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Cotidiano
FEMINICÍDIO

Homem mata a mãe com facadas em Parintins e alega que ela o ameaçava

Narcísio de Souza e Souza, 21, é dependente químico e se tratava no Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Ele já havia agredido a mãe e a Comarca de Parintins emitido medida protetiva em favor da vítima 07/02/2018 às 18:17 - Atualizado em 07/02/2018 às 18:22
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Foto: Divulgação
Gerlean Brasil Parintins (AM)

“Era a única defesa que eu tinha. Ela me ameaçava de morte desde criança. Eu fazia comida e ela puxou a panela do fogo. Minha intenção era me defender”. A declaração é de Narcísio de Souza e Souza, 21, dada ao ser apresentado na Delegacia de Polícia Civil de Parintins (a 369 quilômetros de Manaus) por ter assassinado a própria mãe, a cabeleireira Maria Júlia de Souza e Souza, 38, com três golpes de faca, na manhã desta quarta-feira (7). O crime ocorreu na comunidade Santa Maria de Vila Amazônia, zona rural do município.

O autor do feminicídio confessou o crime e alegou ter sido atingido por uma cadeirada antes de matar a mãe. Por ser dependente químico desde os sete anos, Narcísio recebia atendimento no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Adolfo Lourido e a última consulta, conforme o diretor da unidade, o psicólogo André Acauan, ocorreu no início do mês de janeiro.

A mãe lutava para tentar tirar o filho do vício das drogas. Narcísio citou usar tinner, cola de sapateiro e até gasolina para se drogar. “Ninguém consegue deixar a droga não”, afirmou Narcísio, que também declarou que a mãe ameaçava acorrentá-lo na parede de casa.

O investigador de Polícia Civil, Érison Coelho, afirmou que o acusado já tinha histórico criminal com passagem pela delegacia no ano de 2015 por ter cometido violência doméstica contra a mãe.

“Na época, no depoimento dela, ela deixou claro que ele a ameaçava constantemente, que ia beber o sangue dela e arrancar seu coração”, relatou, ao apresentar fotos da vítima com marcas de agressão pelo rosto.

Medida protetiva

De acordo com o investigador, Maria Júlia solicitou ao juízo da Comarca de Parintins medida protetiva por sofrer constantes ameaças praticadas pelo filho.

“A Justiça autorizou isso e o afastou da residência. No entanto, isso (medida protetiva) não foi suficiente para que a vontade dele de matar fosse sanada. Hoje, infelizmente, ela veio a óbito depois dele ter desferido três facadas no corpo dela. Investigamos o fato e buscamos outros elementos. Vamos fazer diligências para encontrar a arma e ele vai ser encaminhado ao presídio, acusado do crime de feminicídio”, explicou Coelho.

Causa da morte

A vítima chegou a ser conduzida ao Hospital Regional Jofre Cohen, onde deu entrada pouco antes das 12 horas, mas não resistiu aos ferimentos, falecendo por volta das 13 horas, já dentro da sala do centro cirúrgico.

O médico legista Jorge de Paula Gonçalves atestou que Maria Júlia teve morte por hemorragia interna causada pela perfuração do pulmão. O exame de necropsia diagnosticou que a vítima sofreu três golpes de faca, entre eles, um na região da clavícula, considerada fatal por ter perfurado o pulmão e, como consequência, fator da hemorragia.

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