Terça-feira, 23 de Abril de 2019
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Industriários das fábricas de Manaus temem demissões

Trabalhadores de fábricas do Polo Industrial de Manaus relatam baixa de produção nos últimos meses e clima de instabilidade


07/06/2012 às 15:13

Clima de insegurança e incerteza é predominante entre industriários das fábricas instaladas em Manaus. O medo é maior no setor de duas rodas, mas é identificado também nos demais segmentos.

Marivaldo Barros, por exemplo, trabalha no setor de qualidade da Nissin que fornece peças para o freio de motocicletas produzidas pela Moto Honda e Yamaha. “Nossa produção caiu muito. Trabalhávamos com 28 máquinas e hoje dez delas estão paradas”, disse. Ele só não vive o clima de incerteza, pois afirma que ocupa um cargo de confiança. Entretanto, no último mês ao menos cem funcionários da Nissin foram demitidos.

No setor de televisores, a situação não é muito diferente. O industriário Diego Braga disse que mensalmente a LG produzia cerca de 15 mil televisores e tem produzido uma média  de 8 mil unidades. “Volta e meia a insegurança bate, neste momento, tudo está tranquilo”, afirmou.

Francisco Cascais, que também trabalha na LG, disse que no setor de recebimento da fábrica coreana o volume de trabalho caiu drasticamente e isso tem preocupado os industriários. “Tenho uma família, dois filhos, temo pelo meu emprego. A demanda diminuiu tanto que é proibido fazer hora extra no meu setor”.

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Na fábrica Semp Toshiba, o clima é de mistério e incerteza. “Entre dezembro e o início do ano quase 700 industriário foram demitidos, claro que estamos com medo”, afirmou Andreia Costa. Segundo ela, a maioria destes desempregados ainda está à procura de uma nova vaga no PIM.

Ivanilson Lira, que trabalha junto com Andreia no setor de componentes da Semp Toshiba. disse que o ponto positivo é que a fábrica tem sido transparente com os colaboradores. “Mensalmente fazem uma reunião e descrevem o quadro que estão vivendo. Até sexta-feira devemos ter uma reunião referente a este mês”, afirmou.

Proatividade

Na avaliação do consultor de Recursos Humanos (RH), Carlos Oshiro, a insegurança e instabilidade atingem tanto empregados quanto empreendedores em momento de crise. “A diferença é que o empreendedor tem facilidade de assimilar risco e gosta de administrar isso. Normalmente, os colaboradores têm um perfil diferente e logo entram em pânico”, disse.

A chave para o sucesso em meio à crise, de acordo com Oshiro, é ser proativo. “A empresa não irá demitir todos os funcionários de uma só vez, então, o colaborador deve se avaliar e trabalhar de modo que mostre seu envolvimento e comprometimento e assim garanta seu espaço”.

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