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Jovens políticos dizem que 2016 será de grandes mudanças na política do Estado

Aposta desses parlamentares é que as próximas eleições vão marcar a “virada geracional” na política do Estado do Amazonas 11/08/2015 às 09:27
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Expoentes da política local, jovens parlamentares traçam planos para as próximas eleições, quando acreditam que a “nova geração” de políticos amazonenses deve obter mais destaque que a velha guarda
Antônio Paulo Manaus (AM)

BRASÍLIA - As novas caras da política do Estado do Amazonas acreditam ou têm quase certeza que 2016 será um marco da “virada geracional” nos resultados das eleições municipais, especialmente em Manaus, quando, segundo eles, começará a ser pintado o futuro com as cores da modernidade. Para fazer a transição entre a “velha e a nova” política amazonense e se cacifar como o futuro prefeito de Manaus ou governador do Estado, há pelo menos uma dezena desses jovens nomes como o do ex-deputado estadual Marcelo Ramos (42), os deputados federais Hissa Abrahão (34), Arthur Bisneto (35), Marcos Rotta (48) e Conceição Sampaio (49), o presidente da Câmara Municipal de Manaus, Wilker Barreto (39), a ex-deputada federal Rebecca Garcia (42) e o vice-governador Henrique Oliveira (54).

Na opinião de especialistas em eleições, que tiver em torno de 25% dos votos válidos, no pleito do ano que vem, é forte candidato a disputar o segundo turno das eleições da capital, provavelmente com o atual prefeito Artur Neto, que concorre à reeleição. “É uma tendência natural o crescimento de uma terceira via com rostos diferentes, com jovens não somente na idade, mas também com outras ideias, criando uma nova geração de políticos”, afirma o professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e diretor da Action Pesquisa, Afrânio Soares.

E as últimas eleições confirmam essa tendência. Em 2010, Hissa Abrahão teve 10% dos votos em Manaus. Em 2012, Henrique Oliveira obteve 15% dos votos na capital e em 2014, para o Governo do Estado, Marcelo Ramos também ficou em terceiro lugar com mais de 17% dos votos em Manaus.

Esse debate das “caras novas” na política e o papel dessa nova geração para substituir o que ele chama de políticos do século 19, tem sido feito por Marcelo Ramos, pré-candidato a prefeito de Manaus em 2016. Em seu blog e nas palestras que tem ministrado em eventos, o ex-comunista (PCdoB) e ex-socialista (PSB) critica a postura administrativa do grupo que governa o Estado e Manaus nos últimos 30 anos; prega a modernidade e aponta os caminhos do futuro. “Tem-se visto em blogs de notícias, reportagens e análises políticas com ilustrações e conteúdos que tratam do futuro do Amazonas como se só existisse vida na política entre os velhos mesmos políticos de sempre. Como se o futuro da nossa gente estivesse nas mãos de Melo (69), Artur (69), Omar (57) e Braga (54) que governam hoje com a cabeça e os métodos que governavam nos anos de 1980. Só que o mundo mudou muito. É mais moderno e complexo e eles não acompanharam isso”, critica Ramos.

O ex-deputado estadual – que definirá nos próximos dias o partido pelo qual deverá disputar as eleições de 2016 – também faz críticas a alguns desses novos nomes. Ele cita principalmente Hissa e Henrique que despontaram nas eleições de 2010 e 2012 e teriam sido cooptados nas eleições seguintes: o primeiro virou vice-prefeito de Manaus, na chapa de Artur Neto, e o segundo foi alçado vice-governador na chapa de José Melo. “Todas as novas caras que surgem se não forem pela mão dos velhos políticos, eles ou esmagam ou cooptam para serem coadjuvantes do projeto. Eu me disponho a não procurar esses atalhos”.

Rebecca e Rotta são cotados

Candidata à vice-governadora na chapa de Eduardo Braga, em 2014, a ex-deputada federal Rebecca Garcia (PP) diz que é importantíssimo haver essas alternativas, novos nomes para renovar a política do Estado. “Não é somente a idade, mas a maneira de fazer política, atitudes e práticas novas”. Sobre as eleições do ano que vem, Rebecca informou que o Partido Progressista vai tomar posição em setembro. “Vamos participar do processo eleitoral. E se Manaus ou o Amazonas não estiverem de acordo com que o partido entende; se entendermos que o que está sendo feito não é o melhor para a nossa cidade, vamos apresentar um nome sim, seja o meu, da deputada federal Conceição Sampaio ou do vereador Álvaro Campelo”, disse.

O deputado federal Marcos Rotta (PMDB-AM) também vê como natural esse novo ciclo da política amazonense. Cauteloso com relação às posições na hierarquia do poder, ele diz que não faz projeções nem planos a perder de vista, mas seguindo as orientações e estratégias do PMDB nacional, que deverá apresentar candidato a presidente da República em 2018, o pleito de 2016 está nos planos do partido. Ele não afirma nem nega se será candidato a prefeito. “Não gosto de antecipar o processo eleitoral para não provocar desgastes desnecessários”, esquivou-se Rotta.

Sem pretensão de ser candidato

O deputado federal Hissa Abrahão garante que não pretende concorrer ao cargo de prefeito em 2016. “Eu não tenho a pretensão de ser candidato a prefeito em 2016 embora esteja muito preocupado e frustrado com os caminhos que a política do município (Manaus) e do Estado estão tomando”, afirma.

“Esses caminhos estão fazendo com que eu reflita sobre os rumos que devo tomar e prefiro não me posicionar sobre esse tema. Apesar de que o PPS só vai discutir as eleições oficialmente, ano que vem, depois do Carnaval, eu não pretendo ser candidato a prefeito diante do quadro que a gente está vendo: falta de originalidade, de compromisso com a população. 

Em Brasília, eu estou tendo mais chances, mais oportunidade de conseguir colocar os projetos que eu sempre imaginei pôr em prática; consegui aprová-los e foram sancionados pela presidente da República. Eu acabo conseguindo mais espaço e destaque em Brasília do que em Manaus; superando as adversidades diante de uma política mais profissional do que a política provinciana praticada no Amazonas”.

Henrique versus  Arthur Neto

Contrariando o governador José Melo, que declarou recentemente seu apoio à reeleição do prefeito de Manaus Artur Neto em 2016, o vice-governador Henrique Oliveira (SD) disse não ter dívida nenhuma com o tucano, pois cumpriu o compromisso nas eleições de 2012. Oliveira, que obteve 15% dos votos naquela eleição, ficando em terceiro lugar, apoiou Arthur no segundo turno. Foi convidado a compor a chapa de Melo no ano passado.

“Embora tenha estado do lado do prefeito no segundo turno no pleito de 2012 e a chapa ao Governo do Estado e ao Senado ter recebido o apoio dele, eu não tenho dívidas com ele. Acho que faltam ser cumpridas algumas promessas com o ‘Habite-se Já’ para regularizar as propriedades das famílias de Manaus; falta saneamento, melhorar o transporte público. Muitas questões não foram resolvidas”, declarou o vice-governador. 

Sobre a possibilidade de vir a concorrer à Prefeitura de Manaus, Henrique disse que a decisão não depende dele, mas do grupo político ao qual pertence. “Não posso decidir sozinho até porque bater na trave novamente, ficar em terceiro lugar, não é uma boa estratégia. Mas, saiba de uma coisa: eu vou participar ativamente do pleito; vou às ruas pedir voto para quem eu considerar que pode fazer mais e melhor por Manaus”.

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