Quarta-feira, 26 de Junho de 2019
Notícias

Intercâmbio aproxima culturas de alunos estrangeiros que escolheram Manaus para estudar

Doze candidatos aprovados na última seleção do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) estudam a língua portuguesa na Ufam



1.jpg Atualmente, 34 estudantes estrangeiros participam do programa de intercâmbio da Ufam, onde eles passam por um curso de proeficiência em língua portuguesa antes de iniciarem os estudos na área específica
03/05/2015 às 21:25

Com muita vontade de vencer na vida, eles enfrentam desafios, mudanças e saudades. Assim vivem os estudantes estrangeiros que moram em Manaus. A maioria é de países emergentes da África e América Latina e todos carregam na bagagem o sonho de voltar para a terra natal e poder transformar a vida por meio do conhecimento adquirido no Brasil.

“Meu primeiro sonho é de ajudar o meu povo. Mas antes quero ficar no Brasil, que foi o País me ofereceu os estudos, e retribuir um pouco do que vou receber aqui. Gosto muito das pessoas”, declarou Stephen Amanor, 22, que saiu de Acra, capital de Gana, para estudar português na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Stephen é um dos 500 candidatos aprovados na última seleção do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) e faz parte de um grupo de 12 estudantes que vieram para Manaus neste ano. O português ainda não é fluente, afinal de contas, ele está há apenas dois meses no Brasil e falou durante toda a vida o idioma inglês.

“Me inscrevi no programa para estudar Ciência Política. Se eu for aprovado no exame de proficiência em português, irei para o Rio de Janeiro fazer a minha graduação. Tudo vai depender, também, das condições de vida aqui no Brasil”, conta o carismático Stephen, que se diz apaixonado por política. “Quero estudar para tentar entender e mudar a situção”, completa.

Os participantes do programa passam por um rigoroso processo de seleção. Aqueles com as melhores notas e méritos acumulados conseguem vagas em universidades brasileiras conveniadas com o PEC-G. Em contrapartida, devem atender a alguns critérios, entre eles provar que são capazes de custear suas despesas no Brasil.

‘África ocidental’

Do Senegal, o estudante Mouhamadou Coulibaly, 26, também participa, há dois meses, do curso de língua portuguesa. Ele precisa do Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (Celpe-Bras) para fazer mestrado em Sistema de Informação pela Ufam e, por isso, se esforça bastante.

“O Brasil é um País que está se desenvolvendo muito neste setor. Às vezes eu acho que é melhor ficar aqui para seguir os estudos e fazer doutorado. E só depois voltar para meu país para ser empresário, abrir um negócio próprio. Aqui ainda é um lugar para prosperar”, revela.

“Mouha”, como é chamado pelos colegas da faculdade, não sabia falar uma palavra em português. “Eu só falava francês. Estudo bastante durante nas aulas e em casa porque sei que vou precisar passar por uma prova para continuar estudando aqui em Manaus”.

‘El salvador’

 O casal Alan Contreras, 25, e Jacqueline Orellana, 24, participou do certame para mestrado em química na Ufam e foi aprovado. “Vimos em Manaus uma oportunidade de seguir carreira acadêmica. É uma chance única. No nosso país fazer mestrado nos custaria, em reais, algo em torno de 17 mil. As pessoas acham que as vagas oferecidas pela Ufam são poucas, mas para nós é muito”, ressaltou Jacqueline.

Programa atende 34 ‘gringos’

O Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) oferece oportunidades de formação superior a cidadãos de países em desenvolvimento com os quais o Brasil mantém acordos educacionais e culturais. Na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), 34 estudantes estrangeiros fazem parte do programa.

Antes da graduação, eles cursam seis meses de língua portuguesa como idioma estrangeiro, com aulas ministradas todos os dias. Na Ufam, participam estudantes da Angola, Barbados, Benim, Gana, Haiti, Quênia, Senegal e Costa do Marfim.

Desenvolvido pelos ministérios das Relações Exteriores e da Educação, em parceria com universidades públicas - federais e estaduais - e particulares, o PEC-G seleciona estrangeiros, entre 18 e preferencialmente até 23 anos, com ensino médio completo, para realizar estudos de graduação no País. O aluno estrangeiro selecionado cursa gratuitamente a graduação.

Os acordos determinam a adoção, pelo aluno, do compromisso de regressar ao seu país e contribuir com a área na qual se graduou.

Saudosismo estreita laços

A saudade de casa, dos amigos e da comida da terra natal facilitam o convívio e fazem com que estudantes criem laços de amizades com colegas de outros países que também estão passando pela mesma experiência. No grupo de amigos, só é permitido falar em português.

Análise: Rebeca Monteiro, Professora de português para estrangeiros

“É preciso dedicação”

A maioria dos estudantes vem para o Brasil com o objetivo de fazer uma faculdade, voltar e contribuir com o país deles, tendo um melhor rendimento salarial para ajudar a família. Outros vêm, se encantam e querem continuar aqui. Cada um tem uma perspectiva diferente e a minha maior alegria é quando sai o resultado Celpe-Bras (exame de proficiência) e a gente vê que eles conseguiram, que estão fazendo amizades e que conseguem se comunicar sem problema nenhum. É muito diferente a forma como se aprende o português na graduação da forma como se ensina a língua para estrangeiros. Eles chegam aqui totalmente ‘crus’, sem saber falar ‘oi’. Nosso curso é intensivo e a gente trabalha quatro horas por dia. É bem puxado pra eles, pois não trabalhamos só regras gramaticais. O desafio é muito grande, mas a maioria consegue passar no exame. A prova é complexa, então é preciso muitas dedicação e esforço por parte deles”.


Receba Novidades

* campo obrigatório

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.