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INSS admite lentidão nas perícias médicas

Faltam médicos peritos para dar conta da demanda dos trabalhadores afastados por doenças ocupacionais no Estado 01/06/2013 às 10:23
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Houve menos trabalhadores no protesto do que o número inicialmente estimado por Cícero Custódio, do Sintracomec
acritica.com ---

Pressionado por trabalhadores que ontem se reuniram para protestar contra a lentidão na realização de perícia médica e na concessão de benefícios pagos em decorrência de afastamentos por doenças ocupacionais, a direção local do Instituto Nacional de Seguridade Social admitiu que padece com a falta de médicos. Negou, porém, a suspeita levantada pelos trabalhadores de que o problema ocorreu para beneficiar, talvez, as empresas (ver box).

De acordo com o médico do trabalho Evandro Miola, o serviço de perícia médica no INSS é um gargalo que afeta todo o País, não apenas o Amazonas “Para dar conta da demanda existente no Estado, o INSS precisaria ter em seu quadro de pessoal 60 médicos a mais do que possui atualmente”, disse Miola.

Atualmente, o INSS-AM possui 40 peritos, divididos em duas gerências executivas: Manaus e Tefé. Miola informa que isso acontece por diversos fatores, entre eles, a pouca atratividade na carreira.

Segundo o gerente-executivo do INSS-AM, Iracemo da Costa, há um concurso público em vigência, a previsão é que na próxima semana sejam chamados apenas cinco peritos. “Vai ajudar, mas ainda é um número distante para contribuir para a redução na fila”, explica.

Protesto

“Precisamos achar uma solução para isso, porque milhares de trabalhadores sofrem para conseguir o benefício. Há casos que demoram até 120 dias e o trabalhador não tem como ficar parado em casa, sem dinheiro do benefício”, disse Cícero Custódio, presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias da Construção Civil no Amazonas (Sintracomec-AM).

Na quinta-feira, Custódio havia anunciado a mobilização de até 3 mil trabalhadores, para fazerem um “barulhaço” na frente da sede do INSS-AM, mas não apareceram mais do que 50 deles para o protesto.

O sindicalista afirma que mais de 70 mil trabalhadores, em todo o Estado, estão “encostados”, muitos ainda em seus próprios postos de trabalho, mesmo doente.

É o caso da operadora de produção Suelen Nascimento, 25, que ficou afastada por dois anos, por conta de tendinite, bursite e síndrome do túnel do carpo, mas há duas semanas voltou a trabalhar. “Tenho laudos médicos, tenho exames, mas os peritos dizem que tenho condições de trabalhar”, conta.

A mesma situação aconteceu com a Misleia Fernandes, 28, que acrescenta doente ainda sofreu com a indiferença da empresa. “Eles não dão nenhum apoio, muito pelo contrário, a gente passa mal, passa por constrangimento, porque eles que a gente produza a mesma quantidade do que antes e não tem como”, critica.

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