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Cotidiano
Auditores da Receita

Indústria teme prejuízo diário de R$ 220 milhões com greve dos auditores da Receita

A perda de faturamento pode chegar a ocorrer, caso a paralisação dos auditores da Receita Federal ultrapasse duas semanas 19/07/2016 às 10:28
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Apenas 3,5% dos 400 contêineres vistoriados diariamente nas alfândegas foram liberados no primeiro dia de greve (Foto: Arquivo AC)
Juliana Geraldo

A paralisação parcial dos serviços da Receita Federal, iniciada na última quinta-feira, 14 , pode causar prejuízo diário de aproximadamente R$ 220 milhões para o Polo Industrial de Manaus (PIM). O alerta foi dado ontem pelo presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco.

O cálculo do rombo diário foi feito considerando o faturamento do parque fabril amazonense no ano passado (R$ 78,4 bilhões) e a média mensal de R$ 6,53 bilhões por mês. “Dividindo esse valor (mensal) pelo total de dias do mês podemos ter uma noção do prejuízo diário que a ausência do desembaraço das mercadorias pode trazer ao setor se ele parar totalmente por falta de insumos”, explicou.

De acordo com Périco, o polo industrial começa a correr risco real de paralisação total se as atividades dos auditores fiscais não forem retomadas integralmente em até duas semanas.

Ele lembrou que, apenas no primeiro dia de suspensão parcial, 386 contêineres de mercadorias ficaram retidos nos armazéns da Alfândega aguardando vistoria. Em uma situação de normalidade, a Receita libera diariamente 400 contêineres. “Nesse primeiro dia, liberou apenas 14. O número dá uma noção da gravidade da situação”, comentou o executivo.

Ainda segundo Périco, o volume de mercadoria retida soma-se ao movimento normal da Alfândega, que retém insumos importados para fiscalização, o que estaria ‘abarrotando’ os armazéns. “Além disso, é preciso considerar os demais prejuízos como o risco de 80 mil trabalhadores aproximadamente ficarem no ócio, o risco ao investidor, que fica reticente em fazer negócio com empresas locais e o prejuízo à sociedade, uma vez que não apenas insumos industriais como de outras naturezas também passam a sofrer com desembaraço mais lento”.

Medidas Representantes da Receita Federal no Amazonas estiveram na sede do Cieam para esclarecer os motivos da mobilização nacional dos auditores do órgão. “Não temos nenhum interesse em prejudicar o desempenho da indústria ou do comércio local. Nossa expectativa é que o acordo feito com o governo federal seja homologado o mais rápido possível para retomarmos o ritmo de nossas atividades”, justificou o presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal no Amazonas (Sindifisco Nacional-AM), José Jefferson Almeida.

Wilson Périco disse entender os motivos da categoria, mas alegou também ter a obrigação de defender o direito de seus associados. Ele informou que ainda esta semana, o órgão deve definir uma medida judicial para garantir a continuidade das atividades no PIM. “Ainda não sabemos ao certo se essa medida será um mandado de segurança, por exemplo, mas ainda nessa semana teremos essa decisão”, adiantou.

Prejuízos também para o comércio

Não é apenas o segmento industrial que começa a sentir o efeito da paralisação parcial dos auditores da Receita. O comércio local também pode ser amplamente afetado, colocando em risco empregos no setor e provocando aumento nos preços dos produtos para o consumidor final.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-Manaus), Ralph Assayag, disse que o segmento entende o pleito dos auditores, mas lamenta que outro tipo de pressão sobre o governo federal não tenha sido adotado, de forma a não causar prejuízos aos comerciantes e à classe trabalhadora.

“A greve prejudica todo o País, uma vez que o comércio aguardava produtos para serem vendidos durante as Olimpíadas. No caso do Amazonas, há o agravante da logística que torna tudo ainda mais lento”, queixou-se Assayag.

Segundo ele, o desembaraço para o setor está sendo feito dois dias na semana; nos outros, a carga segue para armazenamento. “Com a situação da economia do jeito que está, sermos obrigados a aumentar o preço dos produtos por não tê-los em quantidade na prateleira é uma ação, no mínimo, indesejável”, lamentou.

Auditores querem reajuste de 5,5%

Apenas 30% do contingente total de auditores da Receita Federal no Amazonas está atuando durante a paralisação. Estima-se que o total seja de 250 servidores atuando entre Delegacia da Receita, porto e aeroporto. Esses profissionais ‘ativos’ durante a greve fazem a liberação de parte da carga, dando prioridade aos medicamentos e materiais perecíveis. O presidente do Sindifisco-AM, Jefferson Almeida, ressaltou que o motivo da paralisação é o descumprimento de um acordo firmado e assinado com o governo federal em março deste ano que garante à categoria reajuste salarial 5,5% ao ano, durante quatro anos.

“Acontece que o trâmite que vai permitir a criação do Projeto de Lei e garantir o reajuste está parado desde março no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG). Todas as outras categorias já tiveram seus pleitos encaminhados para o Congresso Nacional para serem publicados e o nosso ficou estagnado”, criticou.

Segundo Almeida, o acordo precisa seguir ainda para a Casa Civil e aprovado pelo Congresso para, então, ser efetivado. “Esperamos que esse movimento ocorra o quanto antes”, completou.

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