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Cotidiano
Carreira multifuncional

'Job rotation' permite ao colaborador ganhar novas experiências na empresa

A experiência pode ser voluntária ou sob demanda - através de processos seletivos internos - tendo como critério o perfil que o profissional demonstra 31/07/2016 às 05:00
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O job rotation permite ao profissional ganhar novos conhecimentos, experiências e desafios diferenciados, o colocando em posição privilegiada entre os demais. (Reprodução)
Cinthia Guimarães Manaus (AM)

Generalistas ou especialistas? O que o mercado de trabalho está demandando? Em um mundo que busca profissionais com conhecimentos mais específicos, ser flexível, estar em constante aprendizado e ser capaz de transitar em várias áreas é uma vantagem e tanto para o mercado de trabalho.

Algumas organizações adotam o  conceito de carreira multifuncional, chamado de “On the job” ou “job rotation”, que consiste em fazer o colaborador passar por diversas áreas da empresa por um determinado período de tempo para entender o funcionamento da organização como um todo. Dessa forma, um funcionário recém-chegado à empresa passa um tempo trabalhando na área financeira, no marketing, vendas, produção, entre outros setores que houverem na empresa contratante. 

A experiência pode ser voluntária ou sob demanda - através de processos seletivos internos - tendo como critério o perfil que o profissional demonstra.

Empresas nacionais e multinacionais de diferentes como a Ambev (bebidas), a Tim (telecomunicações), a Estácio (educação) e a Whirlpool (eletrodomésticos) adotam o job rotation como estratégia para incentivar o colaborador a desenvolver várias vertentes de sua carreira

O job rotation permite ao profissional ganhar novos conhecimentos, experiências e desafios diferenciados, o colocando em posição privilegiada entre os demais, explica o diretor da Estácio Manaus, Roberto Santos, que analisa o desempenho do colaborador por um instrumento chamado trilha de formação.

A Whirlpool Latin America, dona das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, adota a filosofia de que todo colaborador é um líder e motorista de sua carreira. Os instrumentos usados internamente são migração de área e capacitações, o que possibilita ao profissional galgar cargos de liderança dentro da organização. “A ideia da carreira multifuncional é justamente a de que não existe uma formação específica para assumir um determinado cargo”, destaca a diretora sênior de RH da empresa, Andrea Clemente. Um exemplo é o vice-presidente de Vendas e Marketing, Paulo Miri, que ingressou na companhia em 2003, pelo programa Gerente Trainee.

A Ambev aposta na estratégia de formação de líderes dentro de casa, a partir do seu programa de Trainee Global. “O treinamento dos jovens permite um conhecimento 360º da empresa, onde o participante conhece todas as áreas da cervejaria, da produção ao departamento de vendas, além do dia a dia do escritório corporativo. Acreditamos que esse modelo permite uma visão completa do nosso negócio, o que contribui muito para o desenvolvimento profissional desses futuros líderes”. explica a diretora de Desenvolvimento de Gente da Ambev, Fabíola Overrath.

A Gerente de RH TIM Norte e Nordeste, Renata Torres Guimarães, informou que no primeiro trimestre de 2016, 88% das vagas ofertadas internamente foram reaproveitadas no nível gerencial. “Estou retendo talentos dentro da companhia, que conhecem os valores, então a possibilidade de dar certo e ter resultado é mais rápida”, explicou.

Vantagens e desvantagens na prática

Job Rotation é uma prática de treinamento de algumas empresas, que divide opiniões entre profissionais. As vantagens desse processo tornam o profissional mais completo, porque o obrigam a sair de sua zona de conforto e o fazem desenvolver um alto grau de conhecimento sobre todas as atividades da corporação. Tornam o funcionário mais apto a lidar e resolver eventuais problemas de forma mais efetiva, uma vez que terá uma visão geral dos possíveis efeitos na empresa.

Madalena Feliciano, coach, diretora de operações da Outliers Careers e especialista em transição de carreira, diz: “Independente do cargo, os trabalhadores devem encarar qualquer desafio como se fossem os empresários responsáveis pelo setor, pensando como melhorar processos e economizar recursos dentro de sua área”

No entanto, o job rotation também tem suas desvantagens. Alguns diretores de RH e estudiosos afirmam que essa prática não torna o profissional mais capacitado. Pelo contrário, causam frustração pela falta de oportunidade de adaptação a um setor e por não proporcionar uma formação específica em uma determinada área.

Especialista em realocação de mercado, especialmente da terceira idade, Madalena expressa seu posicionamento “O fundamental para o profissional atual é ter uma atitude empreendedora, independente do seu emprego e cargo. Quem não arrisca, não petisca”, diz.

De uma maneira geral, todas as técnicas de treinamento, não apenas o job rotation, variam de empresa para empresa. E se você vai ou não se adaptar, é muito pessoal. Em caso de não adaptação, converse com seus superiores para ver se há outra opção que melhor se adeque a você.

Victor Alho
Gerente de Marketing da Tim

 A experiência de Victor Alho  o credencia como um ‘case de sucesso’ de job rotation.   Apesar da formação original em Sistemas de Informação, ele ocupa, atualmente, o cargo de gerente de Marketing da Tim Norte, onde começou em 2005, como assistente na área de Suporte a Vendas na regional Norte. “Eu comecei na Tim na área de vendas e fui passando por vários setores dentro da empresa, onde pude ganhar várias habilidades e construir minha carreira nesses 11 anos. Também passei pela experiência de trabalhar na Tim do Rio de Janeiro. Aqui temos gente do marketing na área administrativa; gente da loja que foi pra administrativa ou de gestão. A empresa valoriza o desenvolvimento da pessoa em várias áreas.  Tem áreas que temos mais facilidade para fazer esta troca. Tem a ver com a formação da pessoa, por mais que nao tivesse a experiência”, disse ele, também formado em Gestão em Marketing pela Faculdade do Pará – FAP.

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