Publicidade
Cotidiano
Notícias

Jornal A CRÍTICA conquista mais uma vez o Prêmio Milton Cordeiro de Jornalismo, nesta sexta (12)

‘BR-319, Rota Interrompida’, dos repórteres Florêncio Mesquita e Euzivaldo Queiroz, foi a vencedora na categoria Impresso. O trabalho é resultado de uma verdadeira jornada pela rodovia federal, uma das mais precárias e perigosas do País 12/09/2014 às 23:19
Show 1
Capa do caderno vencedor do Prêmio Milton Cordeiro de Jornalismo
Renildo Rodrigues Manaus (AM)

Em mais uma conquista importante de sua história, que reflete o compromisso e o esforço em iluminar a realidade diária dos amazonenses, o Jornal A CRÍTICA foi contemplado na noite desta sexta-feira (12) com mais uma estatueta do Prêmio Milton Cordeiro de Jornalismo. Vencedora da categoria Impresso, a reportagem “BR-319, Rota Interrompida”, do repórter Florêncio Mesquita e com fotos de Euzivaldo Queiroz, é fruto de uma verdadeira e árdua jornada pela estrada federal que lhe dá título, uma das mais precárias e perigosas do Brasil.

Publicada originalmente em 29 de dezembro do ano passado, na forma de caderno especial, “BR-319...” procura chamar a atenção para o descaso com uma das principais rodovias do Norte do País, a única ligação viária existente entre o Amazonas e Rondônia, que já conta quatro décadas de degradação – e nenhuma solução concreta no horizonte.

Durante três dias, a equipe de A CRÍTICA percorreu os 877 km de extensão da estrada, registrando a aflição diária de dezenas de viajantes que precisam enfrentar buracos, atoleiros de lama e barrancos que ameaçam desabar a qualquer momento. Pontes improvisadas, muitas delas quebradas, e ausência de iluminação à noite foram alguns dos perigos reais que os jornalistas tiveram de superar para poder relatar, em detalhes, o suplício infligido a brasileiros anônimos, sem condições de protestar, pela indiferença do poder público.

“Esse foi um esforço pessoal meu. O que era para ter sido uma reportagem simples, de uma página, foi se transformando nesse especial devido à riqueza de material que a gente foi encontrando - e ao absurdo dessa situação. São 40 anos de abandono, de indiferença, de brasileiros marginalizados que habitam trechos da rodovia ou que precisam percorrer, todos os dias, seus trechos mais perigosos. Fico muito feliz com o reconhecimento, mas o maior prêmio foi ver essa situação ganhar, de novo, a pauta nacional, sendo inclusive assunto de debate no Congresso, que finalmente tornou a olhar para esses brasileiros sem voz”, disse Florêncio.

Alvo de um “cabo de guerra” entre órgãos federais, incapazes de decidir pela revitalização da rodovia ou sua extinção, devido ao impacto ambiental, a BR-319 tem trechos em boas condições nos primeiros 250 quilômetros e nos últimos 150, mas a parte central – o “meião”, como é conhecido por moradores e pelos que precisam utilizar a rodovia – está no mais completo abandono.

“Foi uma reportagem muito difícil. A gente ficou sem comida, sem bebida, tivemos que varar a noite sozinhos consertando o carro, que quebrou várias vezes, quase caímos de uma ponte apodrecida num abismo, mas tudo isso valeu a pena depois que a gente viu esse material transformado no especial”, acredita Euzivaldo, que fotografou cenas desoladoras da destruição no “meião”.

A CRÍTICA teve dois finalistas

Outro caderno especial de A CRÍTICA, com o nome “Empresários da Floresta”, da repórter Mônica Prestes e com imagens do repórter fotográfico Bruno Kelly, também foi finalista do prêmio.

Relato de como os habitantes da RDS Mamirauá conseguiram transformar a pesca do pirarucu numa estrutura de produção e vendas lucrativa e sustentável, o trabalho também foi resultado de uma experiência de imersão na vida dos ribeirinhos. “A gente ficou uma semana acompanhando a pesca, conhecendo as comunidades, ouvindo as histórias e as dificuldades que eles enfrentam no dia-a-dia”, conta o fotógrafo.

O trabalho rendeu tanto material que, segundo Bruno, pode virar um livro em breve, agregando os relatos dos moradores sobre lendas das floresta ao material já publicado. “Empresários da Floresta” foi publicada no dia 5 de janeiro de 2014, como o primeiro caderno dominical de Cidades do ano.


Publicidade
Publicidade