Sábado, 19 de Outubro de 2019
OPERAÇÃO LAVA JATO

‘Houve prejuízo às investigações’, diz Carlos Sobral sobre substituição de delegados

Para o presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), a mudança dos delegados foi “precipitada, “mal-explicada” e prejudicial às investigações



sobral.JPG Sobral:“Não era o momento da saída deles, as investigações estão em andamento (Foto: Euzivaldo Queiroz)
08/07/2016 às 11:25

Na manhã de ontem, durante evento realizado no Tropical Hotel, em Manaus, o presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Carlos Sobral, declarou que a substituição dos delegados Eduardo Mauat e Duílio Mocelin no curso da Operação Lava Jato foi “precipitada, “mal-explicada” e prejudicial às investigações.

A mudança, promovida pela Polícia Federal no último sábado, foi recebida com estranheza pelos agentes do órgão e reacende os temores de um “esvaziamento” da operação que viu vários dos políticos mais proeminentes da nação sendo presos ou alvos de investigações.



Em especial, chamou a atenção dos delegados a antiguidade do envolvimento dos substituídos com a operação, bem como o alto perfil dos investigados deles: Mauat foi um dos responsáveis pela condução de inquéritos ligados ao ex-presidente Lula, e Mocelin foi relator do indiciamento do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, da mulher dele, Patrícia Anne Cerveró, e do lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano.

Além deles, Luciano Flores, um dos palestrantes confirmados do evento jurídico, que foi o responsável pelo interrogatório do ex-presidente durante o cumprimento do mandado de condução coercitiva em março deste ano, também foi substituído.

“Não era o momento da saída deles. As investigações que estavam com eles estão em andamento. Você não fortalece uma investigação trocando um delegado que estava há mais de ano na operação por um delegado que chegou agora, fortaleceria se os novos delegados viessem somar, não substituir. Nós entendemos que houve um prejuízo às investigações e vamos cobrar tanto do diretor-geral quanto da Superintendência Regional no Paraná as razões dessa troca que entendemos ser motivo de muita preocupação para os delegados da Polícia Federal”, afirmou Sobral.

Ministro do TCU fala sobre corrupção

A aula magna que abriu o evento foi dada pelo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas, que deu números da corrupção no País. Segundo ele, foi constatada uma média de superfaturamento de 17% no valor dos contratos recentemente analisados pelo órgão, número considerado por ele exorbitante.

Críticas ‘infundadas’

A Lava Jato é única na história do País por seu tamanho e também pelo volume de críticas que recebe, tanto de governistas quanto da oposição. Algumas das acusações mais recentes, como a de que a operação seria na verdade parte de um complô estadunidense para desestabilizar a democracia brasileira, foram rebatidas pelo delegado como sendo um exercício do “direito de defesa”, mas “totalmente infundadas”.

“É evidente que uma investigação que uma operação alcança um grupo político que está no poder sofre contestações, sofre resistência, inclusive, quando novas ferramentas de investigação são utilizadas, como a colaboração premiada, que é um instrumento importado, mas o que é importante frisar é que todos os procedimentos realizados na Lava Jato são previstos em lei, são submetidos ao controle judicial e todas as instâncias da Justiça os têm ratificado”, concluiu o presidente da ADPF.


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