Terça-feira, 25 de Junho de 2019
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Indústria entra em pânico com ameaça de greve na Suframa

Alerta foi feito pelo Sindframa após veto de emenda que garantiria melhorias salariais aos servidores da autarquia, em Manaus



1.jpg Servidores já realizaram greve em 2014 e diversas paralisações este ano reivindicando reestruturação salarial
12/05/2015 às 10:40

Os servidores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) devem paralisar as atividades da autarquia, a partir da próxima semana. A deflagração da greve, que de acordo com o Sindicato dos Servidores da Suframa (Sindframa) é iminente, será discutida em assembleia a ser realizada até esta quinta-feira (14). No entanto, a reunião servirá apenas para formalizar o que já é dado como certo entre os funcionários.

O presidente do Sindframa, Anderson Belchior, explica que a greve entrou na pauta do sindicato ontem (11), após a Medida Provisória 660/2014 ter sido vetada parcialmente pela presidente Dilma Roussef, conforme publicado no Diário oficial da União (DOU).

Entre as emendas vetadas está a que previa o reajuste e equiparação salarial dos servidores da Suframa em relação a outros funcionários da esfera federal. “Já nos reunimos extraoficialmente com servidores e convocamos uma assembleia que deve ser realizada até quinta-feira (14), mas a greve é iminente”, alertou o líder sindical.

Segundo ele, a assembleia pretende definir medidas para embasar os parlamentares no Congresso Nacional, numa tentativa de derrubar o veto e também elaborar uma resposta ao parecer presidencial. “Essa resposta possivelmente será a greve. Teremos que notificar todos os órgãos envolvidos e podemos iniciar a paralisação até a próxima semana”, projetou.

Repercussão

O presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, lamentou o veto da emenda, mas alertou para os prejuízos à produção e à geração de empregos que podem ser ocasionados pela greve. “A paralisação impacta a produção, a arrecadação estadual e principalmente a geração de empregos, além de trazer uma imagem ruim para o próprio governo federal”, ressaltou.

Segundo ele, os prejuízos devem variar de empresa para empresa. “Muitas fábricas já trabalham em um ritmo bem aquém da capacidade instalada, em função da crise. Com a greve, será mais difícil segurar a mão de obra empregada. Recursos como férias coletivas deverão ser utilizados com mais frequência”, ponderou.

Já no comércio, segundo o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL-Manaus), Ralph Assayag, os dois primeiros impactos serão a escassez de alguns produtos já nos primeiros 15 dias de greve e o aumento dos preços, em especial dos itens perecíveis. “O comércio já está pressionado pela crise e a greve só tende a agravar a situação”, avaliou.

Setor de duas rodas pode ser afetado

O setor de duas rodas que já enfrenta os impactos da crise de financiamento bancário, do desaquecimento da economia e que já concede férias coletivas para diminuir custos em suas plantas de Manaus, poderá ser um dos principais afetados, caso servidores da Suframa decidam, de fato, iniciar greve por tempo indeterminado.

A paralisação pode aumentar ainda mais as perdas do setor que, de acordo com os dados mais recentes da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), já é de 30,7% na produção, apenas em abril.

Segundo os dados divulgados ontem (11), no mês passado foram produzidas 146.902 motocicletas, 412.173 unidade a menos em relação ao mesmo período de 2014. No acumulado do ano, a retração foi de 17,4%75 motocicletas, em 2014, para 462.043, em 2015.

Blog: Marcus Evangelista, economista e Presidente do Corecon-AM

“Com a paralisação sendo confirmada, os contêineres com os insumos destinados ao PIM ficam retidos, gerando baixa produtividade e consequente escassez até mesmo de itens essenciais. Os preços que já estão altos, tendem a ficar ainda mais “salgados” para o consumidor. Sem falar da parte da social, uma vez que o desemprego, pode ser o pior resultado vindo desta situação que, lembrando, não torna ilegítima a briga dos servidores. Mas, somada a esse período instável da economia, a notícia não é agradável para ninguém. Hoje, o panorama é pior do que na paralisação anterior, mas os reflexos do veto são prejudiciais não apenas para nós como para o País”. 

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