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Inclusão de autistas na escola não existe, dizem especialistas e parentes

Para a fundadora da Associação Mão Amiga, Mônica Accioly, a inclusão dessas crianças nas escolas é pontual 02/04/2013 às 11:40
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Nesta terça-feira (2) é celebrado o Dia Mundial de Conscientização ao Autismo
Flávia Villela/ Agência Brasil Rio de Janeiro

Está na lei, mas o direito das crianças autistas de estudar em escolas regulares com a atenção devida é ainda um sonho distante, segundo especialistas e parentes de estudantes autistas. Para a fundadora da Associação Mão Amiga, Mônica Accioly, a inclusão dessas crianças nas escolas é pontual.

“Depende da relação que a criança estabeleça naquela escola com a professora, com a diretora, com a coordenadora. A escola tem que ter um projeto de inclusão e isso praticamente não existe”. Segundo ela, existe boa vontade e só. “E boa vontade é pouco para uma criança que precisa de um trabalho diferenciado”.

Mônica desenvolve na associação trabalhos com crianças autistas e suas famílias e conhece bem a realidade desses alunos que fazem peregrinações por instituições de ensino, sobretudo no ensino médio.

“Quando chega o sexto ano, [a criança tem contato com] quatro, cinco, professores por dia. É um esforço imenso para o autista, pois exige um nível de organização alto. Mas, na verdade, com pequenas adaptações, simples até, o próprio professor poderia ajudar a criança a organizar sua rotina”, disse ela, citando como exemplo uma lista com as tarefas do dia, que poderia ser colada na carteira do aluno.

Cansada de buscar uma escola que acolhesse o neto autista, a pedagoga Regina Angeiras decidiu criar uma escola que atendesse a toda e qualquer criança. A escola Divertivendo, na zona sul do Rio, desenvolve há sete anos um projeto para crianças com déficit intelectual e crianças sem nenhum problema de aprendizado. “As escolas que se dizem inclusivas, na verdade, apenas abrem suas portas”, disse.

Para Regina, uma escola verdadeiramente inclusiva deve, em primeiro lugar, ter poucos alunos em sala de aula. Ela explicou que o número reduzido dos alunos em sala é o primeiro passo, já que são necessárias avaliações diferentes, cada um deve ser olhado individualmente e há atividades específicas para suas dificuldades, seja ele autista ou não. “Não dá para a professora fazer esse trabalho com 20 crianças em sala de aula. Não dá para escrever no quadro e apagar em seguida, por exemplo, pois cada um tem seu tempo”.

Na escola que ela dirige, a média é oito crianças em sala. Do total de alunos, 15 têm algum tipo de dificuldade cognitiva e desses, dez são autistas. Apenas quatro alunos não têm nenhuma dificuldade de aprendizado. “Não era assim, mas infelizmente os próprios pais que têm filhos com [necessidades especiais] não deixam na mesma escola os irmãos que não têm”.

Segundo Regina, uma escola inclusiva precisa elaborar uma adaptação do currículo e investir seriamente na formação específica dos docentes. “Não adianta apenas aceitar a criança olhando para o teto em sala de aula. A escola deve estar preparada com um projeto pedagógico”.

Regina explicou que para o autista é fundamental que ele vivencie todo o processo de aprendizagem. “Trabalhamos com pedagogia de projetos. Se vamos estudar os animais, levamos a turma ao zoológico e tiramos fotos com eles. Quando voltamos, fazemos os trabalhos com as fotos deles. E na avaliação sobre a experiência no zoológico, está lá a foto. Se não vivenciarem, fica tudo muito distante para eles”.

Regina ressaltou que há casos graves, em que não adianta o autista frequentar a escola. “Não há regra, mas há casos em que a criança realmente não vai aproveitar aquele ambiente”.

Em Manaus

Em Manaus, será inaugurado o Centro Municipal de Atenção Integrada ao Autista, o espaço foi criado para oferecer serviços socioassistencias e de saúde a pessoas com autismo, através de uma equipe multidisciplinar de profissionais trabalhando em conjunto, fruto da interação entre as secretarias municipais de saúde, educação e assistência social.

São assistentes sociais, psicólogos, professores de educação especial, educação física adaptada, pediatras, fisioterapeutas, odontólogos – todos profissionais prontos para proporcionarem um tratamento digno e com responsabilidade.

O evento acontecerá nesta terça-feira (2) às 15h, o Centro esta Localizado no bairro Alvorada II (rua 18, nº 380). Além da inauguração do centro, a semana de 02 a 07 de abril será a “Semana Municipal de Conscientização sobre o Autismo”.  

A Semana será repleta de outras ações, como um ciclo de palestras dirigidas a profissionais que lidam com o autismo, professores e alunos; atividades recreativas no complexo André Vidal; além do lançamento da Iluminação de Monumentos – a cor do autismo – na fachada da Prefeitura de Manaus e de diversos monumentos e prédio público na cidade. O objetivo é incentivar a discussão e a conscientização sobre o autismo na sociedade, além de tornar a semana um evento permanente no calendário do município.

  Outro fator importante desta semana é que todas as ações foram tomadas após discussão com entidades que lidam diretamente com o tema em Manaus. A prefeitura de Manaus se preocupa em atuar em rede com estas entidades, estabelecendo uma parceria mútua para que a população com autismo da cidade de Manaus seja realmente atendida da melhor maneira possível. 

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