Domingo, 23 de Janeiro de 2022
ESTUDO

Invasão monitorada: saiba como foi possível identificar as balsas de garimpeiros no Rio Madeira

Antes mesmo de a invasão de balsas para garimpo no rio Madeira se tornar pública, satélites já identificavam ao menos 151 embarcações em um trecho do rio



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07/12/2021 às 14:52

Um mês antes da constatação pública de que centenas de embarcações invadiam o Rio Madeira para extração ilegal de ouro, já era possível observar 151 balsas de garimpo em um trecho do rio. A informação é do projeto MapBiomas, que divulgou nota técnica para explicar como é possível monitorar e combater o garimpo ilegal na Amazônia.

De acordo com o MapBiomas, o Brasil possui tecnologia pública, gratuita e apropriada ao monitoramento da dinâmica de balsas garimpeiras na Amazônia, bem como ao longo do rio Madeira. “Somos um dos países que melhor monitora seu território, em diferentes recortes do tempo e do espaço, atendendo a diferentes necessidades da sociedade civil, da academia ou do mercado financeiro”, afirmou em nota.



O monitoramento só é possível graças ao uso de satélites nacionais e internacionais, sejam eles públicos ou privados. Entre os satélites brasileiros estão o CBERS-4A e o AMAZÔNIA-1, ambos desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo o MapBiomas, foram as imagens do satélite brasileiro CBERS-4A que identificaram as mais de 151 balsas aglomeradas em um trecho do rio Madeira antes mesmo de o caso vir à público.

“No dia 25 de Outubro de 2021, mais de um mês antes da operação deflagrada no dia 27 de Novembro pela Policia Federal, Forças Armadas e Ibama, para conter a mineração ilegal nas águas do rio Madeira, as imagens do satélite público de maior resolução espacial do planeta, o brasileiro CBERS-4A, do Inpe, já mostravam mais de 151 balsas aglomeradas em trecho do rio Madeira”,  destaca a nota.


Em 25 Outubro/2021, um mês antes da constatação pública do conglomerado de balsas (24/Novembro), já era possível observá-las no rio Madeira.

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Conforme levantamento do MapBiomas, o Brasil possui  viabilidade técnica para identificar as balsas de garimpo, mas atualmente não há quase nenhuma ação dos órgãos reguladores no combate e controle dessas ilegalidades. O levantamento destaca ainda que, as imagens captadas pelos satélites são capazes de auxiliar tanto na fiscalização como no combate e controle dos ilícitos ambientais. 

“No episódio do rio Madeira, divulgado pela mídia no dia 24 de novembro de 2021, com mais de 300 balsas garimpeiras identificadas, o que assusta não é a técnica, mas a escala, a forma ‘consorciada’ de operar e a ‘convicção’ da impunidade frente à ilegalidade”, destaca outra trecho da nota. 

Segundo a plataforma MapBiomas, as áreas de garimpos terrestres na bacia do rio Madeira saltaram de 3.753 ha em 2007 para 9.660 ha em 2020, uma expansão de 5.907 hectares, o que equivale a mais 8.200 campos de futebol. 

O garimpo ilegal na Amazônia tanto terrestre quanto em rios tem crescido nos últimos anos e não é novidade. Mas, sem monitoramento efetivo pelas autoridades, a atividade garimpeira ilegal continuará ganhando os rios amazônicos apesar dos aparatos tecnológicos que o país possui.


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