Protesto

Indígenas Yanomami realizam manifestação e exigem manutenção do direito à terra e saúde

Manifestação que exige o fim da violação de direitos de povos indígenas ocorreu nesta sexta-feira, dia internacional dos direitos humanos

Jefferson Ramos
10/12/2021 às 21:05.
Atualizado em 08/03/2022 às 19:49

(Foto: Junio Matos)

Com gritos contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) e a tese do marco temporal, indígenas da etnia Yanomami do Amazonas e Roraima cobraram na tarde desta sexta-feira a manutenção do direito à terra e saúde.

A manifestação, que exige o fim da violação de direitos de povos indígenas, ocorreu no dia internacional dos direitos humanos, celebrado nesta sexta-feira, na Praça do Congresso, no Centro de Manaus.

Indígenas Yanomami se revezaram no carro de som exigindo o fim da exploração mineral nas terras indígenas.

O índio amazonense Samuel Kohito Yanomami relatou que na sua aldeia a falta de profissionais de saúde e de medicamentos para tratar a malária é disseminada.

"O tratamento de saúde tá péssimo. Instituições que trabalham não têm interesse em apoiar povo Yanomami. Eles estão morrendo de malária", narrou Samuel que também cobrou atenção do governo federal para a situação.

Eliseu Xirixana, indígena Yanomami de Roraima, contou que a invasão de garimpeiros no território indígena provocou a morte de parentes deles.

"Estamos morrendo e sofrendo por causa dos garimpeiros. Perdemos muitos parentes, pai, mãe, irmãs e avós dentro da terra indígena Yanomami. Esse garimpo tá trazendo ameaça. Eles levando bebida alcoólica e as nossas crianças estão sendo exploradas pelos garimpeiros", denunciou Xirixana.

Marcivana Sateré Mawé da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime) explicou que o intuito de realizar a manifestação no dia internacional dos direitos humanos foi mostrar a situação vivida pelos Yanomami.

“Neste dia internacional dos direitos humanos trouxemos a questão indígena para chamar a atenção da sociedade para a gravidade da situação que atravessa o povo Yanomami aqui no Amazonas e em Roraima também. É uma data bem propícia para isso, uma grande reflexão de direitos humanos”, analisou Marcivana.

O antropólogo indígena Gersem Baniwa, um dos organizadores do ato, opinou que o Brasil vive um problema crônico de abuso aos direitos humanos e que o povo Yanomami sofre com mais ênfase esse fenômeno.

“Os Yanomami estão sendo mortos por subnutrição, fome, malária, dengue e assassinatos praticados por garimpeiros. Tudo isso não é da natureza, são incentivos do próprio governo. A subnutrição e a doença são abandono da política de saúde”, criticou. 

Em maio passado, garimpeiros se insurgiram contra indígenas Yanomami na comunidade indígena Palimu, às margens do rio Uraricoera, em Roraima. Na época, cinco garimpeiros e um yanomami também ficaram feridos.

Segundo ofício da associação Hutukara Yanomami, sete barcos de garimpeiros chegaram ao local por volta das 11h30, iniciando um tiroteio que durou cerca de meia hora. Dois dias depois, após a chegada de policiais federais na localidade, uma equipe da Polícia Federal foi atacada por disparos de arma de fogo. A ação ocorreu quando os agentes se preparavam para deixar a comunidade indígena Palimiu.

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