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Cotidiano
Insegurança

Latrocínios, furtos, assaltos e tráfico tiram o sono dos moradores de Novo Aripuanã

Um agravante é que o município, localizado no Sul do Amazonas, é corredor do tráfico de drogas para outras cidades do País 14/11/2017 às 05:30 - Atualizado em 14/11/2017 às 12:58
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Moradora de Novo Aripuanã carrega cartaz pedindo consciência / Fotos: Reprodução e Euzivaldo Queiroz
Paulo André Nunes Manaus (AM)

É considerado crítico o clima de insegurança em Novo Aripuanã (a 229 quilômetros de Manaus), no Sul do Amazonas, com os moradores sendo alvo, a cada dia, da ação de criminosos. Um agravante é que a cidade, localizada no Sul do Amazonas, é corredor do tráfico de drogas para outras cidadas cidades do País.

Latrocínios, assaltos a mão armada, invasão de casas e furtos estão mudando há alguns anos a faceta do que era uma pacata cidade e do que hoje é um barril prestes a explodir.
No último dia 13 de outubro, o vereador José Augusto Rodrigues, conhecido como “José Piaba”, teve a casa invadida pelos assaltantes Andrielson Ramos da Silva, 21, e Diego Viana de Jesus, 27. Os criminosos fizeram a neta dele, de 11 anos, refém e atiraram no filho dele, José Augusto Júnior, 31. A dupla tentou fugir mas foi presa e por muito pouco não foi linchada.

A mesma sorte não teve Luzinete de Costa Gama, 30, que foi agredida no último dia 7 de outubro por populares que depredarem a delegacia da Polícia Civil no município: ela foi acusada de atear fogo em uma residência, causando a morte de Marciane Castro França, 26, e de seu filho, uma criança de dois anos de idade, além de ter deixado feridas mais duas crianças. Revoltados, os moradores retiraram Luzinete de dentro da cadeia e a espancaram, deixando ela em estado grave no Hospital Pronto Socorro 28 de Agosto, na Zona Centro-Sul de Manaus, com queimaduras de segundo grau em parte do corpo, além das vias áreas, e traumatismo craniano.

Ela escapou da morte e 17 presos escarapam das grades, mas dias depois foram recapturados. No fim de semana, um trabalhador da área rural da cidade foi assassinado em um crime associado a latrocínio.

Manifestação

A situação da cidade interiorana motivou a organização de uma manifestação, na última sexta-feira, onde cerca de 2 mil moradores de Novo Aripuanã foram às ruas pedir mais segurança. Munidos com faixas e cartazes, eles chamaram a atenção das autoridades para a situação calamitosa.

“No final da década de 90 para 2000 nós tínhamos uma população entre 12 mil a 15 mil habitantes e um contingente de 22 policiais. Hoje, nós, com uma população de aproximadamente 25 mil habitantes, temos apenas 6 policiais. E não temos guarda municipal no município. Vejo que há um descaso na segurança pública do município. Nessa manifestação tivemos participação em massa da sociedade e todos os vereadores abraçaram a causa”, disse o vereador Neto Carvalho (PMN).

“Há alguns anos um jovem foi morto dentro do gabinete de um juiz. Noutro caso, um preso fez atendimento na delegacia local devido a ausência de policiais. A população não aguenta mais e a situação é crítica”, afirma Neto Carvalho.

Política conturbada

O município também vive um momento político conturbado: com base nas contas de 2012 reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), o prefeito de Novo Aripuanã, Aminadab Santana (PSD), foi cassado após ter registro de candidatura contestado na justiça por conta da Lei da Ficha Limpa. O TCE apontou ausência de comprovação de despesas no valor de R$ 867,4 mil destinados à realização de obras.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), para saber a posição do órgão quanto aos acontecimentos em Novo Aripuanã. De acordo com a assessoria, a secretaria determinou ao comando-Geral da PM e da Policia Civil que seja elaborado um planejamento para reforçar a segurança no interior. A proposta inclui o envio de viaturas e realocamento de efetivo para suprir as necessidades de municípios interioranos.

BLOG
Jadir Augusto de Souza, morou em Novo Aripuanã

"Morei em Novo Aripuanã por 3 ou 4 anos, e na época ela era uma cidade pacata, sem esses problemas de violência que se vê hoje. Atualmente tenho um filho que mora lá e ele me fala que não se pode mais andar pela rua com celular na mão. Nos últimos tempos a violência cresceu muito, ocorrem mortes, assaltos àluz do dia, invasão de casas, assasinatos, há o tráfico de drogas. Muitos dos bandidos que agem na codade vêm de Manaus, e outros pela estrada que dá para a cidade de Apuí, de onde se vai para todo o país e vira uma rota de tráfico. No último domingo infelizmente houve mais um assassinato. O nível da criminalidade é absurdo para uma cidade que possui 20 mil habitantes e 11 mil eleitores. É costume do pessoal do interior ficar em frente das suas casas, mas eles estão com medo e revoltados".

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