Sábado, 14 de Dezembro de 2019
Iranduba

Justiça decreta prisão preventiva de vereador preso com dinheiro de propina

Na última terça-feira (19), o vereador Pedro Paulo Castro (Pros) recebeu R$ 5 mil das mãos do prefeito Chico Doido. Na decisão, o Juiz analisou que a materialidade delitiva e os indícios de autoria estão suficientemente demonstrados.



vereadores_0B47FE4A-98BA-46D4-B97C-6710C6D38C7F.jpg Foto: Reprodução
21/11/2019 às 15:39

Após ser preso em flagrante recebendo propina do prefeito de Iranduba (a 27 km de Manaus), Francisco Gomes (DEM), o vereador Pedro Paulo Castro de Almeida (Pros) teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pelo juiz da comarca daquele município no final desta quinta-feira (21). Na decisão, proferida pelo juiz Túlio de Oliveira Dorinho, o magistrado diz que “a materialidade delitiva e os indícios de autoria estão suficientemente demonstrados”.

O vereador do Pros foi denunciado pelo Ministério Público (MP) em vídeo que aparece recebendo, segundo o órgão acusador, R$ 5 mil em espécie. O dinheiro seria parte de um acordo combinado com o líder do executivo municipal de Iranduba, em que o pagamento, somando R$ 10 mil, seria debitado em duas parcelas iguais. O prefeito Francisco Gomes, conhecido como “Chico Doido”, se propôs a auxiliar nas investigações, conforme o MP.



O parlamentar está preso desde a terça-feira (19), quando estava encarcerado no 19º Distrito Integrado de Política (DIP), na Zona Oeste de Manaus. O esquema de prisão em flagrante se deu quando o prefeito, Francisco Gomes, procurou o MP afirmando ser vítima de extorsão. Sob ordem judicial, Gomes encontrou-se com Almeida com uma câmera escondida, filmando a cena falsa de entrega de dinheiro. Após o vereador aceitar a quantia, a Polícia Civil, que estava de campana no local, prendeu o parlamentar

O juiz, em audiência de custódia, considerou que “a liberdade do vereador acarretaria risco à ordem pública, pois integra, em tese, sofisticada organização criminosa da qual fariam parte outros agentes públicos. Têm-se, ainda, o risco de reiteração delituosa e a influência política como elementos que indicam a necessidade de garantir a ordem pública e a instrução criminal”.

O juiz também justificou que, embora o réu seja primário (sem antecedentes criminais), não impede isoladamente a imposição da medida cautelar, hipótese prevista no artigo 312 do Código de Processo Pena (CPP). Até o momento desta publicação, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) não tinha confirmado a entrada de Almeida no sistema prisional.

A prisão do vereador é resultado do desdobramento da Operação Avaritia, deflagrada em agosto deste ano pelo MP, através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O objetivo é investigar um esquema de propina montado dentro do Poder Legislativo municipal com envolvimento de outros parlamentares.

Ainda no mês de agosto, outros dois vereadores foram presos acusados de pedirem dinheiro em troca de apoio aos projetos do prefeito. O vereador Pedro Paulo, conhecido como “Pepe”, é o terceiro parlamentar preso pela operação. A reportagem tenta contato com a defesa do vereador e do prefeito de Iranduba.

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Jornalista
Formado pela Faculdade Boas Novas. Pós-graduando em Assessoria de Comunicação e Imprensa e Mídias Digitais. Com passagens por outros veículos locais, hoje atua nas editorias de política e economia de A Crítica. Valoriza relatos humanizados e contos provocativos do cotidiano.

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