Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019
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Hissa Abrahão fala sobre primeiro ano de gestão e admite recuar da disputa ao Governo

Vice-prefeito de Manaus, Hissa Abrahão, do PPS, fala que cometeu erros nesses primeiros 11 meses de gestão e afirma que é o povo e não a classe política quem decidirá sobre o destino político dele



1.jpg Hissa Abrahão
01/12/2013 às 11:10

Primeiro político do Amazonas a se lançar como pré-candidato ao Governo, o vice-prefeito e titular da Seminf, Hissa Abrahão (PPS), mudou o tom e já admite recuar na disputa sob a condição de que o prefeito Artur Neto (PSDB) seja o candidato do grupo. “O único que não me sentiria à vontade, em concorrer é com Artur. Seja em 2014 ou 2016”, declarou em entrevista concedida A CRÍTICA.

Onze meses após estrear como gestor, Hissa fala sobre a difícil transição do parlamento para o Executivo e se diz “mais calmo e menos afobado”. Com cuidado excessivo em destacar sua submissão à liderança de Artur Neto, o vice-prefeito admite problemas de relacionamento com o tucano, mas considera que a situação atual é de “lua de mel”. Confira abaixo trechos da entrevista.



Qual o balanço em números do seu primeiro ano na Seminf?

 Em janeiro, pegamos o inverno. Até maio sofremos vendo pessoas com casa debaixo d’água. Quando chegou o verão, em julho, investimos em rede de drenagem, tapa-buraco e em agosto iniciamos as obras da Copa. Fizemos a manutenção da iluminação em 39 mil pontos da cidade. Entramos em 6.440 ruas, mas ainda tem mais 8 mil para gente fazer.

No início do ano houve uma discussão sobre o perfil do secretariado. A sua experiência era do parlamento. Como se sente hoje?

Me sinto primeiro mais calmo e maduro e menos afobado. Quando eu estava fora da administração passavam para mim a impressão de que para consertar Manaus precisavam uns 20 anos. Chego à conclusão de que não dá para ajeitar tudo em quatro, mas que, em pelo menos seis anos, dá pra gente deixar essa cidade melhor. Cometi alguns erros sim dentro da gestão, mas a minha vontade de fazer superou as deficiências.

Quais erros?

Foi muito difícil conciliar política com o executivo. Há muita pressão. Hoje, eu estou apaixonado pelo meu trabalho e com mais vontade de continuar esse trabalho do que de fazer política.

O senhor assumiu a pasta disposto a fazer política?

Essa transição parlamentar para executivo sofreu um tempo de maturação. Eu sou político. Mas tem uma hora que você tem que esquecer esse negócio de política e só trabalhar. É como eu estou hoje.

Em entrevista recente a A CRÍTICA, o presidente do PT-AM, João Pedro, disse que a gestão Artur não atacou os gargalos da cidade e só parece boa porque não podia ser pior que a do ex-prefeito Amazonino Mendes. O que senhor acha?

É lamentável essa declaração. Primeiro que eu vou respeitar a idade e a história do Amazonino. É um senhor e o povo dá a ele o índice de popularidade que ele merece. Em relação aos investimentos, o orçamento da Seminf em 2010 foi de s R$ 620 milhões, em 2011 de R$ 491 milhões, em 2012 de R$ 353 milhões. O nosso é de R$ 401, portanto menor que 2010 e 2011, mas otimizamos os recursos. A gente responde com trabalho. Não dá para diminuir o trabalho do prefeito Artur. Ele está aí trabalhando como um condenado e também é um senhor com 68 anos com muita vontade.

No início da sua gestão, o prefeito tirou da pasta indicações suas e o contrário também ocorreu. Depois, ele reduz os seus poderes nas licitações. Como o senhor interpretou esse ato?

Eu absorvi com muita naturalidade. Não avalio só o perfil técnico na hora de montar um time, mas também o psicológico. E hoje se você perguntar para o prefeito Artur, o doutor Humberto Michilles (Casa Civil), Ulisses Tapajós (Semef), Márcio Noronha (Semcom), as pessoas que são mais da cúpula do Artur, eles vão reconhecer que nós montamos um grande time na Seminf. Em relação à licitação, ele tirou (o poder) de outras secretarias também, para economizar.

Com qual frequência o senhor conversa com o prefeito?

No primeiro semestre, ele chegou a despachar várias vezes na secretaria. Aí a gente passou um mês... foi aquele mês ... com problemas, né? (risos) E depois a gente voltou a se falar. Tínhamos opiniões divergentes sobre a cidade. Hoje, a gente se fala toda semana. A última conversa, há dez dias, durou 10 horas. Enfim, estamos muito bem ao contrário do que dizem por aí.

O prazo do dia 15 para que os secretários candidatos deixem a pasta vale para o senhor?

Se o motivo para deixar a secretaria é uma eventual candidatura, não há porque eu sair já que a provável candidatura do nosso grupo será definida mais na frente e vai passar por conversa com o Artur.

Nesse tabuleiro do grupo do prefeito, há um movimento da deputada Rebecca Garcia de dianteira em relação ao senhor, neste momento. Hissa foi limado do processo?

Não sei o que vai acontecer. Não sei mesmo. Mas quem vai me expulsar da política ou me colocar em algum lugar é o povo. Não é a classe política. Quem vai me dar o maior cargo neste Estado ou vai me tirar de vez da cena política é o povo. Porque se eu dependesse da classe política para ser alguma coisa, eu não era nada. Agora, a candidatura não é a minha prioridade. Se houver uma diretriz para que isso se concretize, estou altamente disponível e com muita vontade. O único com quem não me sentiria à vontade em concorrer é com o Artur. Seja em 2014 ou 2016. Só o Artur. Tenho compromisso só com ele.

Embora a candidatura não seja prioridade, o senhor andou conversando com alguns pré-candidatos... Conversou com Eduardo Braga?

Não. Foi o único que eu não conversei. Antes, vou conversar com o prefeito Artur.

O prefeito sentou para conversar com ele...

Pois é. Conversaram... Enfim, eles conversaram. Mas e não conversei ainda.

O senhor só senta pra conversar com o senador se o prefeito deixar?

Respeito muito o prefeito Artur. Sentar para conversar agora, todo mundo senta. Isso não tem que pedir permissão. Mas na hora que for para definir o quadro político, aí vou conversar com o prefeito Artur (antes de sentar para fechar com outros).

Como está a sua relação com o deputado Luiz Castro?

É cordial. Pensei que ele fosse para o PSB. Por algum motivo preferiu o PPS. Vai continuar muito bem visto, desde que ele apoie os candidatos que o PPS indicar. Não pode querer ser apoiado sem apoiar. Fora isso, ele é um grande parlamentar, ético.

O senhor citou há pouco alguns secretários como sendo da cúpula do prefeito num tom de distanciamento. Não se considera da cúpula?

O que eu quis dizer é que são pessoas que andam mais próximas dele. O Márcio, Beto Michilles e o Ulisses vivem com o Artur. Se eu andar com ele, não trabalho. Não que eu não seja da cúpula. Eu até me considero da cúpula.

É a primeira vez que entrevisto um secretário acompanhado por outro secretário, que por sinal, como o senhor disse, é da cúpula do prefeito Artur. O senhor não se sente constrangido ou vigiado?

Não. Eu convidei o secretário Márcio Noronha porque ele é secretário de Comunicação da instituição prefeitura e a entrevista é com o vice-prefeito e secretário. Nada mais justo que trazer o secretário de Comunicação da instituição.

Frases

“Chego à conclusão de que não dá para ajeitar tudo em quatro, mas que, em pelo menos seis anos, dá pra gente deixar essa cidade melhor”

“Foi muito difícil conciliar política com o executivo. Hoje estou apaixonado pelo meu trabalho e com mais vontade de continuar esse trabalho do que de fazer política”

“Tínhamos (referindo-se a Artur) opiniões divergentes sobre a cidade. Hoje, a gente se fala toda semana. A última conversa, há dez dias, durou 10 horas”

Perfil

Nome: Hissa Nagib Abrahão Filho
Idade:33 anos
Estudos: Bacharel em Ciências Econômicas, mestre em Desenvolvimento Regional pela Ufam e pós-graduado em Gestão Empresarial.
Experiência: Vereador em Manaus (2009/2012). Ex-professor universitário e ex-apresentador de programa de TV sobre economia.


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