Publicidade
Cotidiano
Notícias

Igreja Católica aproveita novenas para coletar assinaturas de apoio ao projeto de reforma política

No Amazonas, já foram coletadas mais de 35 mil assinaturas de apoio ao projeto de reforma política das quase 900 mil de todo o Brasil 19/03/2015 às 09:53
Show 1
Cerca de 50 mil pessoas são esperadas, no Centro Cultural Povos da Amazônia (Bola da Suframa), na Zona Sul; na igreja do Padroeiro dos Trabalhadores — Praça 14 de Janeiro, Zona Centro-Sul —, haverá novena em três horários
Lúcio Pinheiro Manaus (AM)

A Igreja Católica realiza, nesta quinta-feira (19), uma grande mobilização pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, durante um dos mais importantes eventos realizados pela Arquidiocese de Manaus: o dia de São José Operário. Cerca de 50 mil pessoas são esperadas, às 18h, no Centro Cultural Povos da Amazônia (Bola da Suframa), na Zona Sul. No Amazonas, já foram coletadas mais de 35 mil assinaturas das quase 900 mil de todo o Brasil.

Mais cedo, na igreja do Padroeiro dos Trabalhadores — localizada na avenida Visconde de Porto Alegre, Praça 14 de Janeiro, Zona Centro-Sul —, haverá novena em três horários (6h15, 10h e 12h), também com a presença de voluntários para o recolhimento de assinaturas. De acordo com a assessoria da Arquidiocese, caso não chova, 10 mil pessoas devem participar das cerimônias na área externa da paróquia, que comporta até 500 fiéis no interior.

“O padre vai convidar a todos para assinar, explicando a importância da reforma política, que é um movimento popular”, disse a irmã Santina Perin, 73, da Congregação Imaculado Coração de Maria (ICM-Manaus) e da “Rede Um Grito Pela Vida”, da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB nacional). “A mobilização é geral em todo o País e, em Manaus, há várias paróquias participando. Há poucos dias foram colhidas 5 mil assinaturas”, completou.

De acordo com a ativista contra o tráfico internacional de pessoas, é difícil equacionar dados exatos de quantos católicos já demonstraram apoio ao projeto, que tem como base quatro pontos cruciais: a proibição do financiamento de campanha por empresas; eleições proporcionais em dois turnos; a paridade de gênero na lista pré-ordenada; e fortalecimento da democracia direta com a participação da sociedade em decisões nacionais importantes.

“Essa campanha começou em 2013, mas agora estamos intensificando. A coalizão é formada por 105 instituições, entre elas, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Mas têm muita gente mandando assinaturas diretamente para Brasília, sem contar algumas que ‘se perderam’ pelas comunidades do interior, que precisamos resgatar”, enfatizou a religiosa, que morou 22 anos do Haiti e está há quatro em Manaus.

De acordo com irmã Santina, haverá uma programação de 22 a 29 deste mês em todo o País. No caso da capital amazonense, a abertura será com a realização de um ato público, no cruzamento das evenidas Eduardo Ribeiro e Sete de Setembro, Centro. Dois dias depois, está prevista uma ação nos bairros Mutirão e Jorge Teixeira, na Zona Leste. Fora isso, haverá tribunas populares nos terminais de ônibus, diariamente, de segunda a sexta.

Propostas da Reforma Política

Afastar a influência do poder econômico das eleições, proibindo a doação de empresas;

Reformular o sistema político, incluindo a questão de gênero (homens e mulheres) e estimular a participação dos grupos sub-representados (negros e indígenas);

Regulamentação do artigo 14 da Constituição, em favor da democracia direta, com participação da sociedade em decisões nacionais importantes;

Melhorar o sistema político partidário, aumentando a participação de militantes e filiados em torno de um programa político;

Fidelidade partidária programática.

A íntegra do projeto pode ser acessada em www.reformapoliticademocratica.org.br.

Papa critica modo de financiamento

O papa Francisco se mostrou preocupado com a questão do financiamento de partidos políticos. Em entrevista à revista La Cárcova News, publicação paroquial de um bairro da periferia de Buenos Aires, no último dia 10, ele foi questionado sobre quais sugestões gostaria de dar aos governantes argentinos, que estão em ano de eleição.

“O financiamento da campanha eleitoral envolve muitos interesses, que depois cobram a conta. Evidentemente, é um ideal, porque é preciso de dinheiro para manifestos, para a televisão. Em todo caso, que o financiamento seja público. Eu, como cidadão, sei que financio esse candidato com essa exata soma de dinheiro, que tudo seja transparente e limpo”, disse.

Para o pontífice, o financiamento público de campanhas políticas exige mais transparência no plano de governo. “Primeiro, que proponham uma plataforma clara. Que cada um diga ‘no governo, nós faremos isso e aquilo’. A plataforma eleitoral é algo sério, ajuda as pessoas a verem aquilo que cada um pensa”, comentou.

Publicidade
Publicidade