Sábado, 25 de Maio de 2019
MAUS CAMINHOS

Irmão de José Melo agia como intermediário do ex-governador com Mouhamad Moustafa

Segundo o MPF, também foram constatadas movimentações financeiras incompatíveis com a renda do ex-governador



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Foto: Arquivo A Crítica
21/12/2017 às 12:36

O irmão do ex-governador José Melo (Pros), Evandro Melo, ex-secretário de Administração e Gestão do Amazonas, agia como um intermediário entre o chefe-maior do Estado e o médico e empresário Mouhamad Moustafa, apontado como líder da quadrilha que desviava verbas da Saúde do Amazonas. A informação é do Ministério Público Federal (MPF), também participante da terceira fase da operação “Maus Caminho”, a “Estado de Calamidade”, deflagrada pela Polícia Federal hoje no Amazonas.

José Melo foi preso hoje pela PF e, na semana passada, Evandro Melo também foi preso na segunda fase da “Maus Caminhos”, a “Custo Político”, com alvo em ex-secretários do Amazonas acusados de receberem propina de recursos públicos desviados da Saúde. A Controladoria-Geral da União (CGU) também participou das operações.

Movimentação atípica

Segundo o MPF, conforme relatório de inteligência do Ministério da Fazenda, foram constatadas movimentações financeiras incompatíveis com a renda do ex-governador, tendo sido detectados indícios de ilicitudes, como realização de saques e depósitos em valor atípico em relação à atividade econômica ou capacidade financeira de José Melo, saques em espécie em contas receptoras de transferências eletrônicas de várias origens em curto espaço de tempo, além de movimentação reiterada de recursos de alto valor em benefício de terceiros.

Análises realizadas pela CGU também indicaram um aumento do patrimônio de José Melo considerado incompatível com a renda dele, tendo em vista que o salário mensal de um governador na época era de R$ 30 mil. Nota técnica da CGU apontou ainda indícios de enriquecimento de José Melo, especialmente em virtude da aquisição de um imóvel de alto valor, avaliado em cerca de R$ 7 milhões, além de reformas vultuosas em sítio também de sua propriedade.

Pedido do ‘velhinho’

A PF interceptou um diálogo entre Mouhamad Moustafa e a advogada Priscila Marcolino, também denunciada no esquema de desvios na Saúde, em que ele pedia a ela um saque R$ 200 mil para que Mouhamad ficasse com R$ 500 mil em casa, pois havia recebido um pedido direto do “velhinho”, termo utilizado por ele para se referir a José Melo. Em outra ocasião, utilizando aplicativo de mensagens, Mouhamad pede novamente à Priscila que realize um saque, pois o “Gov e o irmão” estavam implorando pelo recebimento de uma quantia de R$ 80 mil.

Custo Político

Além de Evandro Melo, também foram presos na Operação Custo Político, deflagrada no último dia 13 de dezembro, os dois ex-secretários de Saúde, Wilson Alecrim e Pedro Elias, o ex-secretário de Fazenda Afonso Lobo e o ex-secretário de Casa Civil Raul Zaidan, entre outros. Mouhamad Moustafa, principal alvo da primeira fase da Maus Caminhos, também foi preso.

Maus Caminhos

A operação Maus Caminhos foi deflagrada pela primeira vez em setembro de 2016 com foco em desmantelar uma quadrilha especializada em desviar recursos públicos do Fundo Estadual de Saúde do Amazonas através de contratos com empresas terceirizadas, sendo a principal operadora do esquema o Instituto Novos Caminhos (INC), de propriedade de Mouhamad Moustafa e que inspirou o nome da operação. Na época, a PF afirmou que mais de R$ 110 milhões foram desviados.

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