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Homens jovens e regularmente empregados são maioria no tráfico de drogas no Amazonas

Pesquisa verificou que maioria dos presos pela Polícia Federal do Amazonas por tráfico de drogas são jovens do sexo masculino, solteiros e regularmente empregados, e não aqueles “necessitados” 26/01/2015 às 09:59
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Dados estão descritos na tese de mestrado do delegado federal Umberto Ramos
Luana Carvalho Manaus (AM)

Uma pesquisa apontou que a maioria dos presos por tráfico de drogas pela Polícia Federal do Amazonas são jovens com idades entre 18 e 29 anos, do sexo masculino, solteiros e regularmente empregados, desconstruindo o argumento de que o tráfico é uma função de “necessidade”.

Os dados estão descritos na dissertação de mestrado do delegado federal Umberto Ramos, pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Com o tema “Tráfico de Entorpecentes na Amazônia:  identificando caminhos e rotas vulneráveis”, Ramos analisou flagrantes de 185 presos entre 2010 e 2013.

“Por meio dos flagrantes realizados foi possível identificar as rotas e o perfil sociodemográfico dos presos. A rota fluvial é a mais utilizada no estado, sendo o rio Solimões com maiores ocorrências e quantidades  de apreensões”, pontuou.

Também há registro de mulheres envolvidas com o tráfico. Do universo feminino, 59% ingressaram no meio em função de relações afetivas com companheiros ou ex-companheiros. “O homem funciona como elemento motivador para ingresso da mulher no crime”, explica.

Uma das variáveis da pesquisa é a reincidência dos presos: dos 185 entrevistados, 32,5% indicaram ser reincidentes no tráfico ou em outra modalidade ligada ao crime.

Rotas

O principal foco do trabalho foi identificar as rotas e vias de acesso da cocaína no território brasileiro, especialmente por meio do Estado do Amazonas.

De acordo com a dissertação, a maior parte da droga entra pela fronteira do Brasil com a Colômbia. “O município de Tabatinga é o mais crítico e com mais ocorrência”. Além deste, onze municípios foram identificados como ponto de entrada de cocaína.

A droga chega por meio de ‘recreios’ ou pequenas embarcações, camufladas nas bagagens dos passageiros. “Nas pequenas embarcações, a droga chega muitas vezes escondidas com os peixes ou outros gêneros alimentícios, como a farinha”, comentou Umberto, que atualmente é delegado regional executivo em Goiás.

“Nessa perspectiva da pesquisa, constatamos nove estados de destino. Daí concluí-se que o estado do Amazonas, especificamente a cidade de Manaus, é rota de destino, mas também é rota de trânsito”, complementou.

A cocaína é destinada principalmente às regiões Nordeste e Sudeste, mas também há registros para o Norte e Centro-oeste. No Nordeste, os principais estados de destino são Pernambuco, Paraíba e Ceará, onde de lá, a droga também segue para a Europa, principalmente para Portugal. No Sudeste, os estados de São Paulo e Minas Gerais também são destinos de droga proveniente de Manaus.

A tese completa será publicada em forma de livro até o final deste semestre no Amazonas.

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