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Cotidiano
INVESTIGAÇÃO

Junta governativa do Sindmetal-AM aponta saques suspeitos e 'mensalinho' no órgão

A perícia promovida pela junta identificou saques regulares feitos no período de 2013 a 2016 que somam mais de R$ 38 milhões e que serviriam, em parte, para pagar 21 funcionários do quadro da entidade a fim de manter o esquema 22/11/2016 às 18:56
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Irregularidades teriam ocorrido durante a gestão do presidente Valdemir Santana, afastado do cargo pela Justiça do Trabalho no mês de setembro (Foto: Arquivo AC)
Lucas Jardim Manaus (AM)

O presidente da junta governativa do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), Adriano Simões, afirmou, nesta terça-feira (22), que há indícios de graves desfalques financeiros no órgão durante a gestão do presidente Valdemir Santana, afastado do cargo pela Justiça do Trabalho no mês de setembro.

Entre as irregularidades descobertas pela perícia promovida pela junta estão saques regulares feitos no período de 2013 a 2016 que somam mais de R$ 38 milhões e que não têm nenhuma destinação comprovada.

Parte desse dinheiro, segundo o gestor da junta, era usada para pagar um “mensalinho” a 21 funcionários do quadro da entidade sindical para manter o esquema. “Nós encontramos uma lista de funcionários que recebiam quantias mensais, que iam de R$ 1 mil até R$ 3,5 mil e que acreditamos ser uma espécie de ‘cala-boca’, para que eles vissem as condutas irregulares, como os saques, e fizessem vista grossa”, explicou Adriano.

O presidente explicou que as retiradas de dinheiro foram feitas de forma contínua e sistemática durante os últimos três anos, conforme os extratos bancários obtidos pelos peritos, porém eles acreditam que a prática começou antes de 2013, o que deve ser comprovado com a obtenção de extratos mais antigos.

“Eles emitiam cheques ao portador pelo sindicato, assinados pelos então presidente e tesoureiro. Com eles, qualquer pessoa que o tivesse poderia chegar na boca do caixa e obter um valor, como, por exemplo, R$ 100 mil, em espécie. A nível de contabilidade, isso fazia com que o sindicato perdesse completamente o rastro desse dinheiro. Nós acreditamos que isso era feito de forma proposital, justamente para que esse dinheiro pudesse fomentar práticas como o ‘mensalinho’”, explicou Adriano.

De acordo com a junta governativa, o esquema tirou cerca de R$ 1,2 milhão mensal do Sindmetal, sendo que a receita média da entidade é de R$ 1 milhão, oscilando para mais ou para menos de acordo com as contratações e demissões do Pólo Industrial de Manaus (PIM). “Esses saques deixavam as contas do sindicato quase sempre no limite”, declarou o presidente da junta.

Outra irregularidade apontada pela junta são os investimentos feitos no balneário do Sindmetal que, segundo a perícia, nem pertence legalmente ao sindicato. “Em 2006, houve um leilão e o terreno foi arrematado por uma pessoa q ue supomos ter ligação com a mãe do Valdemir, só que essa arrematação nunca foi averbada, então tecnicamente, a escritura nunca foi repassada a ninguém com ligação ao sindicato. De lá para cá, investimentos de mais de R$ 30 milhões foram feitos lá e fica o contrassenso: por que investir tanto num balneário que só funciona sexta-feira, sábado e domingo ao invés de investir no trabalhador?”, apontou Adriano. A reportagem ligou para o telefone de Valdemir Santana, 991xx-xx34, mas as chamadas não completaram. 

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