Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
Notícias

Internos de clínica de reabilitação química viviam com alimentação vencida há meses

Pacientes com fisionomia abatida, aparentemente cansados e mal tratados foram emcontrados pelo MPE-AM no Centro de Tratamento em Adicções em Álcool e Drogas (Centrad), em Manaus



1.jpg Quatro pessoas foram resgatadas e o responsável pela instituição, conhecido como "Arakem", foi detido e encaminhado para a delegacia para prestar esclarecimento
03/02/2015 às 09:49

Vivendo em lugar insalubre, sem a mínima condição para morar, nem receber tratamento adequado, muitas vezes sendo exploradas e até recebendo punições, caso não realizasse o que era determinado, quatro pessoas que faziam tratamento para dependência química foram resgatadas pelo Ministério Público Estadual (MPE) no Centro de Tratamento em Adicções em Álcool e Drogas (Centrad), na manhã de ontem. A clínica, segundo o MPE, era para estar desativada.

No local foi encontrado pacientes com fisionomia abatida, aparentemente cansados e mal tratados. Como o paciente Adil Queiroz Batista, 41, que de acordo com a equipe psicossocial do MPE estava há mais de um ano na clínica. Ele é dependente em cocaína e álcool desde os quinze anos e foi encontrado fazendo a primeira refeição do dia às 10h. Adil também tem problemas psiquiátricos e comia um salgado de milho e um copo de refrigerante. “Eles não têm uma alimentação correta, a comida aqui é feita com produtos vencidos há mais de um ano e armazenados da pior forma possível, no chão e no meio da sujeira”, disse a funcionaria do MPE Elaine Elamid.

Na cozinha da clínica estava Manoel Guimarães de Lima, 59. Ele relatou que antes havia 32 pessoas morando no local e semana passada eram doze. Todos trabalhavam e se não fizesse o que era pedido pegava punições, como trabalhar realizando serviço de roçado fora da clínica, além de ficar sem uma alimentação do dia. “Eu tenho família, mas eles me deixaram aqui. Ainda falo com eles, mas acho que não me querem por perto”, disse. Manoel ainda relatou que cozinhava na clínica. “Aqui temos que comer, então eu assumir a cozinha. Fiquei como cozinheiro do local, pela manhã faço o almoço e à tarde estou reformando o banheiro”, relatou Manoel.

A promotora da 54º Promotoria de Justiça e Proteção dos Direitos Constitucionais do Cidadão, do MPE Cláudia Câmara informou que os familiares dos internos chegam a pagar de R$ 300 a R$ 800 por mês à instituição. “Viemos fazer o resgate das pessoas e tirá-las da condição desumana que elas estão vivendo, além de garantir um tratamento digno”, disse Cláudia. O Centro é declarado por Aderson Ferreira, o “Araquém” como uma instituição fechada, mas ainda recebe pagamento de interessados em se tratar do vício de álcool e drogas, segundo os próprios internos.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.