Garimpo

'Interesse do governo não é dar prioridade aos indígenas', diz vice-presidente da Foirn

Nildo Tukano, relatou que os município de São Gabriel da Cacheira e Santa Izabel do Rio Negro sempre foram ameaçados pelo garimpo e em todos os governos houve arranjos para liberar a mineração

Giovanna Marinho
20/12/2021 às 22:35.
Atualizado em 08/03/2022 às 19:11

(Foto: Greenpeace)

O vice-Presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn),  Nildo Tukano, relatou que os município de São Gabriel da Cacheira e Santa Izabel do Rio Negro sempre foram ameaçados pelo garimpo e em todos os governos houve arranjos para liberar a mineração. Ele denuncia que  pessoas autodeclaradas lideranças comunitárias têm se articulado junto a lobistas que os financiam para defenderem os interesses das mineradoras.

A autorização para que  sete mineradoras pudessem explorar e realizar pesquisas nas proximidades de Terras Indígenas (TI), assinadas pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, está sendo contestada pelo deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) e o senador Jorge Kajuru (Podemos-GO) no Supremo Tribunal Federa (STF).

Nildo afirma ainda que o interesse do governo não é dar prioridade aos indígenas, mas favorecer grupos econômicos e completa indicando que não há conversação com os povos indígenas, inclusive dos representantes do Amazonas no Congresso Nacional.   

“Tem pessoas que se autodenominam lideranças, mas que algum tempo saíram da sua comunidade e vivem nessas cidades por ai fazendo barulho mas não são mais moradores. Eles vão lá aproveitam alguns grupos de empresários que o apoiam de forma financeira e eles acabam se intitulado representante e discutindo lá nos gabinetes nesses governos ai”, afirmou o vice-presidente.

“Essa é a maior dificuldade com essa temática. Em nenhum momento foi feito esse trabalho. Não houve nenhum contato e nenhuma articulação. Ninguém veio aqui discutir essa proposta. A gente não teve essa relação de discussão também com a bancada do Amazonas até aqui”, completou.

Nota do Ministério Público

O Ministério Público Federal acompanha o caso por meio de procedimento administrativo e já requisitou à Agência Nacional de Mineração (ANM) uma série de documentos referentes a possíveis assentimentos prévios para mineração na região de São Gabriel da Cachoeira, expedidos pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. 

Vale ressaltar que há uma decisão liminar vigente, obtida pelo MPF por meio de ação civil pública, que impede a ANM de expedir quaisquer autorizações para atividades relacionadas a mineração em terras indígenas em todo o Amazonas, com previsão de multa em caso de descumprimento.

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