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Cotidiano
SUPERAÇÃO

Curada, jovem amazonense quer inspirar pessoas a lutar contra o câncer

No Dia Mundial do Câncer, celebrado neste sábado (04), Nathalya Kellem, de 18 anos, diagnosticada com a doença com dois anos de idade, conta aos leitores do Portal A Crítica como foi a trajetória dela até chegar a cura 04/02/2017 às 05:00 - Atualizado em 04/02/2017 às 09:30
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Nathalya Kellem ao lado da família. Fotos: Evandro Seixas
Mayrlla Motta Manaus (AM)

“O câncer sumiu... estou curada!”. A declaração emocionante e inspiradora é da jovem Nathalya Kellem, 18, que há pouco tempo desfruta de uma vida normal sem incidência de câncer. Ela foi diagnosticada com um tumor maligno, que ficava por detrás das vias ópticas, com dois anos e dez meses de idade. Desde lá, enfrentou vários desafios, no entanto, não desistiu, e hoje pode comemorar.  

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer mata 8,3 milhões de pessoas no mundo todo. Entre as principais causas de morte no Brasil estão as de crianças e adolescentes na faixa de 5 a 19 anos. E é por esse motivo que neste sábado (04), no Dia Mundial do Câncer, o Instituto Nacional do Câncer (Inca), instituiu como tema para a data o câncer infantojuvenil.

Para o médico oncologista da Aliança Instituto de Oncologia, Márcio Almeida, o diagnóstico precoce é a melhor forma de combater o câncer e chegar à cura. "O mais importante é que os pais fiquem atentos a qualquer sinal diferente que os filhos apresentem. Ou seja, atitudes, marcas, é um sinal de alerta e deve-se ter cuidado. O ideal é procurar o pediatra, ou clínico geral se a criança tiver mais de 13 anos", recomendou o médico, acrescentando que os principais sintomas são enjôos, vômitos, febre, caroços no corpo, perda da visão e até falta de equilibrio. 

 E foi justamente atentar para as mudanças no comportamento da filha que fez a diferença no diagnóstico. A mãe de Nathalya, Samira Monteiro, 45, conta que após a descoberta a filha foi logo submetida a um tratamento experimental que deu certo. “Quando eu soube que ela tinha câncer foi um choque! A palavra câncer é muito forte. E ela era uma criança. Saber que tua única filha que tu planejou e cuidava tanto tinha essa doença foi um choque”, define Samira.

Para Nathalya, ter vencido o câncer foi uma vitória. “Me sinto protegida e acredito que tudo isso tem um propósito”, disse a estudante que pretende seguir carreira na área de Publicidade.

A mãe lembra que antes de levar a filha ao médico, os vizinhos comentavam sobre como Nathalya estava diferente. “No começo eu não queria aceitar. O problema dela foi do lado esquerdo e começou a perder o tato. Eu achava que ela era desastrada, pois se batesse na porta ela caía. O lado esquerdo dela era mais baixo e a levei no ortopedista, mas o médico disse que não era caso ósseo e que poderia ser cerebral”, conta.

Em busca da cura
A partir daí iniciou a jornada em busca da cura. Samira relembra que quando levou a filha ao neurologista, só de olhar o especialista “já sabia que era um tumor cerebral e a ressonância foi só para confirmar”, disse. “Ele me disse duas coisas: arrumem as malas e vão para São Paulo, porque aqui ela vai morrer, pois não temos condições”, complementou.

A família seguiu o conselho do especialista e viajou em 2002 para São Paulo (SP), onde a filha conseguiu tratamento no Hospital Santa Marcelina. Lá ela foi submetida a um tratamento experimental “que deu certo”.

“Deixamos a casa em Manaus e passamos nove meses em São Paulo. Em menos de cinco meses, minha filha já tinha feito três cirurgias e foi praticamente uma atrás da outra. Primeira cirurgia foram 12 horas, a segunda 10 horas, e a terceira durou quatro. Essa de menos tempo eu fiquei desesperada e pensei: pronto, ela não resistiu e morreu”, contou.

Mas não foi isso que aconteceu. O método que a equipe médica utilizou ajudou no processo de cura. “Foi usado um cateter metálico com uma bexiga para comprimir o líquido que tinha. Toda vez que o líquido restante do tumor enchesse a bexiga, os médicos iriam retirá-lo, e assim, não precisaram abrir novamente a cabeça dela”, afirmou a mãe à reportagem, acrescentando que a filha perdeu 30% da visão esquerda após o problema. 

Trajetória
A estudante fazia quimioterapia e tratamento clínico. No entanto, aos oito anos de idade, o câncer retornou e ela teve que parar os estudos. “Retornei com os cuidados médicos oito anos e parei quando completei 11 anos. Estava com receio do câncer voltar, mas mesmo assim voltei a estudar”, disse.

Nathalya carregando a mascote da família Polly. 

E foi em 2014 que Nathalya ouviu a frase que inspira a reportagem. “O câncer cessou e eu estava curada. No ano passado eu deveria ter retornado para São Paulo, mas os médicos disseram que seria só gasto de passagem, pois eu não precisava mais”, relata.

Agora, curada, ela deixa uma mensagem a todos aqueles que enfrentam a doença. "Acredito que minha vida é um exemplo para outras pessoas. Me sinto abençoada e isso é um milagre. É a única coisa que tenho para dizer e se não fosse Deus eu não estaria aqui", afirmou. Confira o vídeo no final da matéria.

Recomendações de prevenção
A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, listou algumas dicas de prevenção contra o câncer e também para identificar a doença o quanto antes possível, para que mais histórias de cura se repitam.

Crianças, pré-adolescentes e adolescentes
Alimentação – O padrão de alimentação é um importante determinante do risco para desenvolvimento do câncer. Como os hábitos alimentares são adquiridos em casa, ainda na infância, deve-se olhar para este tema como um investimento no futuro. Estudos científicos confirmam os benefícios de uma dieta rica em folhas, legumes e frutas (várias porções ao dia), azeites, grãos, castanhas e peixes. Por outro lado, é importante limitar ingestão de açúcar, alimentos enlatados e defumados. A opção pelo consumo de pães e massas feitas de farinha integral também é indicada.

Cuidados com o sol – Tomar sol é um hábito saudável, que contribui para o desenvolvimento ósseo, mas exposição exagerada determina um risco crescente de desenvolvimento do câncer de pele. Para evitar prejuízos causados pelos raios ultravioletas, recomenda-se uso de protetor solar em toda exposição à luz do sol e, sempre que possível, antes das 10h e após as 16h.

Vacinação – Algumas vacinas são capazes de evitar infecções por vírus relacionadas a certos tipos de câncer. O vírus da hepatite B e o HPV são alguns deles. Por isso, é fundamental seguir rigorosamente o calendário de vacinação.

Exercícios – Vivemos uma epidemia global de obesidade e sedentarismo e a melhor forma de combate-la é ensinar nossas crianças a brincar, correr, treinador, jogar e se divertir. Exercícios são importantes para o desenvolvimento neuromuscular e do metabolismo humano, formação dos ossos, preservação da autoestima e, por fim, evitar o câncer.

Jovens e adultos
Fumo – É responsável por aproximadamente 16% de todos os casos de câncer no mundo, sendo a principal causa evitável para essas doenças. Estudos apontam que o tabaco seja fator determinante para a morte de cerca de 5 milhões de pessoas anualmente no mundo. É possível encontrar centenas de agentes cancerígenos na fumaça do cigarro, de forma que não existe quantidade segura do produto que possa ser consumida sem preocupação.

Álcool – Além de aumentar o risco de acidentes automobilísticos, o consumo crônico de bebidas está relacionado ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer, como de boca, garganta, laringe, esôfago e fígado, por exemplo.

Sexo seguro – Alguns vírus que podem ser transmitidos em contatos íntimos ou em relações sexuais estão relacionados a um maior risco de câncer. Destaque para o HIV, hepatites B e C, Epstein-Bar e HPV. Apesar de já existirem vacinas para combater alguns deles, a recomendação é adotar medidas que propiciem segurança, como utilizar preservativos.

Recomendações para quem já teve câncer
Segundo o médico oncologista Márcio Almeida, as principais recomendações são:

"Continuar cuidando da saúde, com alimentação saudável, rica em frutas, verduras, e diminuição de açúcares, leite e evitar a obesidade. Continuar o acompanhamento regular com o médico que já o acompanha, com exames de imagens e laboratoriais quando necessários. O  que sempre enfatizamos é a questão da atividade física. Há artigos publicados que mostram os benefícios dela para pacientes que já tiveram câncer", disse o especialista. 

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