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Cotidiano
Ex-prefeito

Justiça nega pedido de transferência de Adail Pinheiro para Coari

A desembargadora Carla Reis, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), afirmou, em sua decisão, que é “inegável a influência política” do ex-prefeito em Coari 31/08/2016 às 22:09 - Atualizado em 01/09/2016 às 09:39
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Adail está preso desde o dia 8 de fevereiro de 2014, no quartel do Comando de Policiamento Especial (CPE) no conjunto D. Pedro. (Foto: A Crítica)
Janaína Andrade Manaus

A desembargadora Carla Reis, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), negou o pedido de transferência de Adail Pinheiro, acusado de chefiar um esquema de exploração sexual infanto-juvenil, para o município de Coari, onde era prefeito. Na decisão, a magistrada afirma que é “inegável a influência política” do ex-prefeito em Coari.

Adail está preso desde o dia 8 de fevereiro de 2014, no quartel do Comando de Policiamento Especial (CPE) no conjunto D. Pedro. O pedido de transferência foi orquestrado justamente no período de campanha eleitoral, onde Adail aposta no nome do filho, Adail José Figueiredo, conhecido como “Adail Filho”, para retomar o comando do Município de Coari.

“É inegável a influência política do apenado no município e para evitar situações que perturbem a paz e a normalidade nas próximas eleições rejeito o pedido da defesa. Para respeitar a democracia, o Estado Democrático de Direito e a preservação da ordem pública no município de Coari, garantindo a normalidade do processo político e eleitoral no município, indefiro o pedido”, argumentou a desembargadora, na decisão. 

O pedido de transferência também foi apresentado a Vara de Execuções Penais (Vep), que tem como titular o juiz Luís Valois. “No final da semana passada, a Vep já recebeu a decisão do 2° grau (desembargadora Carla Reis) e então o pedido já está pacificado, pois é a instância superior. Mas claro, que se a defesa quiser recorrer, pode fazê-lo a instância superior, que é ao Supremo Tribunal de Justiça (STF) ou ao Supremo Tribunal Federal (STF)”, explicou a assessoria do TJ/AM.

No dia 15 de agosto, o juiz titular da Vara de Execuções Penais (Vep), Luís Carlos Valois, encaminhou à Comarca de Coari, um ofício onde solicitou informações quanto à possibilidade de transferência de Adail para cumprir pena no município. Procurado pela reportagem, o juiz disse que não poderia comentar o caso. “Não posso comentar um processo que vou julgar”, respondeu via WhatSapp.

A reportagem tentou entrar em contato com o advogado de Adail, Francisco Balieiro, por meio do telefone 981xxxx38, mas não foi atendida.

Adail Pinheiro se entregou à Justiça do Amazonas em fevereiro de 2014, depois que o desembargador Djalma Martins emitiu um decreto de prisão a pedido do Ministério Público Estadual (MPE) em um processo que apura a suposta prática de exploração sexual de crianças. 

O caso ganhou repercussão nacional por conta de matérias veiculadas pelo Fantástico, em três domingos seguidos, mostrando relatos de meninas apontadas como vítimas do então prefeito de Coari. E pelas apurações feitas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da Câmara Federal, que apurou denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes em todo o País.

Saiba Mais

Em novembro de 2014, o TJ-AM condenou Adail Pinheiro a quase 12 anos de prisão por exploração sexual infantil. No mesmo processo foram condenados os ex-assessores dele, Adriano Salan, Maria Lândia, Osglégio Fernandes da Gama e Eudes de Souza Azevedo. Há recurso contra a decisão. Adail é réu em 70 ações na Justiça do Amazonas. Em quatro deles, o ex-prefeito aparece como investigado por envolvimento em esquema de exploração sexual infanto-juvenil.
 

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