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Cotidiano
Dia Mundial Sem Tabaco

Largar o vício no cigarro é difícil mas não impossível, diz médico

Cardiologista e ex-fumante aproveitou o ‘Dia Mundial Sem Tabaco’ para falar sobre o desafio de abandonar o cigarro 01/06/2016 às 11:52
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O alerta é do cardiologista Aristóteles Alencar, que conseguiu largar o vício do cigarro depois que começou a palestrar sobre os problemas de saúde que a dependência pode acarretar (Antonio Menezes)
Isabelle Valois

“O tabagismo é uma doença crônica, assim como o diabetes, câncer e demais doenças que não são tratadas em um prazo curto. A nicotina é a que menos causa males, porém é responsável pela dependência. A cada tragada em um cigarro, o fumante aumenta o risco de contrair doenças que poderão levá-lo à morte”. O alerta é do cardiologista Aristóteles Alencar, que conseguiu largar o vício do cigarro depois que começou a palestrar sobre os problemas de saúde que a dependência pode acarretar.

O cardiologista contou que adquiriu o hábito de fumar dentro da universidade. “Fumar era uma atividade bem comum. Os professores fumavam dentro de sala de aula e de alguma forma isso nos influenciava ao vício. E assim adquiri o hábito, mas diferente da maioria, consegui largar por conta própria”, contou Alencar.

Foi necessário se sentir constrangido por uma aluna em uma palestra sobre o tabagismo para o cardiologista decidir parar de fumar. “Tinha sido convidado para palestrar sobre as doenças cardiovasculares que são ocasionadas pelo tabagismo e, logo que terminei de palestrar, senti a necessidade de fumar. Fui pra fora do auditório, acendi um cigarro e, neste meio tempo, uma aluna virou e disse: doutor o senhor não estava palestrando contra o tabagismo? Não disse que o cigarro faz mal? Fiquei com vergonha e, desde então, nunca mais coloquei um cigarro na boca”, lembrou.

5 minutos

Como ex-fumante, Alencar disse que o pior momento para quem tenta largar o vício é a fissura ou crise de abstinência que ocorre logo nos primeiros dias sem o contato com o cigarro. Conforme o cardiologista, a fissura é uma sensação ruim, pois causa até tremedeira no indivíduo, mas esse desespero dura cinco minutos.

“Se o fumante soubesse que a fissura dura este pequeno tempo, seria uma forma mais fácil de largar o vício. Por exemplo, se ele conseguir passar por mais de cinco crises, a pessoa realmente consegue largar o vício. O problema é que, quando ocorre a fissura, o indivíduo busca logo o cigarro, não consegue esperar o período do tremor passar. Por isso, de um total de pessoas que iniciam o tratamento para largar o cigarro, 70% desiste no meio do caminho”, revelou.

Doenças

Os tipos de câncer relacionados ao sistema respiratório e gastrointestinal, que incluem o câncer de reto e estômago, de bexiga e rim, além de problemas cardiovasculares, estão relacionados diretamente com o tabagismo, afirma o diretor da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon), Marco Antônio Ricci. “Os malefícios do cigarro no corpo humano e sua contribuição para o surgimento do câncer é comprovado cientificamente”, contou.

Mudança de hábitos

Como forma de combate ao fumo, a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon) realiza várias ações de alerta por meio da coordenação estadual de atenção oncológica. De acordo com a enfermeira responsável pela coordenação, Marília Muniz, 75% das práticas que causam o câncer podem ser evitadas. Parar de fumar, por exemplo, reduz em 30% o risco de câncer.

 

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