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Jovens protestam contra o impeachment de Dilma e a favor do afastamento de Cunha

Vinte amazonenses participaram da manifestação em Brasília, que contou com a presença de jovens de todos os Estados, de todas as tribos, partidos políticos e dezenas de entidades ligadas ao movimento estudantil 16/11/2015 às 09:05
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A manifestação também pede a saída de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da Presidência da Câmara dos Deputados
Antônio Paulo Brasília (DF)

Sob o Sol forte de mais de 30 graus, cerca de oito mil jovens estudantes brasileiros, vindos de todo o País, juntaram-se na manhã desta sexta-feira (13) aos movimentos sociais e percorreram quase cinco quilômetros do Parque da Cidade, Esplanada dos Ministérios até o Congresso Nacional, em uma manifestação pacífica em defesa da democracia, da educação, contra o impeachment da presidente Dilma e pela saída de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da Presidência da Câmara dos Deputados.

Encabeçado pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Frente Brasil Popular, União da Juventude Socialista (UJS) e dezenas de outras entidades nacionais, a passeata levou para as ruas da capital federal jovens de todos os Estados, de todas as tribos, partidos políticos e dezenas de entidades ligadas ao movimento estudantil.

Com gritos de guerra e palavras de ordem como “Pula, sai do chão a favor da educação”, os estudantes de Brasília, Bahia, Rio Grande do Sul, Maranhão, Rio de Janeiro, São Paulo, Amazonas, Amapá, Pará, Mato Grosso, Goiás e Pernambuco usaram carros de som e faixas de protesto contra a redução da maioridade penal, a favor do aborto, discriminação racial, LGBT e tantas outras pautas que há muito não se via desde os movimentos de rua de 2013. 

Um grupo de 20 jovens amazonenses participou da manifestação. Para o presidente estadual da União da Juventude Socialista (UJS) e ex-presidente da Ubes, Yann Evanovick, a passeata foi uma demonstração da disposição de luta dos jovens brasileiros em favor da democracia.

“A juventude brasileira não tolera corrupção, o conservadorismo, a perda de direitos e por isso fomos ao Congresso Nacional deixar o nosso recado em defesa da educação, da ampliação dos direitos das mulheres; deixar a cobrança do plano nacional de educação que já foi aprovado e precisa acelerar sua implementação, mas também deixar um recado ao Eduardo Cunha (presidente da Câmara dos Deputados). Alguém que já tem crimes comprovados, provas contundentes não pode seguir no comando da presidência da Câmara Federal. Ele é o terceiro na linha sucessória, portanto o maior gesto de hombridade que ele poderia dar nesse momento é deixar o comando da Câmara. O Congresso Nacional precisa dar um gesto à República”, disse o líder estudantil amazonense.

Educação no Amazonas

A manifestação em frente ao Ministério da Educação, onde foi encerrada a passeata dos estudantes secundaristas e da Frente Brasil Popular, Yann Evanovick disse que o movimento estudantil reconhece todas as conquistas que foram obtidas nos últimos anos. “A Universidade Federal do Amazonas dobrou suas vagas no último período, o Reuni construiu novos prédios para a Ufam, mas ainda a nossa universidade passa por problemas de infraestrutura, restaurante universitário sucateado, um conjunto de deficiências que são resultado também da ausência de investimentos nesses setores”.

Todas as lideranças estudantis que subiram no carro de som para se manifestar no ato público criticaram qualquer tentativa de cortes no orçamento da educação. “Se é para cortar recursos, que corte em outros setores, corte nas despesas de viagem do Congresso Nacional, dos Ministérios, mas não corte nenhum centavo dos investimentos da educação brasileira. Somos contra o ajuste fiscal, precisamos de mais investimento nas escolas públicas que são precárias”, declarou Evanovick

Contra o golpe

A presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Bárbara Melo, disse que o mote da passeata foi a defesa da democracia por acreditar que existe um processo de golpe no País. “E não é somente um golpe contra a presidenta Dilma (Rousseff), mas um golpe contra a democracia e os nossos direitos. São sistematicamente ataques contra os direitos dos estudantes, da juventude e do povo, direitos que foram conquistados com muita luta. Essa passeata é contra o golpe, contra a retirada de direitos. E a gente se soma àqueles que pedem o afastamento do deputado Eduardo Cunha da Presidência da Câmara, visto que contra ele está mais do que provado casos muito graves de corrupção. Acreditamos que uma pessoa assim não tem condições políticas de continuar à frente da Câmara dos Deputados", diz Bárbara Melo.

A Ubes realiza até o próximo domingo (15), em Brasília, o 41º Congresso (Conubes). A passeata dos jovens estudantes brasileiros, em defesa da democracia, foi uma das principais ações do encontro nacional dos estudantes secundaristas.  

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