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Iranianos dançam 'Happy' e são condenados a levar chicotadas e seis meses na prisão

Sete jovens do país asiático estão presos desde maio de 2014 após terem aparecido em um vídeo dançando e cantando a música. Polícia diz que vídeo é 'vulgar' e 'ofende a castidade pública' 19/09/2014 às 21:33
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Os sete jovens: Sassan Soleimani, Reyhaneh Taravati, Neda Motameni, Afshin Sohrabi, Bardia Moradi, Roham Shamekhi e ‘Sepideh’
Anistia Internacional Brasília (DF)

Autoridades iranianas condenaram sete pessoas por fazerem uma versão caseira do videoclipe da música “Happy”, de Pharrell Williams, revelando seu nível de desprezo pela liberdade de expressão, segundo a Anistia Internacional.

Seis daqueles que aparecem no vídeo foram condenados a seis meses de prisão, e um sétimo foi condenado a um ano, disse um dos advogados em entrevista à imprensa. Além disso, todos os sete foram condenados a 91 chicotadas. As sentenças estão suspensas por três anos.

“Com essas sentenças, o absurdo une-se ao injusto. Se confirmadas, seriam um resultado ridículo; essas pessoas serão consideradas criminosas e condenadas simplesmente por fazerem um vídeo celebrando a felicidade. Os jovens não deveriam ter ido até a TV estatal para ‘confessar’ o crime nem serem levados a julgamento”, disse Hassiba Hadj Sahraoui, diretora da Anistia Internacional para o Oriente Médio e Norte da África.

“Essas condenações são um desrespeito flagrante à obrigação do Irã de respeitar o direito à liberdade de expressão. Se as sentenças forem consolidadas, esses indivíduos serão presos de consciência.”

As sentenças que são suspensas normalmente não são retomadas no Irã, a menos que o indivíduo seja condenado por certos crimes, tais quais qesas (castigo equivalente ao delito cometido) ou hodoud (delitos e castigos estipulados pela lei islâmica), durante um período especificado pelo tribunal – nesse caso, três anos. No entanto, eles ainda continuam sob ameaça de prisão. Chicotadas violam todas e quaisquer proibições de tortura e outros tipos cruéis de punição. As sentenças ainda não foram comunicadas por escrito aos advogados.

Os sete iranianos – três mulheres e quatro homens – foram condenados por “participação na produção de um videoclipe vulgar” e de “relações ilícitas entre os membros do grupo”, após o seu julgamento, em 9 de setembro. O advogado do caso afirmou que não sabe se eles vão recorrer da sentença.

Os sete estão presos desde maio de 2014 depois de aparecerem em um vídeo dançando e cantando “Happy”, uma canção que inspirou centenas de pessoas a fazerem vídeos similares de tributo por todo o mundo. O vídeo foi filmado nas ruas e nos telhados de Teerã. As mulheres aparecem sem o véu, que é de uso obrigatório no país desde 1981.

A polícia disse que o vídeo, “vulgar”, ofendia a “castidade pública”. Logo após as prisões, a TV estatal iraniana botou no ar a “confissão” dos réus, na qual eles dizem que foram enganados para produzir o vídeo, pois acreditavam que era para um teste.

Contexto

Os sete jovens se chamam Sassan Soleimani, Reyhaneh Taravati, Neda Motameni, Afshin Sohrabi, Bardia Moradi, Roham Shamekhi e ‘Sepideh’.

Além disso, Sassan Soleimani foi condenado por dirigir o vídeo. Reyhaneh Taravati foi condenada por portar álcool em sua casa, e por colocar o vídeo no YouTube.

As prisões motivaram uma campanha no Twitter pela liberdade dos sete com a hashtag #freehappyiranians

No dia 21 de maio de 2014, a conta semioficial do presidente Hassan Rouhani citou uma declaração dele de 2013, “#felicidade é um direito do nosso povo. Não devemos ser muito duros com comportamentos causados por alegria”. O Tweet foi interpretado por muitos como uma referência às prisões.


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