Terça-feira, 18 de Maio de 2021
Doença de chagas

Interior em alerta: Ipixuna já registra 22 casos suspeitos de Doença de Chagas

O consumo de açaí manipulado de maneira inadequada é uma das principais formas de transmissão da doença



image_9392C027-55AD-4000-A715-B865A1E6EDC5.jpg Foto: Reprodução / Internet
14/04/2021 às 07:45

No município de Ipixuna (distante 1.367 quilômetros de Manaus), foram registrados nesta terça-feira (13/04), quatro casos da Doença de Chagas e 22 seguem em investigação. Os casos confirmados são de pessoas com parentesco, no qual consumiram açaí de fabricação própria. Segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), entre 2019 e 2021, foram confirmados 37 casos da doença, sendo 28 no interior do estado e nove em Manaus.  

Com a confirmação dos primeiros casos no ultimo sábado (10/04), o município entrou em alerta, sendo enviada ao município uma equipe de técnicos da Fundação de Vigilância e Saúde (FVS-AM) e da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) a fim de respostas para o bloqueio da doença.



De acordo com o chefe do Departamento de Vigilância Ambiental e Controle Vetorial (DVA-FVS), Elder Figueira, mesmo com apenas quatro casos de pessoas contaminadas confirmadas, a situação epidemiológica em Ipixuna já é considerada de surto. “Quando não há transmissão da doença e quando há transmissão de casos, mesmo sendo apenas um isolado, já pode iniciar um surto. Já são 22 casos em investigação, é um alerta importante de que está ocorrendo uma transmissão e que deve ser bloqueada o mais rápido possível”, explica.

O Amazonas não enfrentava um surto da doença desde 2019, com a contaminação por meio do consumo de suco de patauá, procedentes da comunidade rural do município de Barreirinha. No mesmo ano, o município de Uarini apresentou 15 casos confirmados da doença, no qual a fonte de contaminação foi por ingestão de açaí.

Transmissão

A transmissão da Doença de Chagas é provocada pelo parasita Trypanossoma cruzi, por meio da picada dos insetos vetores, chamados barbeiros, porém no Amazonas também pode ser transmitida por via oral através da ingestão de alimentos contaminados com os parasitas presentes nas fezes dos insetos.

Segundo o médico infectologista da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Jorge Guerra, a principal forma de transmissão da doença se dá por meio de ingestão de suco de açaí contaminado, acontecendo geralmente em áreas rurais.

“O principal cuidado deve ser tomado na hora do preparo de sucos de açaí, cana de açúcar, buriti e bacaba, pois os riscos de contaminação de alimentos acontecem principalmente se manipulados de forma inadequada e mal conservada. Então, às condições de higiene dos manipuladores do fruto ou do local de venda devem ser levadas em consideração”, ressaltou.

Sintomas

Quando contaminado, a pessoa doente pode apresentar um quadro de febre constante, inicialmente elevada, diarreia, vômito, dores de cabeça e musculares. Podendo evoluir, com manifestações cardíacas, além do comprometimento do fígado e baço, caso não seja diagnosticado inicialmente.

O diagnóstico precoce e o tratamento imediato previnem as formas crônicas da doença e a ocorrência de óbitos. A FVS-AM realiza de forma sistemática o treinamento dos microscopistas da malária para que também realizem o diagnóstico oportuno para Chagas. O tratamento da doença é disponibilizado em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Repórter de A Crítica

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