Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
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ALIANÇA

Indios do Amazonas e mais seis estados criam frente por defesa dos direitos indígenas

Movimento foi criado no encerramento do Fórum de Educação Escolar Indígena do Amazonas, realizado nesta semana em Manaus


15/12/2018 às 12:00

O fortalecimento entre as lideranças indígenas foi o mote do encerramento do IV Encontro de Educação e Saúde Indígena do Amazonas, promovido pelo Fórum de Educação Escolar Indígena do Amazonas (Foreeia), que aconteceu ontem no hall do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Em sua 5ª edição, com a participação de aproximadamente 600 indígenas, o evento reiniu pela primeira vez representantes de sete estados da Amazônia Legal.

Na ocasião ocorreu também o lançamento da Frente Ampla de Defesa dos Direitos Indígenas, que após estruturação, vislumbra o investimento em seminários, cursos, formação e cartilhas de orientação sobre leis e direitos dos povos da Amazônia. “É a costura da aliança entre os povos indígenas, pois diante das possibilidades de ameaça, nos próximos anos, com relação aos direitos e à vida”, destaca o professor doutor Gersem José dos Santos Luciano Baniwa, um dos coordenadores do fórum.

Os estados que compõem agora a Frente Ampla de Defesa dos Direitos Indígenas e também participam do Foreeia são Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima. Instalados na Chácara do Xare, situada no quilômetro 25 da BR-174, os indígenas participam de atividades desde o último dia 12, tendo como encerramento o lançamento da frente.

A união entre os segmentos da diversidade indígena e outras lutas formam o que Gersem Baniwa denomina “corrente humana”. Segundo ele, quilombolas, comunidades tradicionais, LGBT’s (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais), mulheres e os próprios povos da floresta devem se aliançar na vigilância das leis para que não sejam desrespeitadas.

Em relação ao término do contrato de prestação de serviços dos médicos cubanos no Brasil, pelo programa Mais Médicos, o professor afirma que a capacitação de profissionais da área da saúde dentro das aldeias é fundamental para que o cenário não volte a se repetir. Gersem acredita que médicos e enfermeiros indígenas serão a melhor solução.

“Da parte do Foreeia, nós vamos assumir esse compromisso nos próximos anos, de avançar na capacitação e formação de profissionais indígenas na área da saúde, que pouco se andou no Brasil. Além de capacitações precárias e limitadas, absolutamente temporárias, não houve nenhum tipo de investimento para formar profissionais indígenas. Diante do que nós estamos passando agora, em relação à saída dos médicos cubanos, cria uma carência enorme, um fosso nas aldeias, que dificilmente será suprido nas aldeias por outros segmentos”, disse ele.

Trinta anos de luta

A trajetória de três décadas da Comissão de Professores Indígenas do Amazonas, Roraima e Acre (Copiar) também foi destaque durante o Foreeia. O professor Jerônimo de Oliveira, da etnia Macuxi (Roraima), é um dos pioneiros na luta pelas escolas indígenas com suas características diferenciadas.

Em 1985 o Estado se reuniu com as lideranças e comunidades indígenas de como as escolas seriam administradas, respeitando as culturas. Os tuxauas e caciques se organizaram e levaram ao Ministério da Educação (MEC)  em torno de 50 professores indígenas do Amazonas e Roraima e então formou-se a comissão permanente. Conseguimos avançar com a instituição dos 15 itens da Declaração de Princípios, porém continuamos nessa luta, pois temos ainda uma estrada pela frente”, contou Jerônimo, que é nativo da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

“Nós tínhamos medo de encarar o governo e falar por nós. Continuamos nos organizado de várias maneiras e agora nossas escolas são reconhecidas”, destacou o representante Macuxi.

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Conselho Indígena na Ufam

Na manhã de terça-feira, o Colegiado do Departamento de Educação Escolar Indígena (DEEI) da Faced/Ufam deliberou pela criação do Conselho Indígena. Agora, a proposta será encaminhada para a diretoria da Unidade Acadêmica.

A deliberação é fruto de uma reunião promovida pelo Colegiado do Curso de Licenciatura Formação de Professores Indígenas da Ufam, ocorrida nos dias 10 e 11 deste mês. Reuniram-se docentes da Licenciatura Formação de Professores Indígenas e de outros departamentos da Faculdade. Discentes das cinco turmas em funcionamento no Médio Solimões, no Alto Solimões, no Alto Rio Negro, no Madeira-Manicoré e no Purus-Lábrea, além de egressos da turma Mura, também deram as suas contribuições.

Intercâmbio entre os povos

Pela terceira vez participando do Foreeia, Luciana Custódio, da etnia Tikuna e nação Arara, veio do Alto Solimões até a capital amazonense juntamente com outros quatro indígenas. Da comunidade Campo Alegre, no município de São Paulo de Olivença,  2ª cacique de sua tribo e professora, Luciana vê o encontro como ferramenta de comunicação e troca de saberes.

“A gente vem conhecer os fatos que ainda não chegaram até nós, lá na aldeia e nossa base. Com nossa vinda, mesmo em meio às dificuldades, pois ninguém garante nossas passagens de lá. É por conta da própria aldeia, onde alguns vêm representar. A gente não tem noção de certas coisas que estão acontecendo e é muito importante essa troca de informações entre os povos, para que possamos levar até às comunidades que não conseguem participar”, enfatizou.

Já Iara Ferreira, do Povo Arapyun do Território Etnoeducacional Tapajós Arapiuns (TEETA), em Santarém (PA), participou do encontro pela primeira vez. “Já tenho uma trajetória de dez anos à frente da educação escolar indígenas, coordenando em Santarém, a gente faz um grande intercâmbio com todos os povos”, garantiu Iara.

No momento de discussões sobre os direitos indígenas, diz ela, a educação indígena deve ser diferenciada, respeitando as especifidades étnicas e culturais e o papel feminino é fundamental.

De acordo com ela, a mulher é destaque por conduzir a formação e educação nas aldeias junto com os guerreiros, lideranças, sábios, pajés e toda estrutura da tribo e ou comunidade que faz parte do contexto da educação indígena.

“É um grande aprendizado para que a educação seja efetivada no atual cenário político que nos encontramos, onde violam e negam os nossos direitos. Nós somos resistência”, afirmou a professora.

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