Se uma pessoa quer entrar com um móvel, por exemplo, fora do horário permitido no regulamento tudo bem, mas se o condômino precisa entrar com fogão para fazer o leite da criança que está chorando fora do horário permitido tem que usar do bom sendo”, pondera o advogado.

Surge uma nova profissão

A convivência num condomínio não depende apenas do bom senso de cada condômino, mas de um síndico com pulso firme, conhecimento de leis, e comportamento de diplomata. Em meio à busca por pessoas que reúnam tantas qualidades, uma profissão que está crescendo no Brasil é a de sindico profissional. São pessoas com formação específica na área contratadas, por condôminos, e que podem atuar até em três condomínios ao mesmo tempo, uma vez que, não precisam estar presencialmente no local, pois delegam tarefas.


Eles exercem papel semelhante ao administrador de empresa e são responsáveis por todas as demandas do local. Geralmente não moram nos prédios, mas ficam 24 horas por dia à disposição dos contratantes.

Em alguns Estados, chegam a ganhar de R$ 2,5 mil a R$ 7,5 mil. A procura e a profissionalização de síndicos é cada vez maior. O aposentado Valdemar Alves, 72, por exemplo, é sindico há seis anos, mas passou pela formação. Em sua terceira experiência como síndico se deparou com o condomínio residencial Parque dos Franceses, onde 70% dos condôminos eram inadimplentes, o que gerava uma série de conflitos. Com base nos conhecimentos obtidos na formação, reduziu o índice para 10%, e fez com que o regimento fosse obedecido melhorando em 100% a convivência no local.

“É preciso ter muito tato e estar preparado para ser acionado a qualquer hora. Em muitos casos as pessoas falam que apartamento é deles e que podem fazer o que quiserem dentro deles. Há o direito da propriedade, mas elas  confundem com abusos. Quem está errado vê o síndico como inimigo, mas é o contrário. É ele quem mais zela pelo condomínio, cuidado que se reflete no condômino”, resume.



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