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Justiça ouve menores suspeitos de estupro coletivo contra quatro garotas no Piauí

As vítimas, quatro meninas, foram amordaçadas e, por duas horas, estupradas. Elas ainda foram apedrejadas e arremessadas de penhasco; uma delas morreu 11/06/2015 às 11:34
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Adolescentes tinham entre 15 e 17 anos
Agência Brasil Brasília

A Justiça do Piauí iniciou nesta quinta-feira (11), em Teresina, a coleta de depoimentos dos quatro menores suspeitos de participar do estupro coletivo e das agressões contra quatro adolescentes no interior do estado, no fim de maio. Uma delas morreu domingo (7), outra permanece internada e duas tiveram alta médica.

O caso ocorreu na cidade de Castelo do Piauí, a 180 quilômetros da capital. As meninas, com idade entre 15 e 17 anos, foram encontradas violentadas e inconscientes. Segundo a polícia, elas abordadas, amarradas e amordaçadas e, durante duas horas, foram estupradas. Depois elas foram agredidas com pedras e arremessadas do alto de um penhasco.

Segundo o promotor de Justiça de Castelo do Piauí, Cesário Cavalcante, os menores respondem pelos atos infracionais análogos aos crimes de homicídio, três tentativas de homicídios – todos com agravante de feminicídio e tentativa de feminicídio –, associação criminosa e estupro. Os menores foram apreendidos em flagrante e estão internados em Teresina.

“Eu não tenho dúvida de que eles continuarão internados. Devem permanecer pelo prazo máximo de três anos. Todo o estado do Piauí está indignado, porque foi uma selvageria”, disse o promotor. Participarão da audiência, além dos menores e da Promotoria, os pais deles e os defensores públicos. As vítimas e testemunhas devem ser ouvidas em outra data, segundo Cavalcante.

Apesar de o caso tramitar na comarca de Castelo do Piauí, a audiência ocorre em Teresina porque a polícia não garantiu a segurança no prédio da Justiça no interior. “A população ainda está muito chocada, revoltada com tudo. Na época, a delegacia quase foi invadida, populares atearam fogo a pneus. Temíamos que o Fórum fosse invadido”, disse o gerente do Interior da Polícia Civil do Piauí, Williame Moraes.

Além dos menores, um adulto é suspeito de participar do estupro. Ele está preso e a data do julgamento ainda não foi marcada. Para o delegado responsável pelo caso, Laércio Evangelista, não resta dúvida de que os cinco participaram do estupro e das agressões. “Ficou provada a participação de todos por meio de depoimentos - como confissão dos menores e de testemunhas - e exames periciais”, disse.

No inquérito, conduzido pelo delegado, foram ouvidas duas vítimas e pessoas que ajudaram a socorrer as adolescentes. O laudo de local do crime foi entregue à polícia, faltando ser concluído o exame de DNA, que fará a comparação do material genético colhido dos suspeitos e das meninas logo após o crime.

As investigações mostraram que as quatro jovens foram estupradas, agredidas e arremessadas do alto de um penhasco, no último dia 27 de maio. As meninas haviam ido fazer fotos em um ponto turístico de Castelo do Piauí, cidade com cerca de 18 mil habitantes.

“Após os estupros, o maior [de idade] jogou as meninas ainda amarradas de uma altura de mais de 6 metros. Como elas sobreviveram, dois menores, a mando do maior, desceram até onde elas estavam e apedrejaram a cabeça delas, com o intuito de matá-las”, informou o delegado responsável pelo caso, Willame Moraes.

A Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres no Brasil e a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM) lamentaram o episódio.

Para a ONU Mulheres, o caso chocou todo o Brasil e a América Latina pela crueldade com que as adolescentes “foram alvo da violência sexista, tendo seus corpos violados, torturados e mutilados”. A SPM expressou “todo apoio e solidariedade às vítimas, aos parentes e à população piauiense”.

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