Domingo, 22 de Setembro de 2019
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Henrique Oliveira fala em entrevista tudo sobre eleição e apoio à Aécio Neves

Deputado federal afirma que sua candidatura ao governo do Estado é para valer e acredita ser o nome capaz de atender o desejo de mudança da população



1.jpg O deputado federal concedeu uma entrevista especial ao repórter Antônio Paulo do Jornal A Crítica
06/10/2013 às 11:18

O senador Aécio Neves (MG) já pode contar com um palanque no Amazonas, caso venha mesmo a ser candidato a presidente da República pelo PSDB. E não é o prefeito de Manaus, o tucano Artur Virgílio Neto, quem está fazendo a promessa, mas o futuro presidente estadual do Solidariedade, o deputado federal Henrique Oliveira (SDD-AM). Em entrevista a A CRÍTICA, enquando cuidava do novo endereço partidário, Henrique reafirma a candidatura ao Governo do Amazonas e diz que vai buscar o apoio do prefeito de Manaus e de seu grupo político, visto que o senador Eduardo Braga (PMDB-AM), o vice-governador José Melo (Pros) e o governador Omar Aziz (PSD) estão comprometidos com a presidente Dilma Rousseff.

Ele também explica a viabilidade da candidatura dele e expõe os motivos pelos quais quer ser governador do Estado. Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

 Não é consenso entre os integrantes do Solidariedade o apoio à candidatura do senador Aécio Neves. Mesmo assim, o partido no Amazonas fecha com o tucano?

A executiva nacional do Solidariedade já deixou claro que as direções estaduais têm autonomia para fazer alianças nas eleições do ano que vem. E o partido no Amazonas vai dar palanque ao senador Aécio Neves. A matemática política não erra: os palanques a serem formados são dois da Dilma, com Eduardo, em uma candidatura; Melo e Omar em outra; o PSB, de Serafim Correa, vai abrir espaço para o governador Eduardo Campos e a nossa candidatura dará apoio ao candidato do PSDB.

 Essa aliança já está acertada com o prefeito Artur Neto e os demais dirigentes?

Não. Nada está acertado, nem conversa eu tive com o Artur. Sei que a deputada Rebecca Garcia (PP-AM) tem intenção de concorrer ao Governo, assim como o vice-prefeito Hissa Abrahão (PSS). São candidaturas legítimas, assim como a minha é também. O maior cabo eleitoral, nesse campo, é Artur Neto, que tem feito boa administração, tem ido às ruas, com uma gestão bem avaliada. Portanto, acredito muito nessa aliança e que pode surpreender nas urnas.

 Há possibilidade de o senhor recuar e sair candidato a deputado federal, com uma reeleição praticamente garantida?

Passado o período de mudança de partido, habilitação para concorrer a um mandato no ano que vem, todo mundo vai mergulhar, desaparecer do cenário para analisar e formatar as alianças. Logo depois, virá a desincompatibilização, em abril, e as convenções em junho. Mas a minha candidatura é pra valer. Vamos viajar o Estado inteiro, montar diretórios municipais e arregimentar o maior número de adeptos possível. É preciso ir às ruas e combinar também com o povo.

 Então sua candidatura é definitiva?

Tenho independência para tomar essa decisão e serei candidato a governador. Não é megalomania, mas uma atitude que tomo não para recuar do espaço conquistado. Pouca gente tem coragem de perder um mandato garantido e sair em uma candidatura majoritária. E eu tenho essa coragem de enfrentar a política e os políticos profissionais. Ainda não puseram meu nome nas pesquisas, mas as internas indicam que estou entre o segundo e terceiro colocado. Então, não tenho o que temer.

 E se lhe convidarem para ser vice, o senhor aceita?

Não existe candidato a vice. Na última eleição, quando conquistei quase 170 mil votos ou 17% do eleitorado, Manaus me apelidou de “Cabeção”. E quem é cabeça não pode ser rabo.

 Como o partido vai se preparar as eleições de 2014? Além do seu, há nomes de peso, com mandato?

O tempo curto que o Solidariedade teve para filiar novos membros prejudicou um pouco nossa intenção de arregimentar novos quadros com mandato, o que daria maior musculatura à sigla. Mas havia bastante interesse até a data final prevista pela lei (ontem, 5 de outubro). No entanto, vamos observar com muito critério a ficha de cada um que quiser ingressar no Solidariedade.

 Por que o senhor quer ser governador do Amazonas?

Renovação na política. Essa é o primeiro pensamento. Desde que comecei a carreira política, em 2008, quando fui o vereador mais votado de Manaus (35 mil votos), tacharam-me de assistencialista por conta do programa de TV. Assistencialismo social, ajudar as pessoas é um gesto nobre e o partido que entro agora tem o nome de Solidariedade, que significa assistir o próximo.

 Que renovação é essa que o senhor prega?

Cientistas e analistas políticos afirmam que se completou um ciclo no Brasil e no Amazonas. As ruas, as manifestações, exigem essa renovação. Nos últimos 30 anos, o Estado só conheceu quatro governantes: Gilberto Mestrinho, Amazonino Mendes, Eduardo Braga e Omar Aziz. O que erraram e acertaram... não quero olhar para o retrovisor. Mas existem demandas públicas que, se formos comparar com os demais Estados do Sul e Sudeste, estamos na pré-história. Acho que é preciso uma mudança nessa política, um novo tipo de gestão.

 Quais demandas o senhor vê que merecem mais atenção do poder público?

Saneamento básico, por exemplo. Foram gastos R$ 2 bilhões para construir a Ponte Rio Negro, que é muito bonita e importante, mas esse dinheirão dava para resolver o problema do lixo. Por meio de uma parceria público-provada (PPP), seria possível transformar o lixo em energia.  No majestoso estádio de futebol demolido, está sendo gasto R$ 1 bilhão para os quatro jogos da Copa do Mundo. Eu, sinceramente, não faria isso. Utilizaria esses recursos em ações em segurança pública, no aparelhamento policial e social; geração de emprego, renda e qualificação. O Governo Federal investiu zero nesse setor.

 O senhor tem tido contato com o eleitorado do interior?

Infelizmente, não tenho tido maiores contatos com a população do interior do Amazonas. O meu nome passou a ter algum conhecimento depois das eleições de 2012, quando fui candidato a prefeito de Manaus. Em muitos municípios não havia propaganda local e a campanha da capital passava no interior. Agora, como deputado federal, não tive oportunidades de ajudar mais porque o Governo da presidente Dilma não viabilizou recursos, emendas ou propostas minhas para chegar à população. Também sou independente e não tenho apoios do Governo do Estado, por isso, meu contato com o interior é mínimo. Mas, ainda este ano e na campanha pretendo visitar os 61 municípios do nosso Estado.

 Que propostas teêm para o interior do Estado?

O interior precisa ter uma política de independência, com projetos econômicos que levem em conta as sua potencialidades, como o turismo, a pesca.  A Zona Franca de Manaus, por exemplo, precisa ser interiorizada, verdadeiramente. Já criaram o Terceiro Ciclo, o Zona Franca Verde e o que esses programas trouxeram de mudanças reais à população do interior do Amazonas, à vida do caboclo? Nenhuma.

 A gestão no interior também precisa de mudanças?

Sim. É preciso melhorar o nível, a transparência e a lisura com o gasto público. Ainda temos situação em que o chefe do Poder Executivo municipal usa o cheque da prefeitura para fazer as compras de casa, abastecer o carro particular e retirar dinheiro na boca do caixa para fins pessoais. É preciso pôr fim nisso, começar do zero, ter um marco inicial. Essa atitude é de compromisso com a população que precisa acreditar ser possível a mudança.

 O senhor representaria essa mudança nesse tipo de política que ora critica? 

Sim, represento. Eu estou me propondo a trilhar esse novo caminho. Eu quero ser essa nova opção na política do Amazonas que não muda há três décadas. E o povo vai decidir nas urnas se quer mudar ou continuar com as mesmas práticas.



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