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José Melo e Eduardo Braga financiaram suas candidaturas com doações de construtoras

O relatório das contas de ambos os políticos, entregues na terça (25), ao Superior Tribunal Eleitoral (TSE), revelou que as campanhas foram bancadas por construtoras 27/11/2014 às 13:02
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Governado José Melo declarou arrecadação de R$ 29,2 milhões, enquanto o senador Eduardo Braga registrou R$ 28 milhões
Raphael Lobato Manaus (AM)

O comitê financeiro do PMDB nacional foi o principal financiador da campanha do senador Eduardo Braga ao governo. Já na campanha do governador José Melo (Pros), os maiores depósitos partiram de bancos e construtoras. Ambos entregaram a última parcela da prestação de contas ao Superior Tribunal Eleitoral (TSE) no fim da tarde de terça-feira (25).

O líder da presidente Dilma Rousseff (PT) no Senado teve 43,1% da campanha financiada pelo PMDB nacional. O diretório depositou R$ 12 milhões dos R$ 28 milhões que Braga declarou ter arrecadado. O recurso é captado pelo partido por meio doações empresariais, e depois dividido entre as campanhas estaduais.

O comitê financeiro da campanha de Dilma também ajudou Braga. A petista depositou R$ 250 mil na conta do senador. Entre as empresas que doaram diretamente ao peemedebista, Braga teve os maiores depósitos feitos pela Recofarma (R$ 1,5 milhão) e Odebrech (R$ 1,2 milhão), empreiteira apontada pela Polícia Federal como integrante do esquema de corrupção na Petrobrás, investigado pela Operação Lava-Jato.

Na campanha de José Melo, a maior doação partiu de unidades financeiras diferentes do Banco Bradesco, totalizando repasses de R$ 4 milhões. Tendo declarado arrecadação de R$ 29,2 milhões, o governador reeleito teve grande adesão de doadores do setor de construção civil. Empreiteiras e consultorias de engenharia engordaram o caixa de campanha de Melo com R$ 5,6 milhões, ou 20% de toda a arrecadação registrada pelo governador.

Do setor, os maiores depósitos partiram da Global Engenharia (R$ 1,7 milhões), Laghi Engenharia (R$ 1,2 milhão) e PR Construções (R$ 600 mil). As contas de Melo revelam que também houve depósitos expressivos do DB Supermercados (R$ 1,6 milhão) e da Recofarma, que doou R$ 1,7 milhão.

O relatório das contas de Melo revelou que o governador reeleito apresentou gastos maiores que a arrecadação. O candidato do Pros finalizou a campanha com saldo negativo de R$ 134,7 mil. A diferença deverá ser paga pela direção do partido. Na campanha de Eduardo Braga, não houve déficit. O peemedebista fechou o caixa da campanha com R$ 821 mil de superávit.

Ex-advogado de Braga relatará contas

O juiz Délcio Luiz Santos será o relator da prestação de contas do governador José Melo no Tribunal Regional Eeleitoral (TRE-AM). A campanha do governador demonstrou insatisfação com as decisões de Délcio durante as eleições e seus advogados chegaram a cogitar pedir a suspeição do jurista nos processos.

Em 2002, 2006 e 2010, Délcio Santos atuou como advogado titular das coligações de Braga nas eleições. Em 2010, além de defender Braga na corrida pelo Senado, Délcio Santos atuou na defesa de Vanessa Grazziottin (PCdoB), que buscava se eleger senadora na mesma coligação.

Já as contas de Eduardo Braga serão relatadas pelo vice-presidente do tribunal, desembargador João Mauro Bessa. Na campanha, Bessa foi relator de uma decisão a favor da campanha do peemedebista, que determinava a retirada de mais de 500 anúncios institucionais do governo de José Melo. A multa estipulada foi de R$ 500 mil/dia.

O TRE-AM tem o prazo de até o dias antes da diplomação do governador reeleito, 18 de dezembro, para finalizar o julgamento das contas dos candidatos. Segundo o órgão, os relatórios fiscais ainda estão sob análise da comissão de prestação de contas.

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