Sábado, 24 de Julho de 2021
Na França

Indígenas processam supermercado francês por destruição da Amazônia

É a primeira vez que uma rede de supermercados francesa é levada à Justiça por desmatamento e perda de terras e meios de subsistência na França



povo-Huni-Kui-Centro-Huwa_-Karu-Yuxibu-Fotos-Denisa-Starbova-scaled_86D5E64F-0A16-470E-909D-F5F8E72C37E1.jpg Foto: Denisa Staborva
03/03/2021 às 15:07

Indígenas do Brasil e da Colômbia processaram o varejista Casino em um tribunal francês na quarta-feira por venda de carne bovina ligada à grilagem de terras e desmatamento na Amazônia, disseram ativistas envolvidos no processo.

É a primeira vez que uma rede de supermercados francesa é levada à Justiça por desmatamento e perda de terras e meios de subsistência de acordo com uma lei de 2017 na França que exige que suas empresas evitem os direitos humanos e violações ambientais em suas cadeias de abastecimento.



O Casino, que controla o maior varejista de alimentos do Brasil, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) e, por meio dele, também o varejista colombiano Almacenes Exito, disse que lutou ativamente contra o desmatamento por pecuaristas no Brasil e na Colômbia.

A ação alega que o Casino comprava regularmente carne bovina de três frigoríficos de propriedade de um grande frigorífico brasileiro.

Esses frigoríficos obtinham gado de cerca de 600 fornecedores responsáveis ​​por pelo menos 50 mil hectares - uma área cinco vezes o tamanho de Paris - de desmatamento entre 2008 e 2020, de acordo com a ação.

“A demanda por carne bovina do Casino e do Pão de Açúcar traz desmatamento, grilagem de terras e violência”, disse em um comunicado Luis Eloy Terena, da COIAB, órgão que coordena grupos indígenas na Amazônia brasileira.

O Casino disse que o GPA aplica uma política rigorosa de controle da origem da carne entregue por seus fornecedores, acrescentando que a carne brasileira não é vendida em suas lojas francesas.

O GPA disse à Reuters que desde 2016 estabelece critérios que seus fornecedores devem cumprir. Eles incluíram “desmatamento zero na Amazônia, sem condições de trabalho análogo ao escravo, sem trabalho infantil e sem invasões de terras indígenas ou áreas de conservação”. Os pecuaristas devem possuir documentos de propriedade da terra, acrescentou.

O Brasil é o segundo maior mercado do Casino depois da França.

COMPENSAÇÃO

A Amazônia desempenha um papel vital na regulação do clima da Terra, absorvendo dióxido de carbono, um dos principais gases de efeito estufa responsáveis ​​pelo aquecimento global.

Uma área da floresta amazônica do tamanho de Israel foi derrubada no ano passado, dizem grupos de campanha, e a pecuária é um dos principais motores da perda de habitat, à medida que o crescimento populacional e a expansão da classe média das nações em desenvolvimento alimentam o consumo de carne e laticínios.

Sebastian Mabile, advogado dos demandantes, disse que o Casino e sua subsidiária não cumpriram suas obrigações de examinar suas cadeias de suprimentos.

“Queremos que eles paguem cerca de 3 milhões de euros às organizações que representam os povos indígenas e garantam que suas atividades não envolvam o desmatamento”, disse Mabile em entrevista coletiva.

As empresas estão sob pressão crescente da legislação nacional e de ativistas para proteger a Amazônia.

O banco francês BNP Paribas se comprometeu em fevereiro a financiar apenas empresas produtoras de carne ou soja na América Latina que adotem uma estratégia de desmatamento zero até 2025.

Em janeiro, o BNP Paribas, o Credit Suisse e o banco holandês ING anunciaram que parariam de financiar o comércio de petróleo bruto do Equador. Líderes indígenas disseram que o dinheiro dos bancos os tornou cúmplices na destruição da floresta tropical pela indústria de petróleo do Equador.

Os demandantes do processo incluem grupos de campanha da França e dos Estados Unidos.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.