Quinta-feira, 02 de Julho de 2020
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Iranianos dançam 'Happy' e são condenados a levar chicotadas e seis meses na prisão

Sete jovens do país asiático estão presos desde maio de 2014 após terem aparecido em um vídeo dançando e cantando a música. Polícia diz que vídeo é 'vulgar' e 'ofende a castidade pública'



1.jpg Os sete jovens: Sassan Soleimani, Reyhaneh Taravati, Neda Motameni, Afshin Sohrabi, Bardia Moradi, Roham Shamekhi e ‘Sepideh’
19/09/2014 às 21:33

Autoridades iranianas condenaram sete pessoas por fazerem uma versão caseira do videoclipe da música “Happy”, de Pharrell Williams, revelando seu nível de desprezo pela liberdade de expressão, segundo a Anistia Internacional.

Seis daqueles que aparecem no vídeo foram condenados a seis meses de prisão, e um sétimo foi condenado a um ano, disse um dos advogados em entrevista à imprensa. Além disso, todos os sete foram condenados a 91 chicotadas. As sentenças estão suspensas por três anos.



“Com essas sentenças, o absurdo une-se ao injusto. Se confirmadas, seriam um resultado ridículo; essas pessoas serão consideradas criminosas e condenadas simplesmente por fazerem um vídeo celebrando a felicidade. Os jovens não deveriam ter ido até a TV estatal para ‘confessar’ o crime nem serem levados a julgamento”, disse Hassiba Hadj Sahraoui, diretora da Anistia Internacional para o Oriente Médio e Norte da África.

“Essas condenações são um desrespeito flagrante à obrigação do Irã de respeitar o direito à liberdade de expressão. Se as sentenças forem consolidadas, esses indivíduos serão presos de consciência.”

As sentenças que são suspensas normalmente não são retomadas no Irã, a menos que o indivíduo seja condenado por certos crimes, tais quais qesas (castigo equivalente ao delito cometido) ou hodoud (delitos e castigos estipulados pela lei islâmica), durante um período especificado pelo tribunal – nesse caso, três anos. No entanto, eles ainda continuam sob ameaça de prisão. Chicotadas violam todas e quaisquer proibições de tortura e outros tipos cruéis de punição. As sentenças ainda não foram comunicadas por escrito aos advogados.

Os sete iranianos – três mulheres e quatro homens – foram condenados por “participação na produção de um videoclipe vulgar” e de “relações ilícitas entre os membros do grupo”, após o seu julgamento, em 9 de setembro. O advogado do caso afirmou que não sabe se eles vão recorrer da sentença.

Os sete estão presos desde maio de 2014 depois de aparecerem em um vídeo dançando e cantando “Happy”, uma canção que inspirou centenas de pessoas a fazerem vídeos similares de tributo por todo o mundo. O vídeo foi filmado nas ruas e nos telhados de Teerã. As mulheres aparecem sem o véu, que é de uso obrigatório no país desde 1981.

A polícia disse que o vídeo, “vulgar”, ofendia a “castidade pública”. Logo após as prisões, a TV estatal iraniana botou no ar a “confissão” dos réus, na qual eles dizem que foram enganados para produzir o vídeo, pois acreditavam que era para um teste.

Contexto

Os sete jovens se chamam Sassan Soleimani, Reyhaneh Taravati, Neda Motameni, Afshin Sohrabi, Bardia Moradi, Roham Shamekhi e ‘Sepideh’.

Além disso, Sassan Soleimani foi condenado por dirigir o vídeo. Reyhaneh Taravati foi condenada por portar álcool em sua casa, e por colocar o vídeo no YouTube.

As prisões motivaram uma campanha no Twitter pela liberdade dos sete com a hashtag #freehappyiranians

No dia 21 de maio de 2014, a conta semioficial do presidente Hassan Rouhani citou uma declaração dele de 2013, “#felicidade é um direito do nosso povo. Não devemos ser muito duros com comportamentos causados por alegria”. O Tweet foi interpretado por muitos como uma referência às prisões.



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