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Invasores vão manter ocupação de terreno na rodovia Manoel Urbano (AM-070)

São mais de 20 mil pessoas que têm até hoje para cumprir determinação e deixar propriedade 03/09/2013 às 08:56
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Sabá Castilho, que se diz cacique da etnia kokama, reclama que prefeitura nunca tentou um acordo com invasores
CAROLINA SILVA ---

As mais de 20 mil pessoas que ocupam um terreno particular de pelo menos 50 mil metros quadrados entre os quilômetros 4 e 6 da rodovia Manoel Urbano (AM-070) se recusam deixar o local mesmo com uma decisão judicial determinando a saída deles. A liminar de reintegração de posse foi expedida na tarde de sexta-feira(30) e deu um prazo de 72 horas para os invasores deixarem o terreno.

Entres os ocupantes, a estimativa é de que seis mil são indígenas de etnias como Miranha, Kokama, Tikuna, Kambeba e Munduruku. De acordo com o cacique Sabá Castilho Kokama o número de invasores é de pouco mais de 22 mil pessoas.

Ele reclama da falta de tentativas de diálogo por parte da Prefeitura de Iranduba com os invasores e por isso se recusam a sair do local. “Queremos uma justiça correta e não do jeito como estão fazendo, dizendo apenas que temos que sair. Eles não chegam aqui para ouvir o nosso lado”, disse o cacique.

Os invasores tinham até ontem para saírem do local sem o uso da força da polícia. Mas pela manhã, A CRÍTICA esteve no local, com a autorização do cacique, e constatou que não havia movimentação de pessoas saindo terreno. No local, inclusive, um grupo de homens trabalhavam na construção de uma oca (típica habitação indígena).

A Prefeitura de Iranduba informou, por meio da assessoria, que “apenas está cumprindo a lei” e que por isso não há como dialogar para que os invasores continuem no terreno. Também informou a reintegração de posse vai ocorrer a partir de 10h de hoje. Um contingente de pelo menos 500 homens da do Batalhão de Choque da Polícia Militar e do Batalhão Ambiental devem executar a reintegração de posse do terreno.

“Se parte das terras é da União, queremos nosso direito”, disparou Sabá Kokama.

Degradação ambiental é preocupante

A degradação ambiental no terreno invadido é a maior preocupação das autoridades. No entanto, o cacique Sabá Castilho Kokama denuncia que a área estava degradada quando os invasores começaram a ocupá-la.

“Se nós estivéssemos desmatando aqui para ficarmos ainda ainda não estaria toda essa área desmatada, pois não temos máquinas e nem outras ferramentas, apenas foice e nossos arcos e flechas”, argumentou.

Um dos indígenas, que preferiu não se identificar, levou a equipe de reportagem de A CRÍTICA a uma parte do terreno que foi desmatado por um grileiro chamado por “Gaúcho”. Os ocupantes falam que ele se aproveitou da presença dos invasores para abrir uma estrada de barro com máquinas e demarcar um pedaço de terra.

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