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Jovens infratores aprendem profissões e ganham a oportunidade de recomeçar

Cerca de 38 adolescentes, que cumprem medida socioeducativa no Amazonas, têm a chance de ingressar no mercado de trabalho com dignidade 16/07/2013 às 10:32
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Francisco e André Costa fizeram o curso juntos pensando no futuro
Mariana Lima ---

O auxiliar de serviços gerais Francisco Costa*, 45, acompanhava com lágrimas nos olhos a formatura do filho André*, 18, como pintor de imóveis. “É a primeira vez que ele ganha um certificado e eu estou aqui recebendo o meu junto com o dele. É emocionante”, disse, sem segurar o choro.

André é um dos 38 adolescentes que cumprem medida socioeducativa no Amazonas a receber certificados de almoxarife de obras e de pintor de imóveis. Eles tiveram aulas práticas e teóricas durante três meses, junto com familiares e responsáveis que se interessaram em participar do projeto.

Interno há quatro meses no Centro Socioeducativo Dagmar Feitosa e prestes a sair - em setembro -, André conta que dos três cursos que fez quando estava internado este de pintor foi o que mais o agradou. “Fiz um curso de informática e de paisagismo, mas este de pintor de imóveis eu pude fazer junto com o meu pai. Quando eu voltar para casa vou trabalhar com ele”, contou, com um sorriso no rosto.

Bernardo*, 19, deixou o centro socioeducativo Raimundo Parente há poucos dias. Ele veio de São Sebastião do Uatumã após cometer um assalto e deverá voltar ao município com o certificado de pintor debaixo do braço. “Eu não quero voltar, quero arrumar um emprego e ficar aqui. Lá na minha cidade tem poucas pessoas e por conta do meu passado ninguém me quer bem. Tenho medo de voltar e as pessoas falarem besteira pra mim. Sei que eu aprontei muito, mas não quero voltar pra um lugar com uma imagem que quero deixar pra trás”, disse.

O jovem passou quatro meses preso em Manaus e outros oito meses em uma cela da delegacia de São Sebastião do Uatumã junto com os outros presos adultos. “Lá não tinha um lugar separado pra mim e eu ficava com os outros. Não gostava muito não. Aqui fiz amizades, cursos e percebi que posso entrar no mercado de trabalho e ajudar minha mãe”.

André, Bernardo e ou outros jovens que receberam o certificado ontem terão acompanhamento psicológico quando chegarem ao mercado de trabalho. Uma equipe formada por psicólogos, assistentes sociais e funcionários da Seas farão um acompanhamento mensal da integração dos jovens no retorno do convívio em sociedade.

*Nomes fictícios em atendimento à lei 8.069/90, Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

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