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Hospital Beneficente Portuguesa completa 142 anos de fundação

Criado por um grupo de 70 portugueses em 1873, hospital atualmente enfrenta dificuldades e busca parceiros para manter o atendimento ao público 31/10/2015 às 11:10
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Criado para atender apenas a sociedade portuguesa que vivia em Manaus no século 19, o hospital expandiu atendimento para toda a população
Kelly Melo Manaus (AM)

Um dos projetos arquitetônicos mais bonitos da capital, além de um patrimônio tombado,  o Hospital Beneficente Portuguesa completa, hoje, 142 anos em atividade. Criado por um grupo de 70 portugueses  no final do século 19, atualmente o hospital enfrenta diversas dificuldades para manter o atendimento ao público.

A instituição, de natureza filantrópica, atende de 800 a mil pacientes por mês e, apesar de depender da iniciativa privada para a manutenção, vem buscando formas de ampliar o orçamento e, assim, dar continuidade aos seus atendimentos direcionados ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Um dos desafios da direção do hospital é buscar a parceria de empresários para reativar o 3º andar do hospital, que foi interditado por causa da estrutura deficiente e comprometida pela  ação do tempo.  “Estamos falando de um prédio antigo, que precisa de reparos. Há seis anos o 3º andar está fechado por questões de segurança, mas estamos em busca de parcerias para podermos reformar essa área e ampliar nossos atendimentos”, explicou o presidente do Beneficente Portuguesa, Jair Alves Correa.

De acordo com ele, o projeto de reforma que está em andamento também prevê a restauração da fachada do prédio.

Referência

 Jair Alves afirma que, embora a estrutura do prédio  tenha sido construída apenas com pedra,  barro e madeira, hoje o hospital possui um aparelhamento moderno para atender, principalmente cirurgias eletivas nas áreas de cardiologia, bucofacial, urologia, radiologia, dentre outras. Além disso, o hospital também é referência em  prevenção de infecções hospitalares.

“Temos um dos menores índices de infecções hospitalares, porque temos um trabalho de higienização diferenciado e procuramos tomar todos os cuidados exigidos pelo sistema de saúde. Tivemos muitas dificuldades para nos adequar conforme as exigências do Ministério da Saúde, por ser um prédio antigo, mas hoje podemos comemorar a iniciativa daqueles portugueses que um dia sonhoram com esse modelo de hospital”, comentou o presidente.

Celebração humilde

Diferente de outros anos, em que personalidades recebiam medalhas pelos serviços e apoio prestados à instituição, este ano os incentivadores da Beneficente participaram de uma reunião mais simples e uma missa de ação de graças na capela de Nossa Senhora de Fátima, que fica nas dependências do hospital.

Segundo Jair Alves, a decisão foi tomada pela direção da unidade de saúde porque a sala onde essas reuniões aconteciam anteriormente está interditada, também por problemas estruturais do prédio.

“Saúde requer um investimento muito alto e as dificuldades para mantê-la nesses moldes são muitas, principalmente em tempos de crise financeira. Mas, se todo mundo se preocupar, podemos levar esse projeto adiante por mais tempo e tornar a vida ainda mais agradável”, finalizou.

Pioneirismo

Em uma época em que o atendimento médico era precário no Brasil, sobretudo na Amazônia, um grupo de 70 portugueses que viviam em Manaus no século 19 decidiu promover quermesses, arraiais, teatros e festivais para arrecadar fundos e construir o Hospital Beneficente Portuguesa, inaugurado em 1873. Inicialmente destinado à sociedade portuguesa que vivia em Manaus, mais tarde ele foi aberto, passando a atender toda a população.

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