Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
Informais em Manaus

Informais caem na graça do público de Manaus

Mesmo criticados por urbanistas e especialistas em trânsito, camelôs e mototaxistas crescem, aparecem e mantêm um público fiel que adora preços baixos e deslocamentos rápidos no louco trânsito de Manaus



1.png Costureira, Evelin da Costa Dourado vende calcinhas há uma semana numa esquina de Manaus e é a caçula dos quase 3 mil vendedores informais do Centro
04/08/2013 às 15:17

Duas categorias que vivem na informalidade e são frequentemente criticadas estão cada vez mais fortes e aprovadas pela população: camelôs e mototaxistas, marginalizados por uns, adorados por outros. As entidades que representam as duas atividades lembram  que se não houvesse  clientes elas  não teriam como se manter. “Se existem até hoje é porque há mercado, há pessoas que gostam e compram com a gente”, disse o presidente do Sindicato dos Camelôs, Raimundo Sena. 

Segundo Sena, a atividade informal existe desde a década de 70 em Manaus. Números oficiais mostram que existem 2,3 mil camelôs no Centro, mas na realidade o número chega a 7 mil. Para o presidente da Central Única dos Mototaxistas do Amazonas, Paulo Vitorino Falcão, o transporte de passageiros em motocicletas é uma realidade irreversível. Um total estimado de 13 mil integram a frota de Manaus. Apenas 6 mil deverão permanecer em atividade após a regulamentação pela Prefeitura de Manaus.


As duas atividades revelam histórias de pessoas que criaram os filhos, superaram dificuldades e mantém o sustento na informalidade. Um dos exemplos é o da costureira Evelin da Costa Dourado, 56, que sustenta sozinha a casa onde mora com o marido, os filhos, além da nora e do neto. Ela ingressou na atividade de camelô apenas há uma semana. É a mais nova entre os mais de três mil camelôs do Centro. Porém, há 15 anos mantém uma relação estreita com os “informais”, uma vez que, confeccionava e fornecia calcinhas e sutiãs comercializados nas bancas da avenida Eduardo Ribeiro e Sete de Setembro.

Evelin continua confeccionando as roupas íntimas em casa e vendendo para os clientes que, agora, também são colegas de atividade. A diferença é que, além de fornecer os produtos, também passou a comercializá-los em uma banca. Ela trabalha na rua Henrique Martins, quase no encontro com a avenida Eduardo Ribeiro. Evelin contou que se tornou camelô por necessidade. O marido dela está sem trabalhar formalmente há 15 anos, por motivos de doença. Desde então, Evelin passou a ser o “esteio da casa”, como ela mesma costuma dizer.  “Comecei a trabalhar aos sete anos. Nunca tive pai. Ninguém nunca me aceitou no mercado de trabalho porque não tenho estudo. Já fui babá, mas foi como costureira que sustentei e sustento minha família até hoje. Agora que sou camelô, mesmo há pouco tempo, dá para tirar um dinheiro a mais. Também tem minha nora que tem uma banca ao lado da minha e ajuda também”, disse.

Há nove anos ela perdeu tudo o que tinha num incêndio, quando  morava no bairro Educandos, Zona Sul. Conseguiu recuperar uma máquina de costura que foi suficiente para se reerguer. Evelin ensinou o marido e filhos a fazerem o acabamento de calcinhas e aumentou o volume de produção, bem como, as vendas. Hoje mora no bairro São José, na Zona Leste. Acorda às 5h e dorme a meia noite e meia. Abre a banca às 8h e fecha às 18h. A partir das 20h30 começa a costurar e só para a meia noite. “Enquanto há vida há esperança. É informal, mas é honesto. Todo mundo tem que sustentar sua família. Se não desse dinheiro para o trabalhador sustentar sua família ninguém seria camelô”, disse.

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