Sábado, 04 de Julho de 2020
SALDO NEGATIVO

Humanidade entrou hoje no ‘cheque especial’, alerta ambientalista

Passamos, nesta segunda-feira (29), a consumir mais do que o planeta tem capacidade de repor seus recursos naturais



hudasuhsahuiua_2266AAD3-6042-404A-89EC-EE41CEB525A8.jpg Foto: Reuters
28/07/2019 às 20:07

Neste ano, segundo os dados da Global Footprint Network, organização internacional de pesquisa responsável pelo cálculo do Dia da Sobrecarga da Terra, o limite bateu um recorde, pois nunca havia acontecido tão cedo desde que o planeta entrou em déficit ecológico no início dos anos 1970. Em percentual isso significa que já consumimos  74%  a mais do que capacidade de a Terra se regenerar no período de um ano.

Os reflexos disso, aparentemente imperceptíveis, podem ocasionar impactos ambientais e falta de bens não renováveis em um futuro mais próximo do que imaginamos.



Para os especialistas é como se a gente já tivesse consumido tudo o que foi armazenado durante um ano e tivéssemos que entrar no cheque especial para conseguir mais recursos, que vão desde alimentação, vestuário, qualidade da água e do ar. Parece bobo, mas essa sobrecarga tem sido acelerada com a nossa contribuição individual e coletiva, como o descarte incorreto do lixo, queimadas, desmatamentos e degradação ambiental. De um modo geral tudo que é utilizado por nós no planeta faz a divida acelerar.

E como podemos contribuir para amenizar isso? Na nossa capital, por exemplo, políticas públicas seriam primordiais nesse sentido. É o que explica a bióloga e ambientalista Erika Schloemp. “A gente não vai conseguir mudar esse cenário, mas vai poder amenizar contribuindo  com medidas coletivas e individuais também. Elas ajudariam nas ações. Manaus precisa ser mais arborizada, por exemplo, e poderíamos ter uma destinação correta e adequada para o lixo. Se a cidade conseguir reduzir o lixo, ou pelo menos reciclar, trazer industrias recicladoras para Manaus, seria uma forma de retardar a quantidade de lixo que temos nos nossos igarapés e áreas verdes. O que contribui  nesse sentido”, pontuou.

Assim como medidas coletivas, com leis e ações mais rigorosas, a contribuição individual é primordial, conforme explica Renata Camargo, especialista em Conservação do WWF-Brasil. “Uma coisa que é super importante ressaltar é que todos nós, de alguma forma, temos a responsabilidade sobre essa questão.  Então fazer uma analise sobre como estamos consumindo é extremamente importante nesse momento, porque a gente pode reverter esse quadro.  Precisamos olhar para o nosso padrão de consumo e ver como a gente pode colaborar, isso é bastante importante e não só em um nível individual, onde cabe por exemplo reduzir bens de consumos próprios, como roupas e outros bens. O  consumo de alimentos e evitar o desperdícios é também um grande fator que causa a questão da sobrecarga”, detalhou. 

No Brasil a especialista fala que um dos grandes fatores da sobrecarga é questão da perda de biocapacidade, de áreas protegidas, isso porque a perda de florestas eleva a exaustão de recursos o que leva a sobrecarga no País. “A gente precisa ter consciência, em um nível coletivo, lutar para uma maior preservação das florestas, lutar pela preservação da fauna e da flora, isso é um fator muito importante e relevante para a gente reduzir isso. Estamos indo para além do limite do que a terra pode se regenerar. Estamos deixando uma terra cada vez mais inóspita, menos habitável para as futuras gerações”, completou.

 ‘Não temos um planeta com recursos infinitos’

“Quando a gente pensa em recursos naturais e na vida do ser humano na terra, a vida dele é totalmente dependente dos recursos naturais. Então se a gente esta pensando em limites da Terra, estamos pensando  no sentido mais amplo, o de vida mesmo. Então a gente olha com  muita preocupação, porque estamos falando de uma terra que tem recursos finitos, não temos uma Terra com recursos infinitos. Então essa é a maior preocupação”, alertou a especialista em conservação Renata Camargo.

Estudiosos no assunto dizem que os reflexos disso  vêm na forma de escassez de água potável, erosão do solo, perda de biodiversidade e acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera, com consequências  como  secas severas, inundações, aumento na quantidade e intensidade dos incêndios florestais,  furacões e outras mudanças climáticas por todo o planeta.

“Quando a gente pensa em recarga a gente pensa em redução. A escassez de água é a primeira delas, o solo que vai no seu esgotamento, o que para a produção de alimentos pode trazer consequências. Tem a emissão  de carbono que vem aumentando  e influência na temperatura da terra e isso traz   consequências e impactos quem podem vir com eventos extremos, de secas  mais severas, inundações, incêndios florestais menos controláveis, esse tipo de impacto é esperado quando você olha liquidez de recursos”, salientou  Camargo.

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Repórter de Cidades
Formada em 2010 pela Uninorte, é pós-graduada em Assessoria de Imprensa e Mídias Digitais pela Faculdade Boas Novas. Repórter de Cidades em A Crítica desde 2018.

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