Terça-feira, 19 de Novembro de 2019
Notícias

Inpa implantará purificador que torna a água do rio potável em poucos segundos

Essa é a proposta do Inpa, que desenvolveu um purificador solar para reduzir o índice de doenças entre os Yanomâmi. Projeto vai ser implantado numa das 12 aldeias indígenas localizadas no município de Santa Isabel do Rio Negro



1.jpg De tamanho compacto, o purificador pesa 13 quilos, purifica até 400 litros de água por hora e utiliza energia solar e bateria
23/07/2015 às 09:51

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) implantará um purificador de água que utiliza raios ultravioleta para a desinfecção de água contaminada de rios, tornando-a potável em poucos segundos, em uma das 12 aldeias Yanomami, localizadas no município de Santa Isabel do Rio Negro (distante 630 quilômetros de Manaus).

O equipamento, que será implantado no segundo semestre de 2015, beneficiará aproximadamente 150 indígenas que enfrentam problemas graves de saúde por causa do consumo de água poluída.



O coordenador do Serviço e Cooperação com o Povo Yanomami (Secoya) - associação civil e sem fins lucrativos -, Silvio Cavuscens, e a enfermeira Sylvie Petter visitaram o Inpa na semana passada para conhecer o equipamento.

O inventor do aparelho, anteriormente nomeado “Água Box”, o pesquisador Roland Vetter, explicou o funcionamento da invenção capaz de desinfectar a água contaminada. É que os microorganismos, em contato com os raios ultravioleta tipo C, perdem a capacidade de se multiplicarem.

De acordo com o pesquisador, a luz provoca um dano fotoquímico instantâneo no material genético das microbactérias, o que causa o efeito desinfectante.

O equipamento, de tamanho compacto (pesa 13 quilos), purifica até 400 litros de água por hora, utiliza energia solar e bateria, e a vida útil da lâmpada ultravioleta é de 10 mil horas (o equivalente a três anos de duração).

O invento, agora chamado de “Ecolágua”, passou a ser disponibilizado no mercado para venda no segundo semestre de 2014, pela empresa amazonense Qluz Econergia, que assinou, em 2012, acordo de transferência da tecnologia desenvolvida pelo Inpa, por meio da Coordenação de Extensão Tecnológica e Inovação (Ceti).

A tecnologia já foi implantada em 19 comunidades do Município de Benjamim Constant, além de dez equipamentos instalados em oito aldeias indígenas. No dia 10 de julho, o Inpa instalará dois aparelhos em Nampula, no interior de Moçambique, na África.

“Estamos interessados em ajudar os indígenas da aldeia Yanomami que estão morrendo por causa do consumo de água poluída. Por isso vamos instalar o mais rápido possível uma unidade experimental do purificador de água na aldeia”, disse o pesquisador Vetter.

Expectativa

Para Cavuscens, a expectativa de instalar o purificador de água em uma das aldeias Yanomami é muito grande pelo fato de há muito anos a Secoya estar buscando soluções para reduzir a questão da desnutrição materno-infantil. “Outros problemas de saúde estão afetando a saúde dos Yanomami por conta da má qualidade da água consumida pelos indígenas”, diz o coordenador da associação. “Para nós, este invento do Inpa é um achado porque é uma solução de baixo custo e de fácil implantação, o que permitirá aos indígenas ganharem qualidade de vida”, acrescentou.

Conscientização

Há quatro anos, a Secoya iniciou um programa de educação em saúde junto aos yanomâmi no Amazonas, que permite envolver a população na resolução preventiva dos problemas de saúde que atingem a comunidade indígena. O programa vem sendo desenvolvido mediante três vertentes principais: trabalho de prevenção, controle social e valorização da saúde tradicional.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.