Sexta-feira, 04 de Dezembro de 2020
Consciência Negra

História dos escravos no Brasil ainda impulsiona a luta dos negros na atualidade

Em um período marcado pelo racismo, a resistência é a principal ferramenta para fazer valer seus direitos



e09857ab-2695-4361-8396-e14b5d0b8dc8_E6B1CDB6-DCAB-46F4-A4EB-F751CA6D5010.jpg Foto: Tadeu Rocha
22/11/2020 às 08:42

A história da escravidão africana no Brasil é repleta de dor e sofrimento, 5 milhões de cativos foram embarcados à força como mercadoria a ser entregue do outro lado do oceano, em uma terra que lhes era completamente estranha e hostil, onde trabalhariam pelo resto de suas vidas sob o chicote do seu senhor.

O Dia da Consciência Negra foi instituído em reconhecimento aos descendentes africanos pela construção da sociedade brasileira. A data, suscita discussões sobre racismo, discriminação, desigualdade social e cultura afro-brasileira. Um dos incômodos que motivaram ativistas brasileiros a lutar pelo dia da Consciência Negra foi o crescimento contínuo da escolaridade dos brasileiros brancos, que não se estendia aos brasileiros negros. O censo aponta que 47% das crianças matriculadas na educação infantil são negras, mas só 16,8% chegam ao ensino médio.



A escravidão deixou marcas nos diversos países que adotaram esse regime de trabalho. Mas nenhum outro país recebeu um número tão grande quanto o Brasil, que importou negros em escala industrial. 5 milhões de africanos foram trazidos e outros 2 milhões sequer completaram a travessia pelo Oceano Atlântico e morreram em navios negreiros que amontoavam seres humanos. No dia 20 de novembro de 1825, Zumbi foi assassinado e se tornou símbolo de resistência e luta contra discriminação racial. Ao lembrarmos o seu nome continuamos uma tradição de 3 séculos contra a propaganda de difamação de sua memória.

Nicole Fernandes é assistente social e ativista do movimento negro, aos 24 anos, conta que a data carrega uma oportunidade de reflexão. “É um dia de reflexão sobre a questão racial, sobre nosso passado, presente e futuro, principalmente um futuro com políticas afirmativas que tragam dignidade e humanidade ao nosso povo ainda tão violentado”.

Para ela a representatividade foi necessária para reconhecer a si mesma como negra. “Aos 18 conheci uma militante do movimento negro de Manaus. A partir desta conversa sobre racismo, colorismo, estética negra, eu comecei a compreender melhor o meu lugar e buscar saber mais sobre minhas raízes. Então comecei a acompanhar pessoas da minha idade, com cabelos parecidos, traços, tom de pele parecidos foi muito importante. Eu me identificava e me encorajava a ser eu mesma também!”

Já Juliana, é uma mulher negra de 36 anos, estudante de contabilidade. Ela conta que acredita que ao deixar de falar sobre racismo, fará calar também o incômodo que o assunto lhe traz. Está certa de que a classe social determina a exclusão, e não a cor. Mesmo assim, ela me conta o um episódio de racismo que sofreu na infância: “Quando tinha 5 anos ia à escola com penteados étnicos, trancas e tererês e os meninos caíam no chão de tanto rir do meu cabelo! Me desesperava arrancando as presilhas e borboletas com ajuda da professora. As crianças podem ser cruéis”.

Após a Abolição da escravatura, com o incentivo à imigração europeia no país, os negros foram deslocados para um “não-lugar” no mercado de trabalho sem direito a propriedades ou acesso a políticas sociais. Este passado triste tem se redescoberto ano após ano através do reconhecimento e das lutas do povo negro.

*Reporttagem de Maysa Leão, especial para o A CRÍTICA

News portal1 841523c7 f273 4620 9850 2a115840b1c3
Jornalismo com credibilidade

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.